Depois de 34 anos, La Real vence a Copa do Rei contra o rival Athletic

Em um jogo bastante estudado pelos treinadores, as duas equipes encontraram muitas dificuldades no último terço. A Real conseguiu o título em mais uma bela partida de Mikel Merino, que se firma cada vez mais como um dos grandes meias espanhóis da atualidade.

A temporada 2019/20 foi marcada pela chegada de um vírus que fez parar o futebol no mundo todo. Os campeonatos retornaram e fizeram uma maratona em pouco tempo para conseguir que a temporada fosse finalizada. A partir disso, a final da Copa do Rei da temporada passada foi adiada, mas por fim remarcada para o dia 03 de abril de 2021.

O Athletic não vence a Copa desde 1984 e La Real não vencia desde 1987. A espera de um ano para disputa da final não é nada perto disso. A rivalidade entre os dois maiores times bascos do campeonato espanhol é enorme e todos estavam muito ansiosos para uma primeira final envolvendo ambos. Mas há um ano atrás, as duas equipes estavam em situações difíceis em relação ao momento atual.

A Real Sociedad vinha de um ano brilhante, mas sem conseguir voltar ao ritmo depois da paralisação. Já o Athletic vinha em busca de um título para aliviar o que foi uma temporada muito difícil em termos de desempenho na La Liga – o clube terminou em 11ª lugar. Na atual temporada o Athletic trocou de técnico, alcançou novos níveis com Marcelino e é finalista da Copa do Rei 2020/21 também. La Real tem uma temporada com desempenhos excelentes, estilo cativante, 4º melhor ataque da La Liga, jogadores crescendo cada vez mais, mas em 2021 segue muito irregular.

Chuva e duelo tático

Ficou nítido nos primeiros cinco minutos de jogo como a Real foi para cima com sua ótima forma de pressionar com e sem a bola. O 4-4-2 de Marcelino é sempre muito bem encaixado em linhas para poder conter isso. Apesar da maior imposição da Real, o jogo era bem equilibrado. Berenguer e Iñaki Williams conseguiam se impor nos contra-ataques contando com uma transição defensiva que talvez seja o maior defeito da equipe de Imanol Alguacil hoje.

A chuva era algo a parte, mas integrava os nervos que eram visíveis. A marcação alta do Athletic finalmente se firmou no jogo e obrigava Merino a apoiar os zagueiros na saída – o primeiro gol sai a partir de um lançamento do meia. Com isso, as melhores chances da Real no último terço partiam das bolas mais longas, já que os meias não conseguiam tanta liberdade para tocar e sair da marcação.

Os avanços de cada equipe eram estudos táticos nítidos. Os jogadores fieis aos comandos técnicos de cada treinador e isso tornou a partida um pouco mais disputada do que normalmente. A Real conseguia superar pelos lados com Gorosabel muito bem na marcação, bons avanços de Portu e presença firme de David Silva pela direita.

Reta final e o título de La Real

Depois de muito estudo e equilíbrio no primeiro tempo, o segundo começou bastante movimentado. O ritmo se tornou perfeito para Marcelino, como ele gosta de jogar, mas não foi aproveitado. A Real pressionava bem no último terço, porém não conseguia refinar suas jogadas por conta da boa primeira linha de defesa do Athletic que defendeu a área muito bem.

O primeiro gol vem de um pênalti cobrado por Oyarzabal, mas que ocorre num lance já cantando desde o primeiro tempo: a importância de Mikel Merino. Portu recebe na entrada da grande área e sofre pênalti na disputa contra Iñigo Martínez – o destino soube muito bem colocar o canterano txuri-urdin, hoje zagueiro do Athletic, como peça importante na primeira final de uma Copa do Rei entre os dois rivais.

Desde criança jogando nas categorias de base Real Sociedad, Iñigo se transferiu para o Athletic em 2018 depois do clube pagar sua multa.

O jogo ficou mais pegado e nervoso, todo mundo sabia a importância daquele título, e com a Real a frente no placar, Marcelino precisou avançar seus jogadores. Imanol manteve até onde deu os titulares, e era de se esperar já que estavam muito bem definidos em campo, além de ser as melhores peças possíveis disponíveis. Se tratando de um derby o clima era ótimo. A rivalidade em jogo era digna de uma final de Copa. Com o passar do tempo, o nervosismo aumentava, os jogadores do Athletic chegavam nas disputas de bola com ainda mais vontade e a Real já pensava em aproveitar os espaços deixados pelos avanços dos rivais.

David Silva fez bom primeiro tempo, mas no segundo o ritmo mais alto pesou. Com poucos minutos para o fim da partida, Imanol reforçou sua marcação e a energia no meio-campo com a presença de Guevara no lugar do veterano espanhol. As alterações seguintes também são justificadas pela energia, Isak e Portu correram bastante o jogo todo e estavam exaustos.

8 minutos de acréscimos não foram suficientes para o time de Marcelino. Tão acostumado a competir e lidar com situações difíceis, o Athletic pouco produziu no ataque e ficou refém de jogadores que não estavam nas suas melhores noites. Os problemas ofensivos seguem uma ideia de que a equipe precisa ser menos rígida taticamente, e o que o rival fez foi exatamente o contrário. Apesar de não ter sido uma dominância tão grande e evidente, a Real conseguiu pressionar mais no último terço do que o Athletic, e, consequentemente, as chances de abrir o placar eram maiores.

Foi uma atuação bastante relevante da primeira linha defensiva da Real, principalmente pelos zagueiros que conseguiram conter os avanços de Iñaki e as infiltrações de Raulga. Gorosabel que era tão inconsistente na temporada fez uma das melhores partidas da carreira para conter o principal criador do outro lado: Muniain. Finalizado o que aconteceu 2019/20, o restante da atual temporada segue bem firme para as duas equipes.

A Real briga por vaga europeia e superando a irregularidade tende a evoluir mais em situações adversas. O Athletic cresceu de produção com Marcelino apesar dos últimos desempenhos não serem os melhores, e tem o Barcelona pela frente na segunda final de Copa do Rei seguida. É fundamental a conquista do título não só pela taça, mas também para ter como alento a derrota contra o maior rival. Além disso, garante a equipe na Europa League da temporada que vem já que a disputa no campeonato espanhol segue muito difícil.

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Bruna Mendes

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