Griezmann, Arthur, De Jong, Pjanić e os difíceis encaixes no Barcelona

Quatro ótimos jogadores - e com potencial. Três deles não conseguem render seu máximo no Barcelona e um está chegando para disputar posição com uma lenda do clube. O que acontece na Catalunha e por que Antoine Griezmann, Arthur Melo e Frenkie De Jong não se encaixaram naturalmente no time?

O Barcelona vive uma temporada conturbada. Não apenas pelos resultados abaixo do esperado com Quique Setién – que tem pouco mais de 5 meses no clube -, mas também por negociações estranhas como a troca envolvendo Arthur Melo e Miralem Pjanić.

Além disso, jogadores como Antoine Griezmann e Frenkie De Jong, grandes aquisições para 19/20, parecem não viver seu melhor momento e seguem gerando questionamentos: por que não estão rendendo o suficiente?

Neste artigo, vamos tentar desvendar os mistérios por trás destas atuações e da troca envolvendo Barça e Juve.

Griezmann, o homem que atua na função de Messi

O melhor jogador da Copa do Mundo de 2018 para este que vos escreve – a FIFA escolheu o croata Modrić -, Griezmann sempre foi um dos jogadores mais determinantes do planeta. O problema de sua contratação? Ele atuava na posição de Messi.

No Atlético de Madrid e na França, os melhores momentos de Antoine foram como um autêntico ponta de lança, sempre com um centroavante a sua frente (Diego Costa no Atlético e Giroud na França). Ao chegar no Barcelona, viu as posições tomadas por Lionel Messi e Luis Suárez, o encaixe não seria fácil.

Sem mudar o modelo com pontas/extremas, tanto o 4-4-2 quanto o 4-3-3 obrigaram Griezmann a atuar pelo lado esquerdo, algo que ele já havia feito quando surgiu na Real Sociedad, mas não era sua posição natural atualmente.

Na última quarta-feira (1), no enfrentamento com seu ex-clube, Quique Setién apostou num 4-3-1-2, mas o jogador na ponta do losango acabou sendo Riqui Puig. E havia uma explicação:

“É difícil colocar Griezmann sem desestabilizar a equipe”

Quique Setién no pós-jogo contra o Atlético de Madrid

Aqui, é preciso contextualizar que o Barcelona tem hoje no elenco, dois jogadores que precisam ter seus movimentos compensados pelos companheiros. Messi e Suárez não participam tanto das ações defensivas e, por isso, o terceiro homem da frente muitas vezes precisa ser um quarto meio-campista. Griezmann é capaz disso? Sim, mas assim se perde o jogador determinante que ele é.

Entretanto, na partida seguinte, contra o Villareal, Quique Setién apostou mais uma vez no 4-3-1-2 com Griezmann e Messi próximos de Suárez e invertendo de posição a todo instante. Além disso, para compensar em alguns movimento defensivos, Sergi Roberto e Vidal foram escolhidos para acompanhar Busquets no meio; enquanto os corredores laterais eram todos de Nelson Semedo e Jordi Alba. Será que o treinador encontrou a solução?

Arthur busca proximidade com a bola

A expectativa na chegada de Arthur ao Barcelona foi muito grande. Um daqueles jogadores que gosta de ter a bola, participar da circulação e participou de uma das melhores equipes da América do Sul nos últimos anos, o Grêmio de 2017. Qual a chance de dar errado, não é mesmo?

O problema nunca foi a qualidade técnica em si, mas as questões culturais acabaram falando mais alto na chegada de Arthur ao Barcelona.

“Na Seleção, tenho mais liberdade para recuar e construir a jogada. Creio que seja a maior diferença, Tite me dá mais liberdade para buscar a bola mais atrás. No Barcelona não tenho essa liberdade. Lá, eu preciso receber o passe entrelinhas”

Arthur Melo em entrevista coletiva com a Seleção Brasileira

A frase proferida pelo camisa 8 depois de um ano na Catalunha, diz muito sobre a forma que ele vê o jogo e se adapta melhor. Se no Grêmio, que atuava no 4-2-3-1, Arthur era quem percorria todo campo para tocar na bola, aparecer como opção de passe e depois entregar aos homens de frente como Luan; no Barcelona, que atua no 4-3-3, Busquets era esse jogador e, dentro da ideia das posições, Arthur precisava estar fixo num lugar e esperar para receber o passe.

