CR7 NA JUVE NÃO É BOM SINAL PARA ITÁLIA

Por Valter Júnior Jornalista, é o editor de esportes do jornal Metro de Porto Alegre Na mesma semana em que se divulga que Cristiano Ronaldo está próximo de ser jogador da Juventus, o técnico da Seleção Italiana, Roberto Mancini, sentenciou que seu time, comparado com as equipes que estão na Copa do Mundo, fica atrás […]

Por Valter Júnior

Jornalista, é o editor de esportes do jornal Metro de Porto Alegre

Na mesma semana em que se divulga que Cristiano Ronaldo está próximo de ser jogador da Juventus, o técnico da Seleção Italiana, Roberto Mancini, sentenciou que seu time, comparado com as equipes que estão na Copa do Mundo, fica atrás somente do Brasil. A afirmação é um devaneio vindo do comandante de um selecionado que não está na Copa da Rússia. Mesmo que a afirmação possa ser uma mera provocação para chamar a atenção num período em que a Azzurra está em baixa, ela demonstra um otimismo exacerbado. A contratação do português por um dos grandes clubes do país parece boa, mas não é, principalmente, para a Seleção.

Embora seja uma gastadora ávida, a Velha Senhora nunca teve como diretriz ir ao exterior para contratar seus principais jogadores. Em situações normais são contratados promessas, pechinchas no exterior ou nomes que enfraqueçam os rivais locais. Nos anos 1990, um ainda pouco conhecido Zidane foi contratado pela bagatela de 3,5 milhões de euros. Vasculhar o mercado em busca de nomes promissores sempre esteve na política de contratações do clube de Turim.

As aquisições mais impactantes vieram do mercado interno, como exemplo podem ser citados Roberto Baggio (Fiorentina), Vialli (Sampdoria), Buffon e Thuram (Parma), Nedved (Lazio) e Cannavaro (Inter de Milão). Nas últimas temporadas as equipes que mais fizeram frente à Juventus, Roma e Napoli, perderam para a heptacampeã italiana Pjanic e Higuaín.

O baixo investimento nas contratações fizeram com que Antonio Conte pedisse demissão com a pré-temporada em andamento em 2014. O ex-volante da Juve dizia que se você tem 10 euros no bolso não pode querer jantar num restaurante em que a conta custará 100 euros. Sua analogia era que se não gastasse mais, o clube não teria chances de vencer a Liga dos Campeões.

Desde a saída do treinador, a Juventus chegou a duas finais da competição europeia, o que, teoricamente, tiraria a razão de Conte. Na prática, seu raciocínio se confirma. Nas finais contra Barcelona e Real Madrid, o time de Maximiliano Allegri foi uma presa fácil e não teve forças para erguer a taça, aumentando a coleção de vices-campeonatos do torneio. Embora brioso, o time da Juventus nunca esteve perto da vitórias nestes dois duelos.

O movimento ao tentar contratar Cristiano Ronaldo significa que o mercado interno não satisfaz mais as necessidades bianconeras. A Juventus entendeu que para confrontar os clubes mais ricos do mundo em campo será preciso também enfraquecê-los. A insatisfação do cinco vezes melhor do mundo foi o sinal para a direção iniciar o seu novo posicionamento no mercado de transferências. A ida para compras no exterior sempre foi para trazer coadjuvantes como Benatia, Khedira, Matuidi, mas as grandes estrelas que atuam na Inglaterra e Espanha nunca haviam estado no radar da Juve.

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Mesmo que por algum motivo a contratação de Cristiano Ronaldo não vingue, a Juventus mostra que seu patamar de contratações mudou. Apesar de não ter o mesmo fôlego dos clubes ingleses e da dupla Braça-Real, a Juventus quer incomodá-los nas movimentações do mercado, quer duelar dentro e fora de campo.

Há uma consequência financeira também. Caso o clube passe buscar mais jogadores em outras ligas, aqueles milhões de euros gastos para enfraquecer outras equipes italianas não estará em circulação no país. Como consequência, os adversários da Juve poderão se enfraquecer financeiramente, gerando um desequilíbrio maior que o visto nos últimos anos.

A notícia implícita e não captada por Roberto Mancini é que o mercado italiano se tornou insuficiente para o clube que domina o futebol italiano há quase uma década. Os jogadores que Mancio convoca são suficientes, na análise juventina, para as grandes conquistas. Da sua primeira convocação Criscito (agora de volta à Itália), Emerson Palmieri, Zappacosta, Balotelli e Zaza foram os únicos que atuam fora da Bota a serem convocados e nenhum deles parece próximo de ser envolvido em nenhum grande negócio.

Mancini tem mais motivos para ficar preocupado do que para comemorar. O primeiro passo é curar os delírios que estão acometendo as suas análises e não pensar em adversários inexistente, já que a Copa está sendo acompanhada pela televisão pelos italianos.

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