COPA DO MUNDO - DIA 9

Por @RodrigoCout Fechado mais um dia da Copa do Mundo. Dia do Brasil vencer a sua primeira partida em grande jogo de Coutinho e Douglas Costa. Uma sobrevida para a Argentina com a vitória da Nigéria sobre a Islândia e deixa tudo indefinido no grupo. Para fechar, um duelo físico muito interessante entre Suiça e […]


Brasil 2 x 0 Costa Rica

Mais uma vez tendo um rendimento irregular, a seleção brasileira venceu a Costa Rica por 2×0 na tarde desta sexta-feira, em São Petesburgo, gols de Phillippe Coutinho e Neymar. A segunda etapa da Seleção foi mais agressiva e inteligente dentro daquilo que a Costa Rica propôs, mas chances importantes foram desperdiçadas antes do gol salvador marcado aos 46 minutos. Roberto Firmino e Douglas Costa foram muito importantes para o resultado. Ocuparam bem os espaços e acrescentaram imprevisibilidade. Com o resultado a Costa Rica está eliminada.

Brasil e Costa Rica apresentaram uma substituição em suas equipes com relação a estreia. Fágner entrou no lugar do lesionado Danilo na lateral-direita. E Oviedo ficou com a vaga de Calvo na ala esquerda. Um jogador mais ofensivo no setor costarriquenho. Óscar Ramirez inverteu também o posicionamento de Bryan Ruiz e Venegas. Botou o camisa 11, mais agudo, pelo setor esquerdo, o mais frágil defensivamente da Seleção.

Um 1º tempo de oscilação e extrema dificuldade para o Brasil. O time costarriquenho postou muito bem as suas linhas e apresentou compactação perfeita entre os setores. Controlava a profundidade brasileira e tinha muita agressividade na abordagem de marcação. A Seleção, por sua vez, por mais que tivesse criado uma boa chance com Coutinho logo aos três minutos, a partir da pressão pós-perda, não tinha a intensidade necessária em alguns momentos, sobretudo sem a bola.

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O cenário, somado a uma falha de marcação pelo lado esquerdo da defesa, foi responsável pela chance mais clara da etapa inicial. Venegas foi ao fundo e bateu pra trás. O chute de Celso Borges passou muito perto do poste direito aos 12 minutos. O time brasileiro conseguia alternar mais as jogadas de lado do que na estreia. Seguia com Willian, em má atuação, dando amplitude pela direita, mas Fágner era participativo por dentro, na rotação da bola.

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Faltava mais movimentos de infiltração. O Brasil abria o campo, mas tinha pouca ultrapassagem por dentro, ataque à última linha costarriquenha. Quando fez isso com Neymar, na metade do 1º tempo, conseguiu o seu melhor momento na partida. Marcelo foi quem chegou mais perto de marcar em duas finalizações de média distância, mas foi muito pouco. A Seleção melhorou na agressividade sem a bola, mas possuía extrema dificuldade para criar algo.

Na volta do intervalo, Tite voltou com Douglas Costa na vaga de Willian. Logo no início do 2º tempo o Brasil teve três chances claras. Neymar não conseguiu finalizar na primeira delas, Gabriel Jesus acertou o travessão na segunda, e Gamboa salvou em cima da linha finalização de Coutinho. A Costa Rica estava acuada, não conseguia sair de seu terço defensivo. Neymar, aos 10′, finalizou por cima após cruzamento de Paulinho. Coutinho, de novo, quase marcou logo depois.

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Óscar Ramirez, prevendo o pior, sacou Ureña e colocou Cristian Bolaños. Adiantou Venegas para ter mais velocidade nos contra-ataques, buscar alguma saída. A seleção brasileira melhorou na etapa final porque passou a ocupar a entrelinha(espaço entre a defesa e o meio)da Costa Rica, assim ganhou a opção do passe vertical no terço final, conseguia ‘’mexer’’ mais no posicionamento dos jogadores adversários.

Posicionado mais a frente, o Brasil naturalmente daria mais espaços. A Costa Rica quase aproveitou aos 21′. Bryan Ruiz cabeceou com muito perigo. Tite fez uma substituição mais ousada logo depois. Roberto Firmino entrou no lugar de Paulinho, como meia, mas com a liberdade do titular para infiltrar na área. Neymar perdeu grande chance em raro contra-ataque aos 26′. Buscou o ângulo, mas a bola não entrou.

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Aos 33′, Neymar invadiu a área pela esquerda e ao menor contato com o zagueiro costarriquenho caiu. Inicialmente o pênalti foi marcado, mas após consulta ao VAR, o árbitro do jogo voltou atrás na decisão. Nos minutos finais a pressão se intensificou e o gol saiu. Marcelo cruzou da esquerda, Roberto Firmino ajeitou de cabeça, Jesus aparou, e Phillippe Coutinho balançou as redes já nos acréscimos.

