Guia do Brasileirão 2021 | Como joga o Athletico Paranaense de António Oliveira

Em parceria com as redes sociais oficiais do Brasileirão, lançamos o Guia do Campeonato Brasileiro 2021. No segundo dia, vamos conhecer o Athletico Paranaense de Antonio Oliveira

Em 2020, o Athletico Paranaense viveu um período de transição. Foram diversas trocas de treinador para encontrar o substituto de Tiago Nunes e a temporada começa com a efetivação do português António Oliveira no cargo — não se surpreenda se Paulo Autuori estiver nas transmissões como “técnico” porque há questões da licença de António que o impedem de assinar a súmula.

O técnico António Oliveira ainda deixa algumas dúvidas para a escalação, mas este é o time base do Athletico no momento (Arte: TacticalPad)

Determinados a fazer uma campanha melhor que no ano passado, o Furacão segue a cartilha do “Jogo CAP” e a utilização de jovens que podem ser vendidos em breve. O ano parece promissor para o clube paranaense.

A CONSTRUÇÃO DO ATHLETICO

O jogo do Athletico começar por ter um goleiro com capacidade para sair jogando curto (Santos) e auxiliar os zagueiros Pedro Henrique e Thiago Heleno nesta construção de jogo. De qualquer forma, quando a equipe enfrenta um adversário que buscar fechar estes espaços e a saída num 4-4-2, por exemplo, temos o volante Richard baixando entre os zagueiros para criar superioridade numérica no setor.

Enquanto isso, nas laterais, diferenças. Na direita, o movimento de Richard é o “gatilho” para Erick buscar o centro do campo, como observamos no vídeo. Do lado esquerdo, Abner Vinicius gera a profundidade e amplitude do time pelo setor. Caso o volante não baixe entre os zagueiros, não é raro ver Erick sendo este terceiro homem na saída de bola.

No mais, se as dificuldades aumentam para sair jogando, os dois zagueiro (Pedro Henrique e Thiago Heleno) buscam as inversões longas — foram os principais zagueiros no quesito do Brasileirão 2020, inclusiva — e atacam as costas adversárias.

O que pode mudar na fase de construção ainda é quanto a escalação. Caso o jovem Khellven assuma a lateral direita, ele seria o responsável por ficar aberto e dando profundidade do lado e, com isso, Erick seria deslocado para o meio-campo no lugar de Christian ou Cittadini.

COMO ATACA O ATHLETICO

Depois de construir o jogo, a equipe do Athletico recentemente tem se postado numa espécie de 3-2-5 com os zagueiros + Richard na primeira linha, Erick e Christian por dentro e mais a frente tendo Canesin, Nikão, Kayser, Vitinho e Abner Vinicius.

O lado mais incisivo é o esquerdo com Abner chegando muito para cruzar no centroavante ou então, já no terço final do campo, buscando infiltrações para tabelar com os companheiros e criar vantagem numérica. Além dele, Vitinho (ou Carlos Eduardo) ficam na zona entre o lateral e zagueiro da direita para buscar o drible e finalizar cortando pra dentro e sempre próximos do centroavante Kayser.

O lado direito é o que tem mais “variações”. Como dito acima, o jogador escolhido para lateral direita pode mudar a estrutura ofensiva com o lateral sendo a peça por dentro (Erick) ou então dando amplitude (Khellven). Entretanto, uma peça não muda sua função: Nikão. O ídolo rubro-negro se tornou um especialista jogando no meio-espaço entre lateral e zagueiro para achar ótimos passes ou finalizações de média distância. É uma peça chave para o funcionamento do esquema e, inclusive por isso, tem uma liberdade maior para circular no campo e se aproximar dos volantes e ajudar na criação das jogadas no setor.

Quanto ao centroavante Kayser, sua função é, de fato, gerar profundidade por dentro, segurar os marcadores adversários e finalizar as jogadas. É ele o alvo dos cruzamentos da equipe para finalizar, geralmente de primeira e sem tanto refino, mas tem sido uma peça importante do modelo.

COMO DEFENDE O ATHLETICO

Defendendo, o Athletico também segue a cartilha do “Jogo CAP” com duas linhas de 4 muito fechadas, poucos espaços para os marcadores e com uma pressão média-alta em quem tiver a bola. Como é possível observar no vídeo, os jogadores tentam sempre induzir o adversário para o lado do campo, é muito difícil achar passes por dentro contra o Athletico há alguns anos. Sempre que o passe vem por dentro, um dos volantes imediatamente sobe a pressão para impedir.

Nos lados do campo, a mesma coisa. Com uma marcação por zona, a pressão vem apenas no momento que o jogador rival começa a invadir o setor.

BOLA PARADAS

Faltas ofensivas laterais: o Athletico costuma povoar mais o centro da pequena área com seus principais cabeceadores (Thiago Heleno e Kayser) e, também a segunda trave ou rebote ofensiva com dois jogadores. Na primeira trave, um jogador para, nas cobranças mais fechadas, tentar tocar na bola e desmantelar a defesa adversária.

Escanteios ofensivos: nos escanteios ofensivos, a lógica segue a mesma. Povoando sempre a zona central (3 jogadores) para cruzamentos mais fechados que impeçam o goleiro de sair na bola para socar. Dependendo do combinado com Nikão, o cobrador oficial, há também chances de ver três jogadores na primeira trave para tentar tocar na bola.

Escanteios defensivos: uma marcação mista com dois jogadores marcando individual, Kayser e Cittadini, geralmente. São sempre três jogadores bloqueando a primeira trave e mais quatro jogadores defendendo o centro e o segundo pau. No rebote, mais dois jogadores rápidos para buscar o contra-ataque.

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