AQUELE GOL DE MARADONA

Por Valter Júnior Dizem que se a memória coletiva se lembra de um fato acontecido há 15 anos, é porque o acontecimento seguirá marcado por muito tempo. Uma década e meia é tempo suficiente para que um evento seja apagado da memória das pessoas e que uma geração que não o vivenciou tenha crescido e […]

Por Valter Júnior

Dizem que se a memória coletiva se lembra de um fato acontecido há 15 anos, é porque o acontecimento seguirá marcado por muito tempo. Uma década e meia é tempo suficiente para que um evento seja apagado da memória das pessoas e que uma geração que não o vivenciou tenha crescido e recebido os relatos do episódio dos mais velhos. Caso contrário, o esquecimento será o destino.

No dia em que Messi, junto com a Argentina, fracassou retumbantemente contra a Croácia, foram completados 24 anos do último gol de Maradona em Copas do Mundo. Pode-se não se lembrar da data com precisão, mas o seu gol no 4 a 0 sobre a Grécia será recordado para sempre. Depois de uma sequência de toques rápidos, Maradona, já dentro da área, acertou um chute de esquerda no ângulo. Mais um golaço.

A comemoração fora do comum se tornou icônica. Maradona sai correndo em direção à câmera com olhos estalados e aos berros. Era um desabafo. A raiva saltava das suas órbitas oculares. Era um aviso a todos de que ele não estava acabado. Aos 33 anos, El Diez não precisava mais provar a sua capacidade. Tinha levado um time mediano ao título oito anos antes e outro a uma final em 1990. Seus gols anteriores em Copas serão parte da antologia do futebol. Maradona tinha o seus motivos para extravasar.

Maradona havia sido suspenso por um ano e meio por uso de cocaína. Sua relação com a Albiceleste parecia terminada. Um time até então sem identidade e sem resultados lhe deu mais uma chance de encantar os argentinos. A campanha nas Eliminatórias foi vexatória, com direito a goleada sofrida para a Colômbia, em Buenos Aires. Para ir à Copa dos Estados Unidos, seria preciso passar pela Austrália na repescagem. Maradona tinha jogado dois amistosos no começo 1993 com a Seleção, mas não disputou o torneio classificatório. Mesmo diante de um adversário inofensivo, sua presença foi necessária. Ele surgiu como o salvador e embora estivesse visivelmente acima do peso, jogou a repescagem e colocou o seu país no Mundial.

El Pibe ressurgia e era, mais uma vez, a esperança de uma nação que tem ele como um Deus. Com tantas interrogações, Maradona era a resposta para os seus fiéis. Logo na estreia, a Argentina encantou com uma goleada por 4 a 0 sobre a fraca Grécia. De desacreditada à candidata em 90 minutos.

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A vitória sobre a Nigéria, no jogo seguinte, ainda contou com Maradona. A derrota para a Bulgária não. Nem a eliminação para a Romênia nas oitavas de final. O craque que usou os pés como poucos e se preciso usava a mão também testou positivo para efedrina na partida contra os africanos. A saída de Maradona apagou parte daquela Copa. Levou consigo uma história que não será contada porque não exisitu. Como teriam sido o duelo de Maradona contra Stoichkov e um novo encontro com Hagi – eles se enfrentaram na Copa da Itália. Até onde a Argentina poderia ir com ele? Maradona encerrou a passagem na Seleção e nos Mundiais pela porta dos fundos.

A mesma porta dos fundos está aberta para Messi deixar a Rússia. Ainda há uma sobrevida, mas se ele for embora da Copa pela saída alternativa, daqui a 15 anos a sua história em Copas poderá estar comprometida.

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