O golpe final veio aos 51′. Já com liberdade, Douglas Costa encontrou Neymar dentro da área e ele marcou. A vitória brasileira é muito válida pela tabela de classificação e também pelo ótimo segundo tempo feito. O time acabou demorando a fazer algo até certo ponto, óbvio, ocupar os espaços dentro do terço final e partir daí conseguir as infiltrações. Quando fez, empurrou a Costa Rica mais pra trás e criou naturalmente.


Nigéria 2 x 0 Islândia

A Nigéria demorou 135 minutos para apresentar algo produtivo no Mundial, mas quando fez, mostrou que pode incomodar. Esta foi a sensação deixada pelas Águias ao baterem a Islândia por 2×0, dois golaços de Ahmed Musa. Depois de um jogo péssimo contra a Croácia e um 1º tempo sem sequer finalizar, os africanos voltaram para a segunda etapa atuando de forma inteligente e agressiva. Ganham moral para encarar a Argentina num duelo praticamente direto na última rodada.

Os nigerianos mudaram o esquema. Voltaram a jogar com três defensores, como fez em alguns amistosos pré-Copa. Na frente, Iheanacho e Musa para ter mais velocidade. Já a Islândia recuou Sigurdsson para a linha de meio. Bodvarsson entrou no ataque e Gislason substituiu o lesionado Gudmunsson pelo lado direito.

Dentro da forma que o jogo se desenvolveu, a Islândia foi bem superior a Nigéria na primeira etapa. O time africano sequer conseguiu finalizar. Enfrentou um adversário muito organizado defensivamente. Como sempre, setores sempre próximas, praticamente nenhuma ‘’quebra’’ de linha defensiva, intensidade e agressividade na abordagem de marcação. Sem ideias mais elaboradas para vencer isso, o time nigeriano foi presa fácil. Apresentou-se de forma estática, sem infiltrações, movimentos bem coordenados de trocas de posição. Ficou o tempo todo esperando em vão a oportunidade de um passe em profundidade para Iheanacho ou Musa. Nas vezes que tentou, errou!

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Os islandeses produziram o seu jogo com mais naturalidade. Sempre baseado na bola longa ligação direta para chegar ao ataque. Nem sempre os três defensores nigerianos conseguiam responder bem. Do outro lado havia um time agressivo atacando a área adversária e muito alto. Antes dos cinco minutos, Sigurdsson já havia finalizado com perigo duas vezes. Bjarnasson, Finnbogasson e Bodvarsson chegaram perto de marcar também, sempre tendo a bola aérea como ferramenta.

No segundo tempo, a Nigéria voltou mais disposta a explorar contra-ataques. O primeiro surgiu com menos de um minuto. Etebo arrancou a echutou de fora da área, Haldórsson pegou. O excelente goleiro islandês, porém, não conseguiu intervir cinco minutos depois. Moses puxou outro contra-ataque pela direita após lateral batido na área pela Islândia e serviu Musa. O atacante dominou com estilo e fuzilou as rede.

O gol deu moral aos nigerianos e Ndidi quase ampliou em chute de fora da área. O time africano conseguia reter a bola. Não era uma posse tão objetiva. O intuito claramente era ficar com a bola para não ser pressionado pela Islândia. Mesmo assim, os espaços foram aparecendo e Moses foi outro a chegar perto de marcar o segundo. Os europeus não reagiram tão bem ao tento, pareciam mais letárgicos, desanimados. Logo a marcação perdeu intensidade e organização.

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Não demorou para o domínio africano aumentar. Musa já havia metido uma bola na trave, quando recebeu em profundidade, driblou Haldórsson, e fez um golaço aos 30′. Impressionante constatar como o primeiro gol nigeriano transformou o cenário anímico do jogo. Num comparativo com o 1º tempo, parecia que as equipes tinham mudado de uniforme. Isso talvez tenha aparecido de forma mais latente nos pés do principal jogador islandês. Sigurdsson perdeu pênalti na reta final da partida e pôs fim às esperanças europeias.

Para se classificar, a Islândia precisará vencer a Croácia por pelo menos dois gols de diferença e torcer por um empate sem gols entre Argentina e Nigéria, ou por uma vitória sul-americana por diferença de gols inferior a que conseguir fazer contra a Croácia. Já a Nigéria, só depende si em caso de vitória. Pode entrar também com um empate, basta que a Croácia não perca para a Islândia.


