As principais chaves do título do Colón sobre o Racing na Copa da Liga Profissional

O clube de Santa Fé confirmou seu favoritismo após a grande campanha na fase inicial, superando um rival que voltou a mostrar baixo desempenho em partida de taça em jogo

Se la glória no se compra, como disse Pulga Rodríguez após a decisão da Copa da Liga Profissional, em meio às comemorações do primeiro título de elite da história do Colón, fica a pergunta: o que é necessário para a glória? Embora não exista uma resposta certa para isso, ao menos podemos enxergar alguns caminhos – de sucesso ou de tropeços – em contextos decisivos. E nesta final argentina diante do Racing, os Sabaleros deram mais uma amostra de como é possível atingir o objetivo máximo, em um duelo que nunca pareceu fora de seu controle.

Desde o início, foi possível observar os bons apoios que a equipe do Colón gerou para construir os ataques. Com o meio-campo armado dentro de um 4-3-1-2 por Eduardo Domínguez, o trio mais recuado formado por Lértora, Aliendro e Castro era o fiel da balança para a dinâmica se estabelecer. Os três revezavam o suporte na saída de bola e se projetavam ao ataque produzindo tabelas rápidas, com subidas em bloco em grande velocidade.

A mobilidade de Lértora desde os primeiros metros foi importante para a construção ofensiva do Colón

Outro ponto fundamental para que os sabaleros encontrassem meios de agredir o Racing era a movimentação do atacante Cristian Ferreira. Seu posicionamento ditava os caminhos para a equipe em várias situações. Quando abria pelo lado direito para oferecer opção, trazia consigo o “10” do time, Cristian Bernardi, para uma zona mais aberta e isso permitia a infiltração do lateral por dentro (no caso, Facundo Mura).

Sua origem como um meio-campista também proporcionou algo não tão comum de se ver: a presença de um homem de frente próximo aos zagueiros para auxiliar na saída. A característica de agilidade e boa leitura de Ferreira se mostrou letal ao surgir nos primeiros metros do campo para buscar a bola, dar o passe e se movimentar oferecendo ruptura. O lance abaixo mostra bem essa situação. O desequilíbrio que causou na defesa adversária por isso potencializou boas ocasiões.

No lado oposto, o Racing encontrava grande dificuldade para tentar chegar à frente. Postado no 4-3-3, os comandados de Juan Antonio Pizzi tiveram pouco espaço para articular suas jogadas pelo corredor central com Miranda e Piatti, diante do congestionamento que o Colón provocava no setor. A saída ao longo da primeira etapa, em especial, foi tentar acionar Chancalay e Copetti pelos lados do campo em lançamentos ou viradas longas. Ambos trocavam constantemente de pontas em busca de vantagens, mas pouco conseguiram fazer neste sentido.

A partir dos 30 minutos da primeira etapa, a Academia passou a marcar mais alto e encurtar os espaços em relação aos jogadores rivais, o que pouco tinha feito até então. Desta forma, quebrou o circuito da eficiente construção do Colón desde o campo defensivo, os obrigando a esticar passes em direção ao ataque e forçando erros. Através disto, algumas oportunidades e espaços começaram a surgir.

Após o intervalo, Pizzi promoveu a entrada de Aníbal Moreno no lugar de Darío Cvitanich, alterando taticamente o time. Do 4-3-3, foi para o 4-3-1-2, adotando o mesmo esquema estabelecido pelo Colón. Martínez, Miranda e Moreno formavam a primeira linha de meio, com Piatti jogando atrás da dupla Chancalay e Copetti mais adiante. Apesar dos encaixes para estabelecer uma marcação mais organizada terem sido melhores na comparação com o 1º tempo, a falta de coordenação demonstrada nos momentos ofensivos cobrou caríssimo.

Se os avanços em transição até tinham certo sucesso, a construção deixava bastante a desejar. Ainda que repetisse a formatação sabalera, a diferença na execução foi enorme com a posse. A rigidez na movimentação facilitava o trabalho defensivo de muita intensidade do Colón, que recuperava a bola em boas condições na intermediária. E foi exatamente assim que surgiu o primeiro gol da partida, anotado por Aliendro aos 13 do 2º tempo. Após duas perdas por parte do Racing e uma breve desorganização na recomposição, a equipe de Santa Fé encontrou o espaço pelo corredor direito para chegar à frente e inaugurar o marcador.

Com a vantagem no placar, Eduardo Domínguez optou por acrescentar um jogador com maior capacidade de referência e sustentação física no ataque. A saída de Pulga Rodríguez (de atuação menos exuberante que o de costume, mas ainda dedicada) e a entrada de Nicolás Leguizamón não alterou a formação, mas mudou a característica do time, possibilitando um jogo mais direto. Ao mesmo tempo, Pizzi sacou Martínez e Piatti para colocar Matías Rojas e Maxi Lovera, buscando maior chegada à frente e dinâmica na movimentação. 

Na prática, porém, se viu um Racing com os mesmos problemas de organização e a exposição na defesa foi ainda maior. Não por acaso, aos 25, o Colón fez o 2 a 0 com Bernardi em uma jogada muito rápida aproveitando os espaços no campo defensivo do time de Avellaneda. Ainda restou tempo para Alexis Castro, aos 40, pegar uma sobra dentro da grande área e limpar o lance para marcar o terceiro gol, fechando a conta e libertando um grito que há 116 anos estava entalado na garganta do torcedor sabalero: o de campeão.

O gol de Bernardi expôs a fragilidade do Racing após as mudanças, em uma transição ágil que se desenhou em situação de 4 x 4

Falar em justiça dentro do futebol é sempre muito difícil, afinal, tudo depende das propostas, das execuções e também da influência do imponderável nas ações dentro de campo. Porém, observando atentamente a Copa da Liga Profissional desde o seu pontapé inicial, fica nítido que a taça terminou nas mãos de quem demonstrou o trabalho mais regular. É um título que premia uma equipe de futebol altamente fluído com a bola no pé, resiliente na defesa, capaz de se adaptar a diferentes exigências e com momentos de verdadeira magia – sobretudo pelos pés de Pulga Rodríguez.

Pelo lado do Racing, apesar dos progressos recentes – ainda que sensíveis – no trabalho de Pizzi, há muito a ser feito. Se defensivamente a equipe consegue mostrar boa organização, ofensivamente segue com rendimento insuficiente. A produção na frente depende muito da individualidade de Chancalay e da energia de Copetti para brigar pela bola. O meio-campo ainda oscila, com jogadores como Matías Rojas e Leonel Miranda em fase bastante apagada. Com as oitavas da Libertadores logo adiante, afinar tais detalhes será fundamental para encarar o São Paulo em um contexto de mata-matas.

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Dimitri Barcellos

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