A Itália ainda pode crescer após o título da Euro?

O título da Euro italiano foi brilhante, mas como o time de Roberto Mancini pode melhorar ainda mais para as próximas competições?

Em meio a grande festa pelo título da Itália na Euro, com todos os méritos e toda a justiça, chegou a hora de debater o futuro desse time da Azzurra campeão para as próximas competições que seguirão nos próximos meses, entre as Eliminatórias da Copa, e a UEFA Nations League.

Depois da taça da Euro festejada, será necessário um novo trabalho de Roberto Mancini para manter a longa invencibilidade, colocar de volta a Azzurra em uma Copa do Mundo, e sonhar com o título da UEFA Nations League, que será sediada em Turim e Milão.

Mas que tipo de ajustes podem ser necessários para um time campeão melhorar ainda mais o seu desempenho pensando nas próximas competições? É uma pergunta capciosa, mas que Mancini poderá tentar percebê-la de acordo com a necessidade de mudanças em algumas funções.

O primeiro caso é o da lateral-esquerda, que em condições normais, não inspiraria um motivo para mudança em vista a força motriz que foi por muitas vezes um dos grandes atalhos do desempenho ofensivo da Azzurra na Euro, mas as necessidades podem fazer as alterações.

O desempenho da lateral-esquerda com Spinazzola foi um dos grandes momentos do time italiano na Euro, potencializando as próprias jogadas do lateral por seu lado, e auxiliando muito bem na construção de jogo de Verratti, e trabalhando bem as jogadas com Insigne.

Mas Spinazzola sofre em sua carreira por muitas vezes com as lesões. E sofreu por mais uma vez na Euro, quando rompeu o tendão de aquiles nas quartas-de-final diante da Bélgica, ficando de fora da semifinal e da final, e sendo um longo desfalque, com seis a sete meses de ausência.

A chave será conseguir um substituto para Spinazzola. Mas Emerson Palmieri tem características distintas, com alguns problemas defensivos, como no lance do gol da Inglaterra na decisão em Wembley, e algumas questões de auxílio aos pontas que não tiveram a mesma eficiência do romanista diante de Espanha e Inglaterra.

Neste caso, alguns jogos podem dar a vaga a outros nomes ou até a novas improvisações na função. Um nome convocado por Mancini no passado que pode retornar as próximas convocações na lateral-esquerda é o de Luca Pellegrini, da Juventus, que esteve emprestado ao Genoa na última temporada. 

Porém, Pellegrini é outro que sofreu com muitas lesões na última temporada. O que pode fazer dois jogadores já convocados retomarem a função, seja Biraghi, que esteve emprestado a Fiorentina na última temporada e pertence a Inter, ou a adaptação de Calabria, do Milan, lateral-direito de origem, para o lado esquerdo, onde já jogou por algumas vezes. 

Outra chave pode ser através do futuro ofensivo no ataque. O desempenho tanto de Immobile, quanto de Belotti, não agradou nesta Euro, mesmo com o atacante laziale tendo marcado gols na competição, e mesmo com o atacante granata tendo jogado a final.

O caminho para o futuro pode ser o do jovem Raspadori, do Sassuolo, mais adaptado ao 4–3–3 em que Mancini costuma jogar pela seleção, muito por conta de ter atuado nesse sistema pelo clube neroverdì e teoricamente ser um atacante mais adaptável a esse sistema que Belotti e Immobile, embora seja muito jovem.

Mas outros jogadores podem concorrer a essa vaga de futuro. Entre eles, o jovem Moise Kean, do PSG, que teve suas oportunidades, embora Mancini o veja como um concorrente para Chiesa, Berardi e Bernardeschi na ponta-direita, razão pela qual acabou por ficar de fora da lista final da Euro.

Sempre há também, pensando no sonho de uma volta a Copa do Mundo, uma oportunidade para reviver as noites mágicas de um conto de fadas como o de Schillaci. O que pode ser uma oportunidade para nomes como Kevin Lasagna, do Verona, e Francesco Caputo, do Sassuolo, que foram convocados por Mancini no passado, embora sempre um novo nome possa surgir. 

Outros grandes jovens podem pedir passagem no futuro da Azzurra. Observando a lista de todos os convocados de Mancini, alguns nomes que tiveram oportunidade no passado, podem voltar. De nomes cortados da Euro por lesões, como o romanista Pellegrini, a outros que foram perdendo espaço com o desempenho irregular, como o milanista Tonali.

Se espera o retorno as funções saudáveis de jogadores que tiveram espaço nas Eliminatórias da Euro, como foram o caso do próprio Pellegrini, do meia interista Sensi, e do meia romanista Zaniolo. Dois deles, que estariam na lista final da Euro, não fossem as lesões. 

Por outro lado, estes jovens enfrentam uma concorrência grande. Por exemplo, Zaniolo, que em 2019, até a série de lesões, era peça certa na Azzurra na Euro que viria, hoje tem seu espaço ocupado pela crescente de Pessina com a Atalanta. 

A forte concorrência e o forte crescimento de jovens fazem com que a lista de nomes que estiveram de fora da Euro deem uma dor de cabeça para Mancini. Quem deixar de fora? Como mexer no time, e até que ponto o desempenho na temporada pode fazer um jogador deixar ou não de ser convocado?

É um problema que Mancini terá de resolver para o caminho para a Copa do Mundo, e a luta pelo título da Nations League. É bem verdade que as convocações para as Eliminatórias, por exemplo, englobam mais de 30 nomes, o que faz com que o treinador possa observar ao máximo certos jogadores e a sua utilidade para o grupo.

Esta alta convocação de jogadores acabou por ser positiva para os italianos, já que mesmo nomes jovens na seleção, como o caso de Pessina, já apresentaram uma boa bagagem para um torneio como a Euro, o que acabou dando resultado e colaborando para o caminho do título. 

O fato é que a Itália ressurgiu das cinzas com o título da Euro. Mas em Coverciano, certamente há um pensamento de que o que é bom, sempre pode melhorar. Roberto Mancini sabe disso, e tentará seguir o caminho para as próximas competições. O leque de possibilidades está posto na mesa, e a próxima temporada poderá ampliá-lo, ou até mesmo reduzi-lo. 

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Caio Bitencourt

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