Atuar na entrelinha não era seu habitat natural e, não por acaso, acabou sentindo problemas e não desenvolveu seu jogo como esperávamos. Aliando esta diferença de modelo com questões físicas onde foram poucas as partidas em que rendeu o seu máximo durante 90′, Arthur chegou a ser determinante para Ernesto Valverde em alguns momentos, mas nunca chegou ao seu pico.

Por que Frenkie De Jong não é ‘5’ no Barcelona?

Não, a resposta não é porque existe Sergio Busquets. Da mesma forma que Arthur, o holandês Frenkie De Jong também é um jogador que gosta de estar em contato constante com a bola. Apesar de culturas parecidas entre Ajax e Barcelona, é nas pequenas coisas que podemos perceber os motivos para FdJ não render o máximo.

“(Frenkie) Não está jogando em sua posição. No Ajax, buscavam ele o tempo todo, era o centro do jogo, enquanto no Barça não é assim. Essa é a grande diferença.”

Louis Van Gaal, em entrevista para o Ziggo Sport

A começar pelo esquema. O Ajax de Ten Hag atuava no 4-2-3-1 e Frenkie fazia dupla com Schöne. Enquanto o camisa 21 fazia saída de bola, recuava sempre entre os zagueiros pelo lado esquerdo e carregava a bola até o ataque, seu companheiro era quem ocupava os espaços mais a frente. Quando o time não tinha a bola, ele cobria as costas de Frenkie – que subia a pressão no setor da bola.

Essa é a diferença (e o motivo) para Frenkie não jogar na posição de Busquets em Barcelona. Não por acaso, quando jogou como ‘5’ no 4-3-3, sofreu. Na partida contra o Athletic Bilbao, ainda no início da Liga, suas costas estavam sempre desprotegidas quando saia para pressionar o adversário.

É natural que De Jong atue mais adiantado como interior direito ou esquerdo. Em caso de permanência de Quique Setién no clube, existe algo que precisamos observar. Além da estreia do losango contra o Atlético de Madrid, um movimento chamou atenção: Rakitic recuava entre os zagueiros para iniciar a saída de bola pelo lado esquerdo e Busquets ficava mais adiantado. O fato acabou se repetindo com Sergi Roberto na vitória sobre o Villareal. Seria uma adaptação para o holandês? Só saberemos quando ele voltar do Departamento Médico, mas poderia ser um caminho.

Pjanić no Barcelona de Busquets

Se estivéssemos falando de Miralem Pjanić dos tempos de Roma, ainda com Luis Enrique de treinador, seria uma peça em falta no elenco do Barcelona. Porém, o bósnio foi recuando de posição com o passar do tempo. Na Juventus, é o ‘5’ de Maurizio Sarri. E, mais uma vez, ali está Sergio Busquets.

Pjanić seria o encaixe ideal caso voltássemos para a temporada 17/18, a primeira de Ernesto Valverde. Naquele momento, o 4-4-2 pedia uma dupla de jogadores – Busi e Rakitic na época – e que Miralem encaixaria facilmente. O momento agora é outro.

Precisando de um meio-campista que atue na entrelinha, dê assistências e ainda possa marcar alguns gols, Pjanić não seria exatamente esse jogador. É bem provável que entre na equipe como interior direito, controlando mais a posse de bola e acelerando o jogo quando preciso, algo que Arthur acabou por não conseguir. A curto prazo, deve funcionar. Entretanto, esta situação pode acarretar no seguinte problema: e Frenkie De Jong, onde encaixar?


É inegável que falamos de quatro grandes jogadores que o Barcelona contratou, a questão que permanecerá por um tempo será sobre a existência de um projeto esportivo por trás delas. Aparentemente, falamos de diversos bons jogadores, mas sem encaixe natural na equipe. Problemas para Quique Setién – ou o próximo treinador do clube – resolver para que os catalães sigam competindo na Liga e Europa.

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Gabriel Corrêa

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