GUIA DO BRASILEIRÃO 2025: JUVENTUDE

Com a menor folha salarial entre as equipes da Série A em 2024, o Juventude confia no êxito do seu projeto esportivo para permanecer novamente na elite do futebol brasileiro.

O Juventude optou pela continuidade do trabalho de Fábio Matías para a temporada de 2025. O técnico, de 45 anos, chegou ao clube no final do ano passado com a missão de evitar o rebaixamento da equipe gaúcha e conseguiu conquistar o objetivo com uma rodada de antecedência. Nas sete rodadas em que comandou o time no último Campeonato Brasileiro, Fábio Matías conquistou três vitórias, dois empates, duas derrotas e um aproveitamento de 52%. 

O Juventude acabou perdendo vários jogadores que foram importantes na temporada passada e, com isso, para reforçar o elenco, iniciou um processo de prospecção no mercado sul-americano e nacional. Ao todo, foram 17 saídas na equipe gaúcha e 12 novas contratações para o elenco de 2025. Dentre as saídas, o clube não conseguiu renovar o empréstimo de Lucas Barbosa – que se tornou o maior artilheiro do clube em uma temporada desde 2009, com 13 gols marcados, sendo sete somente no Campeonato Brasileiro. O jovem foi um dos grandes expoentes técnicos da equipe gaúcha em 2024. 

Neste início de temporada, com um elenco totalmente modificado, os comandados de Fábio Matias realizaram uma ótima campanha na primeira fase do Campeonato Gaúcho, com seis vitórias, um empate e uma derrota em oito jogos. A equipe, inclusive, chegou a alcançar uma sequência de seis jogos de invencibilidade, com quatro triunfos seguidos. No entanto, acabou sendo desclassificada nas semifinais do estadual para o Grêmio e caiu na primeira fase da Copa do Brasil, após uma derrota no duelo contra o Maringá. 

Gráfico: Footure PRO

A equipe gaúcha utiliza a estrutura do 4-2-3-1, tendo um volante mais fixo e outro com mais liberdade para participar da construção e chegar na área, dois pontas atuando com o pé trocado, um meia finalizador e um centroavante de mobilidade no último terço do campo. 

Ao comparar com o time que disputou a última rodada do Campeonato Brasileiro, observamos sete modificações na equipe titular de Fábio Matias. O sistema defensivo da equipe, por exemplo, é completamente diferente, tendo o lateral-direito, Ewerton, como o único remanescente. Com a saída de Erick Farias para o futebol da Coréia do Sul, Gabriel Taliari e Gilberto vão brigar por uma vaga no comando de ataque da equipe Jaconera. 

O Juventude de Fábio Matias realiza uma saída sustentada com 4+1 e pode variar para o 2+3, deixando os zagueiros responsáveis por conduzir e buscar passes progressivos para os laterais ou volantes da equipe. O primeiro volante realiza movimentos para baixar próximo aos zagueiros ou fica como opção de apoio de costas para a marcação adversária. Já Jadson, segundo homem de meio-campo, busca se posicionar nas costas da primeira linha de marcação do oponente para receber e progredir no campo ofensivo. 

Em fase ofensiva, a equipe gaúcha possui uma coordenação de movimentos muito clara entre os pontas e os laterais. No lado direito, Emerson Batalla parte do corredor e realiza constantes movimentações de fora para dentro, visando a finalização com a perna esquerda ou a execução de cruzamentos para gerar uma assistência. Sendo assim, o lateral-direito fica responsável por ocupar o corredor. 

Já quando a equipe constrói pelo lado esquerdo, Batalla ocupa a zona entrelinha ao lado de Jean Carlos, que baixa bastante para receber a bola no pé próximo dos volantes ou se posiciona perto do setor da bola. Além disso, os comandados de Fábio Matias buscam atacar pelos lados do campo a partir da formação de triângulos, tendo o setor esquerdo como o mais forte quando Alan Ruschel, Ênio e Jean Carlos se aproximam. 

No comando de ataque, o técnico do Juventude vinha optando por utilizar um atacante de mais mobilidade, visando tirar a referência dos zagueiros adversários, criar uma constante ameaça com ataques à profundidade na última linha defensiva e gerar espaços para Jean Carlos e Jadson atacarem a área. 

O Juventude gera situações claras de gols a partir da formação dos triângulos pelos lados do campo, principalmente quando Alan Ruschel, Ênio e Jean Carlos se aproximam e buscam realizar movimentações distintas para desencaixar a marcação adversária. 

A dinâmica da triangulação ocorre da seguinte maneira: quando Ênio recebe a bola em situação de mano-mano, Alan Ruschel busca executar uma ultrapassagem por fora para atrair a atenção de algum marcador e, enquanto isso, Jean Carlos se aproxima do setor da bola e procura atacar sempre o meio-espaço entre o lateral direito e o zagueiro central. 

