COUTINHO É O ENCAIXE PERFEITO

Por @_GabrielCorrea Não foi a primeira vez que Philippe Coutinho pisou no gramado do Camp Nou. O atleta de 26 anos, logo após sua apagada passagem pela Inter-ITA, esteve no lado pobre de Barcelona ao atuar no Espanyol sob a batuta de Maurício Pochettino. Naquele momento, o jogador era um projeto de atleta: dribles, um […]

Por @_GabrielCorrea

Não foi a primeira vez que Philippe Coutinho pisou no gramado do Camp Nou. O atleta de 26 anos, logo após sua apagada passagem pela Inter-ITA, esteve no lado pobre de Barcelona ao atuar no Espanyol sob a batuta de Maurício Pochettino. Naquele momento, o jogador era um projeto de atleta: dribles, um potente chute de fora da área mas ainda sem o entendimento do jogo necessário para dominar ainda mais seu jogo. Aos 25 anos, Coutinho desembarca no Barcelona como um futebolista muito mais completo depois de sua passagem no Liverpool com Brendan Rodgers e Jurgen Klopp. 


Primeiro, vamos analisar o contexto em que chega Coutinho no Barcelona. O time treinado por Ernesto Valverde iniciou a temporada 17/18 cercado de incertezas após a saída de Neymar. Sem o camisa 11, o clube catalão foi ao mercado contratar Dembélé e Paulinho como grandes nomes após negativas na primeira tentativa de trazer o 10 do Liverpool.

Txingurri – apelido de Valverde – então montou uma equipe extremamente competitiva a partir de um esquema base no 4-4-2 em linha. Busquets e Rakitic fazendo a sustentação e gestão da bola pelo centro, Iniesta como um “falso ponta” ao partir da esquerda para o meio armando o jogo e Paulinho aberto pelo lado direito. Messi e Suárez mais a frente com o argentino tendo liberdade para rodar o campo todo e o uruguaio buscando espaço a partir do lado esquerdo. Uma variação feita em grandes jogos foi o 4-3-1-2 com Paulinho na ponta do losango para pressionar o adversário e não permitir os contragolpes (vs Valencia). A ideia de Valverde era sempre anular as principais virtudes do adversário.

Invicto em La Liga, 16 pontos do Real Madrid, classificado na Liga dos Campeões e agora com Coutinho. A partir deste cenário extremamente favorável, podemos analisar quais as vantagens trará o brasileiro no clube neste momento.

Interior esquerdo ou falso ponta

Primeiro, é necessário se entender qual a função do interior esquerdo no Barcelona neste momento onde muitas vezes a equipe atua em um 4-4-2 alinhado. É o jogador mais adiantado do meio de campo – a frente de Busquets e Rakitic – e logo atrás de Messi. Uma de suas principais responsabilidades é levar a bola até o último terço, onde Leo tem permanecido mais tempo nesta temporada.

Sem um ponta desde a saída de Neymar, Jordi Alba ganhou ainda mais notoriedade e, por isso, este interior esquerdo é um “falso ponta”. Atualmente, é Iniesta quem cumpre a função de partir do lado esquerdo para o centro, onde arma o jogo, abre espaço para Albe ou leva a bola até Messi.

Sem poder jogar a Liga dos Campeões, é possível que Coutinho atue nesta função durante La Liga e Copa do Rei para poupar Iniesta e se adaptar a função. Dentro destas possibilidades e pela qualidade no jogo do ex-Liverpool, não seria difícil ver a conexão Messi-Alba ser repetida no lado direito com Coutinho-Roberto.

Na animação, podemos ver que o “falso ponta” no Barcelona faz abrir espaço para Jordi Alba. Laterais dão amplitude e se gera jogo pelo centro. Coutinho seria diferencial nessa posição.

Mediapunta

Na formação em losango, outra variação que Ernesto Valverde tem posto em prática, Coutinho seria a ponta do vértice à frente de Busquets, Rakitic e Iniesta. Me parece ser seu habitat natural. Num Barcelona que perdeu sua capacidade individual, do drible e arremates de fora da área, Coutinho agregará tudo isso no clube. Lembrem, o brasileiro não é exatamente um gestor de jogo ou organizador, mas seus passes sempre verticais podem ser uma arma para ajudar Leo Messi neste “novo Barcelona”.

A grande questão neste modelo, é defensivamente. Ao mesmo tempo que Paulinho não ajuda muito com a bola nos pés – e, sim, nas infiltrações em passes Messi – Coutinho não é um jogador com o mesmo vigor físico do seu compatriota. Seu estilo sugere algo muito parecido com Iniesta. Mesmo assim, seria possível ver uma intensidade na pressão pós-perda e uma tentativa de anular o adversário antes de sua saída de bola.

Dentro de um ambiente extremamente favorável, é possível ver o brasileiro triunfar em Barcelona em qualquer uma das posições. Ernesto Valverde ao mesmo tempo em que não tinha Coutinho, parece ter montado um esquema esperando por ele. Por isso, Coutinho é o encaixe perfeito.

 

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Gabriel Corrêa

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