Como será o futebol do futuro?

Estudos de dados projetam o futuro do futebol para 2031

A dinâmica do jogo tem evoluído devido a fatores ambientais como o resultado, o tipo e a fase da competição. Através da utilização da análise observacional e da análise de dados, verificou-se que o comportamento dos jogadores tem se alterado bastante nas últimas décadas. Como será o futebol em um futuro próximo?

Alguns estudos como “Evolução do ataque de elite entre 1982 e 2010” (Barreira, Garganta, Castellano) e “Evolução dos parâmetros de performance para posições na Premier League” (Bush, Barnes, Archer) analisaram as variáveis que influenciaram a evolução tática e técnica dos jogadores ao longo dos últimos trinta anos.

Os padrões de jogo alteraram-se em 31.4% desde 1982 até 2010, enquanto o resultado, a fase da competição e o período do jogo influenciaram em 28%, 26.5% e 18% as alterações, respectivamente. Entre 2002 e 2010, utilizou-se menos o drible e a condução de bola e, inversamente, aumentou-se a utilização do passe longo.

Já a quantidade de ataques pelos corredores laterais aumentou bastante hoje em dia em relação ao período 1982-2002, como consequência da desvantagem numérica no centro do jogo. 

O tempo real de jogo foi reduzido de forma significativa no período de 1966 a 2010: de 64,23% passou a 53,66%. Em 2031 é possível que se atinja um valor de 48,74%. A velocidade média da bola aumentou notavelmente no período: quase 1,20 m/s. Se a tendência for mantida, atingirá os 9,73 m/s em 2031. 

A frequência de passes por minuto aumentou de 10,75 passes em 1966 para 14,71 em 2010. Em 2031 poderia chegar até 16,51 passes por minuto. A duração dos lances de bola parada também cresceu de forma importante. Cada vez mais tempo é investido na realização da cobrança de faltas, principalmente naquelas lançadas a gol. Em 2031 serão invertidos 74,79 segundos na média contra os 38,12s utilizados em 1966.

O perfil de desempenho físico também foi modificado nos últimos anos. De acordo com os estudos, a distância total percorrida pelos jogadores é similar à de 10 anos atrás. Contudo, o número de sprints e de ações de alta intensidade é cada vez maior. Ou seja, há mais intervenções de alta intensidade, ainda que sejam de menor duração e distância.

Os atletas de futebol devem ser preparados para os panoramas de máxima exigência e competitividade que estão por vir. Assim, o futebol continuará evoluindo no futuro imediato para um jogo cada vez mais rápido, em que o nível técnico dos jogadores será cada vez mais alto, e onde os esforços de alta intensidade serão cada vez mais determinantes. 

O tempo de jogo irá se reduzindo progressivamente, até que o tempo parado seja superior ao tempo com a bola em jogo. Além disso, as ações com bola parada ganharão mais importância. Será um esporte cada vez mais intermitente. Coloque as pausas do VAR nessa análise e o quanto todas essas paradas demandará da concentração dos atletas em campo. O anímico também precisará ser mais trabalhado.

Os treinadores, auxiliares, analistas e preparadores físicos precisam saber as tendências do jogo para antecipar processos de captação, scout e treinamento de jovens para que estejam preparados para o que está por vir.

Dez anos passam voando. O futuro é agora.

Compartilhe

Comente!

Tem algo a dizer?

Gustavo Fogaça

Últimas Postagens

Atlético-MG vive seu melhor momento na temporada
Gabriel de Assis

Atlético-MG vive seu melhor momento na temporada

0 Comentários
A onda tecnicista na função do auxiliar técnico de futebol
Jonatan Cavalcante

A onda tecnicista na função do auxiliar técnico de futebol

0 Comentários
Friendly #1 | Imaginar e construir o futuro, a habilidade fundamental do século XXI
Footure

Friendly #1 | Imaginar e construir o futuro, a habilidade fundamental do século XXI

0 Comentários
Surpresa e tradição: os classificados para as quartas do futebol masculino na Olimpíada
Caio Nascimento

Surpresa e tradição: os classificados para as quartas do futebol masculino na Olimpíada

0 Comentários
Osimhen, Simy, e a problemática das narrativas sobre jogadores africanos
Caio Bitencourt

Osimhen, Simy, e a problemática das narrativas sobre jogadores africanos

0 Comentários
O que esperar do Real Madrid para os próximos anos com Carlo Ancelotti?
Bruna Mendes

O que esperar do Real Madrid para os próximos anos com Carlo Ancelotti?

0 Comentários
O que explica as goleadas do Flamengo com Renato Gaúcho?
Gabriel de Assis

O que explica as goleadas do Flamengo com Renato Gaúcho?

0 Comentários
Como o Vojvodismo transformou o Fortaleza em protagonista no futebol brasileiro?
Jonatan Cavalcante

Como o Vojvodismo transformou o Fortaleza em protagonista no futebol brasileiro?

0 Comentários
God Save the Game #34 | A janela de transferências da Premier League 21/22
Gabriel Corrêa

God Save the Game #34 | A janela de transferências da Premier League 21/22

0 Comentários
Felipão chega entregando o de sempre: segurança e resultado
Gabriel de Assis

Felipão chega entregando o de sempre: segurança e resultado

0 Comentários
Guia do futebol masculino na Olimpíada de Tokyo 2020: parte 2
Caio Nascimento

Guia do futebol masculino na Olimpíada de Tokyo 2020: parte 2

0 Comentários
A Itália ainda pode crescer após o título da Euro?
Caio Bitencourt

A Itália ainda pode crescer após o título da Euro?

0 Comentários
Guia do futebol masculino na Olimpíada de Tokyo 2020: parte 1
Caio Nascimento

Guia do futebol masculino na Olimpíada de Tokyo 2020: parte 1

0 Comentários
O complicado início de Diego Aguirre no Internacional
Gabriel de Assis

O complicado início de Diego Aguirre no Internacional

0 Comentários
Rodrigo De Paul: o meia com DNA de Simeone e Atlético de Madrid
Bruna Mendes

Rodrigo De Paul: o meia com DNA de Simeone e Atlético de Madrid

0 Comentários