O papel do contexto ao transferir o analytics pra dentro de campo

Recentemente, o Barça Innovation Hub (BIH) realizou uma série de palestras online com craques do analytics mundial e lançou um estudo com o resultado desses encontros virtuais. O objetivo é encontrar pontos que façam com que o trabalho dos analistas alcance seu fim, que é colaborar na performance de treinadores, atletas e comissão técnica.

Uma das iniciativas mais inovadoras do FC Barcelona foi a criação do Barça Innovation Hub (BIH), um ecossistema onde o conhecimento é compartilhado em busca da evolução da compreensão sobre o esporte em todas as suas dimensões. Há cursos, seminários, palestras e muito conteúdo de primeira linha disponíveis sobre analytics.

Nosso querido amigo e colega Luis Cristovão (sigam o gajo e leiam suas análises aqui no Footure), compartilhou este material recentemente e eu aproveito para fazer um resumo do que há de mais relevante. Você pode acessar o material completo AQUI e mergulhar com profundidade.

1. SEMPRE PENSE ANTES DE COMPUTAR

É normal que muitos departamentos de análise de desempenho nos clubes criem materiais que não somem nenhum valor ao trabalho do treinador. O problema geralmente está em gerar esses materiais sem pensar antes nas implicações teóricas que sustentam a pesquisa.

Se o fenômeno a ser analisado não está propriamente entendido, é muito difícil de criar aplicações eficientes. A primeira coisa a ser feita é melhorar nosso entendimento sobre os princípios que levam aos comportamentos dos sistemas que analisamos: o jogo, o time, os jogadores.

Somente aí a resposta certa para a pergunta “o que precisamos analisar?” aparecerá. Por exemplo, ao estudar como joga um adversário, não adianta tirar as médias frias das suas ações. É necessário entender sobre quais circunstâncias aquelas médias foram criadas, e entender que um time nunca reagirá igual em contextos diferentes.

2. UNIFICANDO JOGADORES

Este capítulo analisa em detalhes a origem do FIFA Connect ID, uma iniciativa para globalizar e unificar valores de performance de atletas, falando de todos os desafios legais e técnicos que são implicados no processo. Também elabora como esta peça chave do ecossistema do analytics do futebol irá simplificar o uso, compra e compartilhamento de dados ao criar padrões standards de análise individual.

3. EFEITOS DAS VARIÁVEIS SITUACIONAIS

Um dos assuntos que mais impactou o futebol nos últimos anos foi o impacto de variáveis situacionais no desempenho de atletas e times. Como o futebol é um esporte sistêmico e caótico, a perspectiva Ecológica de análise ganha força ao criar contexto.

Perspectiva Ecológica

A perspectiva Ecológica apresentada aqui se baseia em conceitos Macro (cultura e idiossincrasia do país), Exo (o sistema de competição), Meso (efeito interativo de variáveis situacionais durante o jogo), Micro (condições do jogo coletivo dos dois times) e Individual (a resposta dos atletas em cada situação da partida). Também considera a importância do Tempo numa perspectiva ecológica.

4. COMO O CONTEXTO INFLUENCIA?

Este capítulo analisa como o contexto afeta a performance de jogadores ao responder quatro questões fundamentais:

• Como quantificar o impacto de uma ação singular? • Como aspectos técnicos afetam a performance individual? • Como aspectos táticos afetam a performance individual? • Como aspectos psicossociais afetam a performance individual?

5. ESTRUTURA TÁTICA EM CONTEXTO

Interação e tendência entre as plataformas

As chamadas “linhas de ônibus” sempre foram motivo de muito debate e questionamento. A verdade é que no futebol contemporâneo as formações táticas são pontos de partida para as organizações das equipes e execução de suas estratégias.

Pois não há como fazer futebol sem elas, já que significam a distribuição dos atletas em campo, a criação e ocupação de setores e espaços e também o bom aproveitamento de características individuais dos atletas.

Neste capítulo, se analisa através dos dados como colocar a análise das plataformas táticas em contexto, e como entender a mudança de estrutura nas fases do jogo.

6. RUPTURA DEFENSIVA

Vivemos uma época de transição no esporte, já que o aprofundamento do uso de dados e também de conceitos científicos está mudando totalmente o jeito que se joga futebol. Cada vez há mais necessidade de quem trabalha com o esporte tenha acesso e compreensão do que está acontecendo no alto nível, pois isso é um caminho irreversível.

Neste capítulo do estudo, se trata do conceito de “Ruptura Defensiva” na análise e compreensão dos comportamentos táticos de uma equipe. Em resumo, mostra como a ciência, os dados e a prática do conhecimento empírico precisam colaborar juntos em processos cíclicos para resolver desafios complexos usando datasets, tracking data e outros recursos tecnológicos.

7. DINÂMICA DO BALANÇO OFENSIVO

Um dos capítulos mais interessantes e complexos do material, que aborda o comportamento e movimento dos atletas através do balanço ofensivo e do jogo locacional. Vale a pena uma leitura mais atenta e cuidadosa, procurando as referências bibliográficas indicadas.

A Rainha do Futebol: a Bola

8. ENTENDENDO COMPORTAMENTOS ATRAVÉS DA BOLA

Estudo muito bacana sobre a influência DELA, por quem todos somos apaixonados, sobre os comportamentos dos atletas no jogo. A bola como catalisadora, criadora de energia cinética entre as partes e objetivo final de toda ação no jogo. E claro, se analisa a dinâmica dos RONDOS no futebol. 

Há muita informação e conhecimento disponível no BIH, mas esse estudo traz questionamentos super atualizados e que deixarão vocês a par de tudo o que é debatido na elite do analytics do futebol. Boa leitura!

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Gustavo Fogaça

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