Como usar dados para analisar treinadores

Quais dados servem para analisar o perfil de um treinador de futebol?

Tanto no mundo dos scouts quanto no jornalismo esportivo, já estamos bem familiarizados com o uso dos dados para analisar atletas individualmente. E como você tem visto aqui no Data Footure, cada dia há mais avanços e possibilidades tecnológicas que nos permitem ser mais precisos em nossas análises.

Mas e na hora de analisar o trabalho de um treinador? O assunto é bem complexo, pois o bom treinador é aquele que tira o melhor das características do seu elenco. E sabemos que cada elenco demanda diferentes valências psicológicas e metodológicas.

É muito relativo medir fatores como gestão de grupo, gestão de crise, tratamento com dirigentes e imprensa e outros deveres do trabalho de um treinador que estão fora do desempenho em campo. Por isso, o uso de dados pode revelar uma foto de um momento, mas nunca trará toda a complexidade da importância de um treinador.

Dados Palmeiras Gols 2018
Dados da Origem dos Gols do Palmeiras de Roger Machado – Fonte: InStat

Independente disso, empresas de dados estão se empenhando em lançar análise do trabalho de treinadores a partir dos dados. A SmarterScout, empresa norte-americana do economista e analista de dados Dan Altman, lançou índices para medir e criar correlações nos trabalhos dos treinadores da sua base de dados.

Dentro dos ítens escolhidos para análise, eles escolheram as formações táticas mais usadas, a média de tempo para recuperar a bola em jogadas de ataques posicionais dos adversários e a correlação entre a distância total que a bola corre durante a posse pela distância do time com o gol adversário.

Uma correlação que eu considerei bem interessante é o chamado Game Flow (a criação de gols esperados — xG — por minuto de jogo) com as substituições/minutos que os treinadores fazem. Assim podemos ter uma ideia se as substituições funcionaram na qualificação das chances criadas.

Análise de dados da temporada de Solskjaer pelo SmarterScout

Outros dados como onde os laterais mais tocam na bola, onde os extremos se movimentam, mapas de média de finalizações ou a média de pontos conquistados como visitante e mandante, aportam mais ângulos para entender como a equipe daquele treinador responde às suas ideias.

Eu sempre parto do conceito que dados nos servem, independente do que queremos encontrar. Então, mesmo que esses dados não indiquem a totalidade da competência de um treinador, eles são um excelente ponto de partida para uma leitura mais profunda.

Como analistas — seja qual for o seu campo de atuação — é fundamental colocar os olhos sobre estes outros fatores que os números não conseguem expor. E junto com isso, criar a sua balança e emitir uma opinião ou veredito. Não há nada mais complexo que equalizar vários seres humanos com backgrounds diferentes em um grupo de trabalho.

Entender essa complexidade vai além dos dados. Mas eles sempre serão uma bússola segura para enfrentar o trajeto.

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Gustavo Fogaça

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