Por que Bremer é um dos melhores zagueiros da Serie A

O brasileiro é um dos melhores zagueiros da liga, mas ainda há margem de evolução para o jogador do Torino? 

A margem de evolução de Gleison Bremer, zagueiro brasileiro de 25 anos do Torino, é evidente, principalmente após a chegada de Ivan Juric. Com a chegada do treinador, o Toro deixou de ter uma das piores defesas da liga para ter uma das melhores do campeonato.

Se convencionamos a dizer ao longo da história de que os zagueiros aprendem a defender na Serie A. Mas Bremer já vem com a promessa de talento desde seus tempos em que vestia a camisa do Atlético Mineiro no Brasil, embora sua margem de evolução seja grande.

Sobre essa margem, cito um trecho do texto de Daniele Manusia para L’Ultimo Uomo que trata sobre o zagueiro: “Com Bremer preso nas costas”, que é a referência para essa coluna:

Talvez a Serie A não seja a liga onde se defende melhor na Europa, talvez não seja verdade que as defesas italianas sejam mais duras do que em outras ligas, como eles pensavam que eram (supondo que fosse), mas com certeza é a liga. Os atacantes experimentam a presença dos defensores com maior ansiedade, como se atacar fosse um crime, um roubo, um pecado capital a ser cometido com o medo de que a justiça, terrena e divina, recaia sobre você no que o é de mais belo.

Com alguns defensores, pelo menos, é assim que funciona. E o que é a marcação homem a homem senão um Minority Report que permite que a polícia intervenha antes mesmo do crime ocorrer, punindo a própria intenção, enquanto você ainda está no meio-campo e está simplesmente tentando controlar uma bola longa?

Seus grandes jogos nas últimas rodadas foram os confrontos contra Vlahovic. O sérvio tem a badalação de ser um dos melhores atacantes do campeonato, um dos grandes artilheiros da liga. Antes do derby, Bremer havia dito que os jogadores do Torino deveriam ter sido “ainda mais ruins”, no sentido de maldade com o adversário, já que vinham de duas derrotas em jogos anteriores do campeonato. 

Na última vez que jogou contra Vlahovic, há pouco mais de um mês, na vitória por 4 a 0 contra a Fiorentina, ele o havia anulado, então esperava-se mais uma noite difícil para o sérvio. Dito e feito, no empate por 1 a 1 no Derby, o técnico juventino Allegri ressaltou ao máximo que o sérvio jogou contra um importante zagueiro, e que aquele dia, era dia de maldade. 

Bremer se antecipa a Vlahovic, uma cena comum no Derby della Mole no returno. (Foto: L’Ultimo Uomo)

A técnica de Bremer está em uma crescente, com muita concentração, e uma relação direta com a bola, a manipulação do corpo de seus adversários e uma leitura contínua do espaço, tudo isso adaptado ao jogo de Ivan Juric, que exige personalidade e capacidade de decisão de alto nível.

De acordo com o Statsbomb, nesta temporada da Serie A, Bremer é o primeiro em avanços, bloqueios e cortes. Terceiro por duelos aéreos vencidos e também entre os dez primeiros por pressão sobre um adversário com a posse de bola. Em termos absolutos, em comparação com todos os outros defesas das cinco principais ligas europeias, está no 1% dos que mais avançam ao ataque(no último ano) e nos 2% dos que mais pressionam.

Mesmo contra atacantes mais móveis, como Osimhen, do Napoli ou nos duelos em que se viu defendendo homens como Okereke, do Venezia, ou Immobile, da Lazio, o zagueiro granata ainda fez grandes jogos, negando tudo o que podia negar a estes jogadores. 

A sua capacidade de marcação é tal que defende agressivamente tanto para a frente, quando há de antecipar, como para trás, quando tem de acompanhar a corrida do centro da bola e a corrente ou os cortes com que tenta receber nos meios espaços ou em os corredores laterais. 

Quando ele pressiona, sempre o faz mantendo a bola em mente. Onde ele não pode antecipar, Bremer ainda empurra por trás para movimentar o adversário, sem usar as mãos sobre o oponente, como fazem os defensores ingênuos, ele obtém o controle e avança para ganhar a bola logo em seguida.

Se um atacante é técnico mas não físico o suficiente, Bremer manipula seu corpo e equilíbrio, se ele é rápido mas na corrida não é tão técnico ele trabalha nas trajetórias da bola e do atleta. Se ele é forte fisicamente mas tecnicamente não é de tanta qualidade, o brasileiro lê os movimentos do jogador com antecedência, eu atiro e ele empurra.

Ele não tem margem para erros, porém, e um posicionamento errado é suficiente para ser punido por atacantes de alto nível que, principalmente em jogos em que sabem que têm poucas ocasiões, não se deixam abater por sua força vital. Bremer aprendeu isto em seu jogo de estreia na Serie A, precisamente num derby com a Juve em que Cristiano Ronaldo fez o gol de empate quase no final, saltando logo atrás dele.

Para defensores fortes como o zagueiro granata, muitas vezes é uma questão de centímetros: de distâncias a serem mantidas mais ou menos curtas, de atacantes que agora precisam ser sufocados mesmo ao custo de cometer uma falta e que agora precisam ser dois metros de profundidade para evitar ser pego “com as calças curtas” na defesa.

De chutes e cruzamentos para contra-atacar, colocando a perna na jogada, não deixando mais espaços entre você e o adversário. Em suma, isso consiste no conceito, ainda que simples, de marcação homem a homem, existem na verdade interpretações bastante complexas, leituras do jogo e decisões. 

Tudo além de uma técnica defensiva que vai desde o zagueiro desajeitado e impetuoso que nem vê a bola até aqueles como o brasileiro que fazem sua parte com violência mas também sensibilidade, questionando a posse de bola e derrubando o equilíbrio normal de poder entre os atacantes e defensores, entre os ativos e os passivos, mostrando um caráter que só os melhores da classe têm.

A margem de pergunta pela evolução é debatida pelo texto de Daniele Manusia: será ele um jogador mais adequado a equipas agressivas, que pretendem ter um sistema de defesa mais alto? O autor ressaltou ainda que seria triste vê-lo seguir defendendo posicionalmente dentro da sua própria grande área, mas aos 25 anos, na sua terceira temporada como titular da Serie A. 

O fato é que essa é a temporada de afirmação do zagueiro nascido no Sul da Bahia, na cidade de Itapitanga, e que o menino virou um dos melhores defensores da temporada da Serie A italiana, e que, quem sabe, pode sonhar com um desempenho cada vez melhor. 

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