Até onde pode chegar a Lazio?

Luta pelo retorno a Champions ou sonhar com um Scudetto que não vem desde 2000: até onde pode ir o time de melhor ataque da Serie A?

Algumas estatísticas podem definir a atual Lazio de Inzaghi: são nove vitórias consecutivas, com 40 gols marcados sendo o melhor ataque da Serie A, 17 gols sofridos, uma das melhores defesas do campeonato. Levantou a Supercopa vencendo com autoridade no clássico contra a Juventus, e até aqui dos grandes clássicos da temporada, só perdeu para a Inter, embora não tenha jogado todos. 

E fica a pergunta: até onde pode ir essa Lazio no campeonato? A vaga na Champions League fica entre a disputa direta com a eterna rival Roma e a Atalanta, já que o Cagliari e o Parma parecem ter se distanciado e o Napoli, outrora favorito e presença fixa na Liga nos últimos anos está adormecido no meio da tabela.

A Lazio vem crescendo em muitos pontos na atual temporada, com uma evolução justamente quando se apostou na continuidade do elenco, em vista que nesse estágio na temporada passada, Luis Alberto e Milinkovic-Savic pareciam mais com a cabeça em outros lugares, enquanto Immobile não chegava nem perto dos 19 gols que marcou até aqui na temporada pela Serie A.

Em uma só temporada, comparando o período até a 15ª rodada, analisado por L’Ultimo Uomo, entre o ataque laziale de 2017–18 pra 2018–19, há uma diferença enorme: o trio biancoceleste saltou de 52 gols marcados pra 25 marcados, e de 26 pra 14 assistências, e nem mesmo as chegadas de Correa e Caicedo sozinhas explicavam toda essa queda do trio Luis Alberto, SMS e Immobile.

Mas o sucesso na Coppa Italia fez a Lazio perceber que manter o trio a todo custo era o caminho. E manter boa parte da equipe, afinal, efetivamente o que mudou da temporada 2018–19, a do título da Coppa, para a atual, foi a vinda de Lazzari para o time titular no lugar de Marusic.

O mapa de passes da Lazio diante da Juventus: troca de passes pelo meio, e muitas tentativas de passes em profundidade, apesar do isolamento de Immobile (Foto: L’Ultimo Uomo)

Tudo é parte de uma esquema em que o time de Inzaghi tenta ao máximo lançamentos em profundidade. Seja os zagueiros, seja Lucas Leiva, ou principalmente os meio-campistas, que forçam muitos lançamentos em profundidade, seja para Correa, Caicedo quando está em campo, ou principalmente Immobile.

Taticamente, Inzaghi teve uma mudança importante com a chegada de Lazzari e resolveu recuar Luis Alberto e Milinkovic-Savic, que jogam como uma espécie de “mezzala”, cada um por seu lado. O que acabou gerando uma ampliação do jogo da Lazio, como vemos na imagem abaixo:

Lucas Leiva contra o Genoa tem Lulic livre pra lançar, mas prefere Luis Alberto, que quase marca (Foto: Football BH)

Aqui, a jogada começa do meio-campo com Lucas Leiva. É fácil o passe para Lulic no lado direito, mas o jogo em profundidade de Inzaghi faz com que nesse tipo de situação, seja procurado o passe mais longo para alguém mais adiante, e nesse caso foi Luis Alberto, que invadiu a área e perdeu um gol incrível. 

Os números que explicam as mudanças da Lazio

O mais curioso, é que em termos de criação de chances, a Lazio não melhorou significativamente em relação a última temporada. Até a 15ª rodada, a média de chutes a gol tinha sido próxima entre as duas temporadas, com 16,5 chutes/jogo na atual, sendo 16,1 chutes/jogo na anterior. 

O que mudou? A métrica de expected Goals? Também não, em vista que mudou de 1,87 na temporada passada para 1,89 xG. É o percentual de chutes que se transformam em gols que aumentou, com a taxa de conversão subindo de 11,4% para 15,9%.