Suiça 2 x 1 Sérvia

Em um dos jogos mais parelhos da Copa do Mundo 2018 até o momento, Suíça e Sérvia fizeram uma partida muito interessante em Kaliningrado. O suíços venceram de virada, gols de Xhaka e Shaquiri, por 2×1 e empataram em pontos com o Brasil na liderança do Grupo E. Cada equipe dominou um tempo, mas a queda física dos balcânicos no fim foi decisiva. A Sérvia terá que vencer o Brasil se quiser se classificar para a próxima. Pode até entrar com um empate, mas precisa torcer por uma improvável vitória da Costa Rica sobre a Suíça por pelo menos dois gols de diferença. Os suíços entram com um simples empate.

A Suíça repetiu exatamente a mesma escalação que entrou em campo na boa estreia contra o Brasil. Já a Sérvia, fez uma mexida. Ljajic saiu para a entrada de Kostic. Em tese, um jogador mais rápido entrando e outro com maior poder de articulação saindo. O que poderia supor a Sérvia esperando a Suíça e saindo em contra-ataques, mas não foi exatamente o que aconteceu.

Foi um 1º tempo de extrema imposição da Sérvia e muito agradável de se assistir. O time balcânico apresentou intensidade altíssima nos conceitos de ‘’perde-pressiona’’ e ao tentar bloquear o bom jogo de troca de passes do time suíço, e conseguiu durante boa parte dos 45 minutos iniciais. O ‘’sufocamento’’ não demorou a dar resultado. Milivojevic recuperou uma bola do lado da grande área e Tadic botou na cabeça de Mitrovic aos cinco minutos. Ele venceu Schar no alto e bateu Sommer na finalização.

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O forte centroavante sérvio já havia obrigado o arqueiro suíço a fazer grande defesa um minuto antes. E foi a principal via para a Sérvia levar perigo. O time se impunha no campo de ataque, ganhava as disputas físicas e acionava o seu centroavante. Ele finalizava, ou segurava para chegada do talentoso trio de meias. O próprio Mitrovic finalizaria com perigo em outras duas ocasiões. Milinkovic-Savic e Matic também. O lado direito era o mais forte. Uma dobradinha que mesclava muito bem força, técnica e habilidade com Tadic e Ivanovic.

A Suíça simplesmente não conseguia igualar o jogo na parte física, tem uma equipe muito mais leve, mas também apresentava falhas de posicionamento na sua linha de meio. Os volantes flutuavam para os lados para compensar a pouca participação dos extremos no momento defensivo e espaços apareciam naturalmente. No meio da primeira etapa, conseguiu sair um pouco do sufoco a partir da aproximação que costuma apresentar, além da técnica na troca de passes. Dzemaili perdeu duas grandes chances de empatar.

O time suíço se ressentia de um poder de definição maior nas jogadas. Não possui jogadores com essa característica de forma tão forte. Tinha também problemas para ganhar mais profundidade, algo natural quando os extremos flutuam basicamente o tempo todo para a faixa central do gramado. Os laterais tentavam, mas nem sempre conseguiam as chegadas à linha de fundo, muito pela postura agressiva de marcação do adversário.

Tentando aumentar o seu poder de fogo, o técnico Vladimir Petkovic sacou o centroavante Seferovic e colocou Gravanovic em seu lugar no intervalo. Quem assustou primeiro na etapa final foi a Sérvia. Mitrovic subiu novamente após cobrança de escanteio e finalizou por cima. A resposta suíça foi precisa. Em raro contra-ataque, Shaquiri finalizou em cima de Kolarov e no rebote Xhaka fez um golaço.

A Suíça cresceu em campo e Shaquiri quase vira no que seria um gol mais bonito ainda. A Sérvia começou a recuperar terreno a partir das ligações diretas para Mitrovic. Desse jeito chegou muito perto de marcar aos 22′, em cruzamento de Kolarov. A agressividade suíça aumentou ainda mais com a entrada de Embolo no lugar de Dzemaili. Shaquiri foi jogar centralizado. Na Sérvia, Ljajic entrou na vaga de Kostic.

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O time sérvio tentava alguns períodos de subidas de linha de marcação, mas como a intensidade já não era a mesma, deixava espaços entre o meio e a defesa que a Suíça aproveitava. Ao mesmo tempo, não conseguia repetir a ‘’pressão pós-perda’’ feita no 1º tempo. Mladen Kstajic colocou mais um atacante na reta final do jogo. Tirou Milivojevic e colocou Radonjic.

Os suíços estavam melhor em campo e assustaram nos últimos dez minutos com Gavranovic e Embolo. Um prenúncio do que estaria por vir. Muito exposta aos contra-ataques, a Sérvia deu espaço para Shaquiri. Ele recebeu em profundidade e deu números finais ao jogo aos 46 minutos.

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