Barcelona, Catalunha, Independência: a mistura entre futebol e política

O adiamento do clássico entre Barcelona x Real Madrid colocou o assunto de volta em evidência.

Em setembro de 2017, o governo da Comunidade Autônoma da Catalunha convocou um referendo para votar a independência da região. Pouco dias depois, o governo central da Espanha suspendeu este referendo e ordenou que as forças de segurança impedissem a votação. E você deve estar se perguntado os motivos de falarmos sobre isso. Dois anos depois, estes membros da Catalunha foram condenados entre 9 e 13 anos de prisão, algo que gerou uma comoção na região e diversos protestos aconteceram, principalmente, em Barcelona.

Por estes motivos, o clássico Barcelona x Real Madrid que seria disputado no dia 26 deste mês de outubro foi adiado. A falta de segurança e a chance de manifestações políticas durante o jogo que tem 50% da audiência de toda Espanha com bola rolando fizeram com que a RFEF (Real Federação Espanhola de Futebol) decidissem esta mudança.

O BARCELONA TEM ALGUM LADO NESTA HISTÓRIA?

Devido ao slogan “Més que un Club” e por estar ativamente envolvido em questões da região da Catalunha, teorias são criadas a todo instante – muitas delas inverídicas – sobre o envolvimento do clube na luta pela independência. Ainda mais se levarmos em consideração que no período da ditadura de Franco, serviu como um posto para defender a democracia, não por acaso o Barcelona precisou trocar de nome para poder seguir disputando a liga nacional. Uma história que pretendemos contar em breve.

A estelada é vista com frequência dentro do Camp Nou, apesar de não ser uma posição oficial do clube.

Entre os princípios básicos do clube catalão, duas palavras: valors i democrácia. No momento em que uma nota oficial após as primeira manifestações na cidade aconteciam, muito se entendeu que o Barcelona seria a favor da independência da Catalunha. Aqui mora o primeiro erro. É preciso entender que o Barcelona possui torcedores além da Espanha e, dentre este número, muitos deles não são independentistas. Ou seja, dentro do próprio princípio citado acima, o direito de escolha pelo plebiscito foi o único apoiado.

Em 2017, durante o referendo, Barcelona e Las Palmas se enfrentaram com portões fechados no Camp Nou. (Foto: Albert Gea/Reuters)

Você já deve ter visto em jogos no Camp Nou a esteladabandeira nas cores amarela, vermelha e azul com uma estrela (imagem acima). Diferente da bandeira da Catalunha que possui apenas as cores amarela e vermelha, a esteladaé um símbolo do pedido de independência. Apesar disso, muitos sócios e torcedores do clube não são a favor de sua presença.

Dentro dos gramados, é comum ver jogadores como Gerard Piqué e Sergi Roberto; ou então ex-jogadores históricos do clube como Pep Guardiola, Xavi Hernández Carles Puyol se manifestando nas redes sociais. Alguns, de maneira mais dura contra o governo espanhol, outros que comentam o desejo apenas de votar num futuro (e novo) plebiscito.

E DENTRO DE CAMPO EM LA LIGA…

E nesta 9ª rodada, tivemos um interessante duelo entre Atlético de Madrid e Valencia que terminou empatado em 1 a 1. No enfrentamento de Diego Simeone Albert Celades pudemos ver as duas equipes com características e propostas bem marcantes.

a 0. No enfrentamento de Diego Simeone Albert Celades pudemos ver as duas equipes com características e propostas bem marcantes.

O argentino apostou em Mario Hermoso pela lateral esquerda possibilitando uma saída de três ao lado de Gimenez Felipe. Mais a frente, João Felix partia do lado direito para buscar a entrelinha com Koke e Thomas Partey era quem dava a sustenção. Apesar disso, a equipe sentiu a ausência do português mais próximo do gol adversário, tendo em vista que Diego Costa e Morata foi a dupla de ataque escolhida.

Sem a presença de Rodrigo Moreno, um dos pilares da equipe, a escolha por Ferrán Torres para ter mais atletas por dentro e brigar pela posse era no meio-campo. Foi então que Dani Parejo resolveu ser o dono do jogo.Subestimado, o capitão da equipe, já dominou equipes históricas como Barcelona de Pep ou Real Madrid de Zidane por sua capacidade de ser tudo e todos ao mesmo tempo.

Dani Parejo comandou o meio-campo no Wanda Metropolitano (Imagem: SofaScore)
Dani Parejo comandou o meio-campo no Wanda Metropolitano (Imagem: SofaScore)

O resultado, por fim, não era o esperado pelas duas equipes. Apesar disso, são duas equipes ainda em desenvolvimento de seus projetos a partir de maneiras diferentes. Os Colchoneros com muitos atletas novas – hoje eram três contratações de 19/20 -, enquanto Los Ches trocaram de treinador num momento conturbado e ainda buscam seu melhor momento.

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Gabriel Corrêa

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