A Inter está sanando seus problemas no mercado de inverno para o Scudetto?

O que a Inter precisa e como está agindo no mercado de inverno para atender aos desejos de Antonio Conte.

Antonio Conte pede reforços com certa frequência. Já era assim nos períodos de Juventus e Chelsea, especialmente no período juventino, em que deixou o clube com o argumento de que “não era possível jantar com 10 euros num restaurante de 100”, em relação as contratações de baixo custo que a Juve fazia até ali. Na Inter, não poderia ser diferente.

Chegou a reclamar de uma falta de elenco na virada sofrida para o Borussia Dortmund por 3–2 na Champions League, em novembro, e até citou sobre jogar uma partida de Champions com seus principais jogadores vindo de Sassuolo e Cagliari, o que é até um absurdo em vista sobre como Sensi e Barella, respectivamente, desempenharam bem quando estiveram em campo.

É consenso para muitos de que a ausência de um banco ideal destruiu os sonhos de classificação da Inter na Champions League. Por conta disso, no lado nerazzurro de Milão, muitos querem ao máximo reduzir estes problemas com o elenco e dar um time em condições para seguir a perseguição a Juventus, embora a distância da rival tenha aumentado nas últimas rodadas.

Vamos pincelar o atual mercado interista dentro das ideias de Antonio Conte. Veio Ashley Young, como uma possível solução para o desejo de Conte para sanar a ala-esquerda, e Victor Moses, seu ex-comandado no Chelsea e que jogava pelo Fenerbahçe, deve vir para a ala-direita, embora podemos lembrar que ambos são ambidestros, com Young por vezes jogando na direita pelo United, e Moses nos tempos de Chelsea na esquerda.

O problema nasce de forma que no sistema de Conte, o jogador externo, de lado de campo, é de um papel altamente especializado, tanto do ponto de vista atlético quanto mental. Você sempre deve oferecer uma linha de passe em largura, e visto que é muito solicitado com a bola, precisa ter leitura de jogo diferenciada. 

Ashley Young foi anunciado no final da semana passada

Até o momento, nenhuma das pessoas de fora da Inter mostrou ter capacidade pra isso: Biraghi possui habilidades atléticas, mas não habilidades técnicas e de tomada de decisão; Lazaro tem qualidades mais ofensivas, mas embora tenha ido bem quando acionado, a parte disciplinar não agradou a Conte (que pode até emprestar o austríaco). Asamoah, por outro lado, não consegue ter continuidade no plano físico.

Young já fez o papel de ala no passado, já foi meia e até ponta, e sabe jogar por todas as funções de lado de campo, o que encanta Antonio Conte, que sempre quis a contratação dele por onde passou. Agora finalmente terá a oportunidade de trabalhar com ele e revezar com D’Ambrosio e Biraghi na lateral, ou com Candreva mais a frente.

Já Moses tem a experiência de quem foi treinado por Conte no 3–4–3 do Chelsea, em que tinha liberdade pra avançar e defendia muito bem. Por outro lado, o físico não ajuda o nigeriano. Por conta de uma lesão muscular, não joga pelo Fener desde 30 de novembro. 

Em seguida, a Inter precisava de um meio-campista, especificamente um mezzala. O jogador perfeito para isso está no Barcelona, Arturo Vidal, que fez perfeitamente essa função no passado vencedor dele e de Conte na rival Juventus. 

Vidal cumpriria a função como fazem Sensi e Barella, que só retornaram agora de lesões, e a Inter teve seus problemas sem eles. Sem eles, já que Borja Valero e Vecino não tem metade do dinamismo, o que por vezes fez os nerazzurri forçarem demais o jogo pelos lados.

A Inter espera curar essa flata de meio-campistas com Eriksen, que embora não esteja agradando no seu fim de ciclo com o Tottenham, claramente é interpretado por Conte, por Marotta, Ausilio, e toda a diretoria da Inter como uma oportunidade de mercado, embora não necessariamente seja o mezzala que os nerazzurri tanto precisam e querem.

Eriksen foi mais usado na temporada, e, portanto, potencialmente mais pronto a uma adaptação rápida para a luta pelo Scudetto, no qual Conte pode pensar bem em um nível tático. O dinamarquês é um jogador suntuoso, que pode cobrir várias posições, mas que deve ser encontrada uma posição a qual ele se encaixe no time interista.

Por fim, a questão do atacante, que já resolveu muitos problemas na temporada, com o crescimento cada vez maior de Lautaro Martínez, e o renascimento de Lukaku, contando apenas com a facilidade com que conseguem se encontrar, trocar passes, criar espaços e oportunidades, foi suficiente pra ser a principal força da temporada da Inter.

Porém, a Inter não tem substitutos para Lautaro e Lukaku, já que Alexis Sánchez não vive bom momento fisicamente, volta de lesão agora, e Politano não encaixou no jogo de Conte, tendo sua troca frustrada para a Roma em uma negociação com Spinazzola. 

Equipe de Milão busca um reserva para Lukaku

Mas o que faria a Inter apostar, por exemplo, em Giroud, quando poderia ter apostado em jogadores como Gabigol, que estão no elenco, ou mesmo observar outros jogadores em fim de contrato, como Mertens, que se especulou no começo da temporada?

A resposta está no fato de que Giroud foi treinado por alguns meses por Conte no Chelsea, ele tem experiência e um jogo de costas pro gol útil. Não é apenas uma referência em bolas altas e, quando se trata de participar taticamente, sabe como se associar com qualidade aos seus companheiros de equipe. 

Comparado a Lukaku e Martínez, no entanto, ele é menos auto-suficiente, não é tão decisivo e não é tão criador de jogadas. Ele tem a técnica para participar de trocas de passes e posições elaboradas, mas precisa ter companheiros para se apoiar e sofre se precisa ser o principal nome ofensivo da equipe. 

Em resumo, para funcionar, ele deve ser incluído em um esquema que suporte suas características, mas mesmo assim, continua sendo o atacante titular da França campeã do mundo, e, para não perder o lugar na Euro 2020, poderia ganhar minutos e jogar para pedir um lugar no time do ex-juventino Deschamps.

Outro que serviria ao papel, e é uma possibilidade especulada, é justamente o do espanhol Llorente, ex-comandado de Conte na Juventus, e que está no banco do Napoli, e que conhece o modelo de jogo do treinador, para buscar lances e cruzamentos ainda mais longos, mas ele está acostumado a competir nos níveis mais altos, conhece a Serie A e as exigências do jogo de Conte, e nesta última parte de sua carreira, ele se especializou no papel de alternativa capaz de mudar os cenários ao sair do banco, como foi em alguns jogos no Napoli e no Tottenham.

Com essas situações e necessidades em vista, se cumpridas por todas as partes, farão sentido para fazer a Inter buscar o Scudetto? Conseguirá Antonio Conte finalmente se contentar com uma janela de transferências, mesmo tendo gasto mais de 100 milhões no verão e gastando mais nessa janela?

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Caio Bitencourt

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