Isso se dá não apenas aos passes em profundidade como com a velocidade destes contra-ataques. Mas de uma tática de Inzaghi direta e vertical, de forma que a Lazio é a equipe que, em dados até a 16ª rodada, foi a que concluiu mais contra-ataques (28) e deu mais passes em profundidade (12)

A equipe de Inzaghi também é a primeira na média de passes jogados dentro da área adversária. Muito por conta de um trabalho que faz o possível pra achar Correa livre em velocidade, ou principalmente, um atacante tão fatal como Immobile livre pra marcar. 

Defensivamente também é uma equipe eficiente, embora não marque tão alto no ataque, optando muitas vezes por pressão no meio-campo e proteção no mesmo local, como nesta imagem diante da Juventus, onde todas as opções bianconeri de passe foram “fechadas” pela subida dos atacantes e meias ao centro: 

A marcação laziale no meio-campo diante da Juventus, onde só os laterais tem disponibilidade pra receber (Foto: L’Ultimo Uomo)

Isso tem facilitado o trabalho de superioridade numérica de uma equipe que tem defendido muito bem. O que explica muito de uma equipe tão eficiente e com a segunda melhor defesa do campeonato, pelo trabalho feito, seja na linha de três zagueiros com Acerbi, Luiz Felipe e Radu, ou na “volância” com Lucas Leiva.

Sonha com a Champions, por que não?

As virtudes da Lazio são bem conhecidas. Com raros defeitos específicos, quando como defrontam em jogadas aéreas, de onde o time teve problemas nos últimos jogos diante de Cagliari e Brescia, sofrendo seus gols em situações assim. Nada que impeça o brilho do time de Inzaghi e um sonho realista de retorno a Champions.

Mas para a questão de um hipotético sonho de luta pelo Scudetto, há um contraponto. A falta de elenco em caso de uma necessidade, que ficou evidente quando Inzaghi escalou equipes mistas, quando não totalmente reservas, para as partidas da fase de grupos da Europa League, onde houve uma enorme perda de qualidade.

Embora o fato da eliminação da Europa League dar calendário livre para a Lazio sonhar, é difícil pensar em vista de um elenco que apenas Radu foi campeão nacional, no seu início de carreira na Romênia. E com um elenco inexperiente, a situação pesa contra os laziali, mesmo que Simone Inzaghi saiba o gostinho de ser campeão italiano pela própria Lazio. 

Mas a campanha pode ser dita surpreendente em vista que a Lazio apenas gastou na aquisição em definitivo de Correa, por volta de 16 milhões de euros mais 3 de bônus. Uma aquisição que seria “dinheiro de pinga” comparado aos valores altos gastos por seus rivais Juve e Inter, ou até mesmo rivais como Roma, Napoli e Milan, os dois últimos fora da briga. Típico da política de austeridade de Claudio Lotito.

Mas dentro de campo a equipe tem sido tão eficaz e consistente, que os pedidos por reforços acabam sendo silenciados. Muito pela eficiência da equipe ao resolver partidas e a melhora na capacidade mental do atual elenco nos jogos.

Por conta disso, a Lazio tem crescido na reta final das partidas. Não há outra coisa a se dizer de uma equipe que ganhou seus três últimos jogos no campeonato através de gols nos acréscimos diante de Sassuolo, Cagliari e Brescia, quando tudo parecia difícil para os biancocelesti. 

Crescer na reta final e nos jogos grandes é um alento pra quem sofreu tanto nos últimos anos com isso. Até mesmo com derrotas dramáticas, como a do confronto direto na luta pela Champions de 2018–19 para a Inter, por 3–2, com o notório gol de Vecino na reta final da partida.

E é crescendo nessa reta final das partidas, sendo fortes em todos os jogos como uma equipe dura de ser batida e ganhando tantos pontos, que se pode sonhar não apenas com um retorno a Liga dos Campeões, como a depender das posições e de seu elenco, com um Scudetto bordado na camisa.

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Caio Bitencourt

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