A evolução do West Ham de David Moyes

Após anos de desilusão, os Hammers fazem bom início de temporada e finalmente dão um fio de esperança para o torcedor

Estava lendo os comentários de uma matéria sobre o West Ham e me deparei com o seguinte, vindo de um torcedor: “ontem olhei para a tabela em um aplicativo, fui descendo a página e pensei “espera, não estamos na tabela?”, então subi a página novamente e percebi que estamos em quinto!”

Certamente não foi só ele o surpreendido com a posição do clube londrino na Premier League de 2020/21. Ainda mais se considerarmos que as atuações recentes não foram exatamente sublimes ou daquelas capazes de chamar a atenção dos neutros. A equipe de David Moyes, porém, encontrou solidez e aprendeu a ser eficaz em cenários costumeiramente complicados.

São 17 pontos de 30 possíveis, 17 gols marcados e 11 gols sofridos. A campanha é longa, o calendário é mais exigente do que nunca e dificilmente aquele torcedor não vai precisar descer um pouco tabela no fim das contas. Mas o momento é positivo, o elenco tem qualidade e há a sensação de que podemos ter surpresas nesta edição do campeonato. Por que não os Hammers?

É importante citar que o objetivo da direção sempre foi alçar voos altos e eventualmente participar de competições europeias, enquanto o investimento recente faria jus a uma colocação ao menos respeitável, ao contrário do que vinha acontecendo. Em 19/20 o time brigou contra o rebaixamento até os momentos derradeiros e terminou em décimo sexto. A sensação sempre foi a de que não existia coerência no planejamento esportivo e isso minava o potencial ali existente.

Em dezembro de 2019, Moyes desembarcou no leste da capital sem muito alarde. Na verdade, a maioria das pessoas não visualizava um panorama positivo se apresentando sob o seu comando. Afinal de contas, seu trabalho no Manchester United foi péssimo (apesar de toda a dificuldade em suceder Sir Alex Ferguson) e as passagens por Real Sociedad, Sunderland e o próprio West Ham (sim, é a segunda vez) acabaram com um aproveitamento inferior a 30%.

Os primeiros meses no retorno ao London Stadium também estiveram longe de empolgar, mas a obrigação de permanecer na elite foi cumprida e a temporada atual começou diferente. Ele encontrou um sistema que gera equilíbrio entre os setores, tira o melhor de algumas peças importantes e aumenta a competitividade do conjunto. O 5-4-1 utilizado como padrão pode não ser dos mais plásticos ou revolucionários, mas quem disse que precisa?

Rice é um dos melhores meias da Premier League atualmente (Foto: West Ham United)

O clube necessitava há tempos de um fio de esperança e, neste exato momento, o treinador escocês está entregando justamente isso. Até quando a boa fase vai durar nós não sabemos – e em determinados jogos recentes o desempenho poderia ter sido melhor -, mas ninguém terá grandes reclamações para fazer em um período positivo como esse. 

Ogbonna cresceu como líder no miolo da defesa e ajuda a compensar algumas fragilidades de Balbuena e Cresswell, Coufal e Masuaku estão rendendo nas laterais, Rice e Soucek formam uma das melhores duplas de meio-campo de toda a Premier League, Fornals finalmente conseguiu engrenar, Bowen se mostrou uma contratação excelente e Antonio segue incomodando defesas adversárias a cada semana.

E certamente os titulares sabem que precisam dar o máximo e manter a consistência, considerando a presença de bons jogadores como Haller, Benrahma, Lanzini, Noble e Diop no banco de reservas.

A torcida volta só no sábado, mas a equipe já se sente em casa no London Stadium – finalmente (Foto: West Ham United)

Outra prova da evolução vivenciada pelos Irons é que o próprio estádio já não parece mais um campo neutro. A polêmica mudança do saudoso Boleyn Ground (ou Upton Park) para o London Stadium foi baseada em motivos comerciais e financeiros, mas o rendimento como mandante havia caído e nenhum oponente se sentia desconfortável ao visitá-los. 

Agora, só o Liverpool tem um retrospecto melhor dentro de seus domínios (21/21) e o West Ham vai receber o Manchester United no sábado com os ânimos lá no alto e a certeza de que está em casa. E com um ingrediente especial: essa será a primeira partida do campeonato inglês com a presença de público (limite de 2.000) desde março.

David Moyes, os atletas e os torcedores mal podem esperar. Será que a sequência positiva permanecerá?

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Lucas Filus

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