A volta da marcação individual na Europa

Não existindo métodos certos ou errados, a marcação individual começa a ser cada vez mais debatido

Recentemente, o empate entre Barcelona e Slavia Praga pela quarta rodada da fase de grupos da UEFA Champions League no Camp Nou me convidou a uma reflexão interessante a respeito de um dos conceitos táticos mais debatidos nos últimos anos em termos defensivos: a marcação individual.

No futebol, assim como na vida, o que ganha marca uma tendência e gera uma inspiração nos outros para copiar a fórmula do sucesso com o objetivo de conseguir o mesmo resultado. Sem ir muito longe, com a aparição do português José Mourinho no FC Porto no início do século XXI, a defesa por zona tornou-se a forma de se defender habitual no velho continente pela aplicação de diferentes conceitos (o controle de profundidade defensiva, por exemplo) com métodos de treinamento inovadores através da periodização tática e, especialmente, pela priorização por ocupar primeiro os espaços em função da bola antes de defender o indivíduo como referência.

O caso é que o próprio treinador luso se reinventou taticamente e buscou outros caminhos para o funcionamento de suas equipes defensivamente. Para colocar um exemplo, na final da Liga Europa em 2016-17 contra o Ajax, o Manchester United dirigido por Mourinho realizou perseguições individuais por todo o campo para neutralizar o jogo de posição do holandês Peter Bosz, em uma clara demonstração de como as marcações homem a homem são úteis para produzir bons comportamentos defensivos em pressão alta.

O esporte de bola redonda é cíclico. Não há espaço para verdades absolutas ou definição de determinados conceitos como ultrapassados. Nada se cria, nada se perde, tudo se transforma: se nos últimos anos vimos equipes utilizando os êxitos do catalão Pep Guardiola e dos anos vitoriosos da Espanha entre 2008 e 2012 como inspiração para praticar um futebol associativo e com ideias relacionadas ao jogo posicional, com a globalização alcançando níveis realmente impressionantes neste sentido, a resposta do mundo da bola para esta tendência está sendo um futebol cada vez mais caracterizado pelas pressões em campo rival e, como consequência, por uma presença frequente de equipes que defendem com os encaixes individuais para facilitar estes comportamentos de agressividade defensiva em pressão ao portador.

O Slavia Praga está competindo no grupo mais equilibrado da fase de grupos da Liga dos Campeões muito através de suas marcações individuais em fase defensiva

Exemplos e equipes que utilizam os encaixes individuais em fase defensiva

Para demonstrar a globalização de equipes que utilizam as marcações individuais como forma de pressionar a saída de bola contrária, vamos citar três exemplos distintos: o Hertha Berlin com o húngaro Pál Dardai nos últimos anos, a Atalanta dirigida pelo veterano Gian Piero Gasperini e o Royal Antwerp de Lászlo Boloni.

Bayern de Munique
Anderlecht
Manchester City

Vantagens e desvantagens da marcação individual

Em geral, uma das principais vantagens do encaixe individual, seja ele setorizado ou uma perseguição mais longa, é a capacidade em cortar linhas de passe do rival, forçar erros com agressividade defensiva e gerar recuperações altas no campo de ataque. Sem ir muito longe, os times que melhor interiorizam o conceito de pressão alta utilizam marcações homem a homem para facilitar o exercício sem a bola. A – já mencionada no artigo – Atalanta ou o Liverpool dirigido pelo alemão Jürgen Klopp, por exemplo. Abaixo, um vídeo com uma demonstração prática dos benefícios dos encaixes individuais.

Sint-Truidense

Já na parte negativa, o principal ponto é a organização dos encaixes individuais contra rivais com mobilidade ofensiva, situação que prejudica a referência no setor de cada jogador e gera desequilíbrios em sequência no sistema defensivo. Recentemente tivemos o exemplo do Grêmio contra o Flamengo na Copa Libertadores, especialmente na ida em Porto Alegre, em uma simples demonstração de como trocas de posição e movimentação constante pode desorganizar uma marcação por encaixe que neste dia não foi a mais organizada. Outro exemplo abaixo:

Brugge
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