A bola em seus pés

A saída de Arthur Melo trouxe um pouco de apreensão por se tratar de um meio-campista especial e campeão da Libertadores em 2017. Num Grêmio onde dominar a posse de bola é fundamental para derrubar adversários neste período de três anos em que Renato Portaluppi, perder um jogador do nível do camisa 29 poderia ser fatal. Mas havia um jovem esperando a sua […]

A saída de Arthur Melo trouxe um pouco de apreensão por se tratar de um meio-campista especial e campeão da Libertadores em 2017. Num Grêmio onde dominar a posse de bola é fundamental para derrubar adversários neste período de três anos em que Renato Portaluppi, perder um jogador do nível do camisa 29 poderia ser fatal. Mas havia um jovem esperando a sua oportunidade.

No atual processo de formação do Grêmio – algo que ainda escreveremos sobre -, atletas como Matheus Henrique trabalham com o profissional desde a reta final do período de juniores. Ou seja, ele já estava no grupo principal e entendia todos os mecanismos da equipe. É claro que naquele 2018, após a saída de Arthur, a hierarquia “pedia” que Michel Maicon fossem os titulares no 1-4-2-3-1 do time. Chegando até a semifinal da Libertadores, Matheus Henrique ganhava oportunidades com a equipe reserva na reta final do Campeonato Brasileiro e, com isso, ritmo dentro dos níveis mais altos.

Na atual época, as lesões de Michel fizeram com que a entrada de Matheus Henrique se desse mais rápido, apesar da contratação de Rômulo, na teoria um homem mais da “função”. E então o Grêmio passa a ter dois meio-campistas com capacidade de controlar o ritmo dos jogos. Numa equipe onde todos sempre se aproximam do setor da bola, Matheus Henrique atua no campo todo, como poderemos observar.

O mapa de calor de Matheus Henrique na temporada.
O mapa de calor de Matheus Henrique na temporada.

É claro que Matheus Henrique é um ótimo controlador de jogo. Seus números mostram isso. Na equipe de Renato Portaluppi, o camisa 14 dá, em média, 96 toque na bola e fica atrás apenas de Maicon (119) no quesito. Além disso, acerta 90% dos passes tentados e dá um key pass por partida. Porém, não apenas de passes curtos vive o meio-campista do Tricolor. São cerca de quatro passes longos certos por jogo, o que representa 70% de acerto nas tentativas. É ele que inverte as jogadas de maneira rápida para gerar vantagem aos extremas e laterais.

Entretanto, engana-se quem acha que se trata de um jogador com poucas valências defensivas. A partir do momento que precisou atuar com Maicon, as necessidades defensivas aumentaram.

Recuperações de bola: 4.3 por jogo

Interceptações: 1.3 por jogo

Desarmes: 3.1 (62% de acerto)

Desafios: 14 (59% vencidos)

Disputas aéreas: 2 (45% vencidas)

E no período onde a posição de meio-campista tem sido dominada por jogadores que possuem diversas características e não se apegam a apenas um função, o jovem de 21 anos surge como expoente no futebol brasileiro e na equipe de Renato Portaluppi terá a bola em seus pés para ditar o ritmo do Grêmio.

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Gabriel Corrêa

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