Além disso, os comandados de Fábio Matias possuem muita capacidade para gerar situações de gols em velocidade, recuperando a posse de bola no setor do meio-campo e transitando para o campo de ataque com a participação de três ou quatro jogadores, para ter igualdade numérica ou até mesmo superioridade contra a defesa adversária.

A equipe gaúcha busca ocupar a área adversária sempre com quatro jogadores, tendo o ponta do lado oposto fechando para dentro da área, o atacante, o meia e o segundo volante chegando como um elemento surpresa. 

O Juventude de Fábio Matias, quando marca em bloco alto, utiliza a estrutura do 4-1-3-2, tendo Jadson saltando a pressão no primeiro volante da equipe adversária e formando uma linha de três meio-campistas ao lado dos dois pontas, que encaixam nos laterais. A primeira linha de marcação, composta por Jean Carlos e Gabriel Taliari, fica responsável por tirar as opções de passe dos zagueiros e forçar que eles realizem bolas longas. 

Já no momento em que baixa as linhas e marca em bloco médio, a equipe varia para o 4-4-2 e possui um objetivo muito claro: induzir a construção da equipe adversária para os lados do campo, pois realizará uma forte pressão no jogador que estará com a bola no setor e tentará até criar superioridade numérica para recuperar a posse e sair em velocidade. 

Neste início de temporada, a equipe gaúcha sofreu com alguns erros técnicos individuais que acabaram originando gols no Campeonato Gaúcho. Além disso, apresentou dificuldades para temporizar ou direcionar as transições ofensivas dos adversários e quando marcou em bloco baixo executou pouca pressão na bola, possibilitando que o oponente tivesse tempo e espaço para executar a tomada de decisão. 

O Juventude detém a bola parada ofensiva como uma das suas armas para marcar gols dentro dos jogos. A equipe tem Jean Carlos como o cobrador oficial e Abner como um dos principais cabeceadores na área adversária. 

Dessa forma, o clube gaúcho executa movimentações coordenadas para deixar Abner em vantagem contra o seu opositor nos duelos aéreos. Nas batidas mais abertas, observamos o padrão com dois jogadores realizando movimentos de atração para a 1ª trave e outro jogador sendo o responsável por bloquear um oponente no meio da área, gerando uma situação vantajosa para Abner disputar o duelo na 2ª trave. Outra movimentação comum executada pela equipe tem a participação de três jogadores realizando o movimento de afundar para a pequena área, visando gerar uma situação de mano-a-mano para os zagueiros do Juventude duelarem pelo alto no centro da área. 

Na bola parada defensiva, a equipe realiza uma marcação com predominância zonal, tendo somente dois encaixes individuais nos principais cabeceadores da equipe adversária e o restante dos jogadores ficam perfilados dentro da área com a referência sendo a bola e o espaço. 


Jean Carlos, de 33 anos, tornou-se uma das grandes referências técnicas da equipe gaúcha na temporada passada. O meia se caracteriza pela ótima batida na bola, marcando gols importantes de falta e sendo uma peça fundamental na bola parada ofensiva do Juventude. Neste início de temporada, o camisa 20 participou diretamente de cinco gols dos 17 marcados pelo Juventude no Campeonato Gaúcho. Marcou três e distribuiu duas assistências no estadual.

Gráfico: Footure PRO

Com a difícil missão de encontrar um substituto para Lucas Barbosa, o Juventude realizou uma prospecção ao mercado sul-americano e apostou na contratação por empréstimo de Emerson Batalla, que atuou na última temporada no Alianza Valledupar, da Colômbia. 

O meia colombiano, de 23 anos, demonstra uma boa relação com a bola, tendo um biotipo bastante favorável para sustentar os duelos físicos contra os seus opositores e uma boa capacidade para finalizar de média distância com a sua perna canhota. No Campeonato Gaúcho, Batalla terminou como um dos artilheiros da equipe, com três gols marcados, sendo dois deles nos duelos contra o Grêmio. 

Gráfico: Footure PRO

Abner, de 20 anos, é um dos grandes destaques do Juventude neste início de temporada. O jovem defensor demonstra boa capacidade com a bola para realizar passes progressivos e se destaca pela sua imposição física para disputar duelos aéreos defensivos e ofensivos. 

Na atual temporada, inclusive, já marcou dois gols de cabeça oriundos de bola parada no Campeonato Gaúcho. Possui uma estatura privilegiada para um zagueiro (1,89 cm) e uma leitura defensiva satisfatória para defender a própria baliza.

Gráfico: Footure PRO
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