Cuiabá tem atuação boa e consciente no mercado

Ao repor saídas com qualidade e acrescentar novas características ao elenco, o Cuiabá demonstra estar ciente de seus desafios em 2022.

O Cuiabá disputou a Série A do Campeonato Brasileiro pela primeira vez em 2021 e assegurou a permanência na principal divisão do país ao terminar a disputa em 15° lugar, com 47 pontos. Sem grandes expoentes técnicos, a comissão técnica comandada por Jorginho encontrou formas de jogar compatíveis com as características dos jogadores e um jogo coletivo muito ajustado. Para 2022, o Dourado mostra querer ir além.

Com sua capacidade financeira ampliada devido a manutenção da equipe na Série A, o time cuiabano soube repor as saídas ao final da temporada e tem potencial para crescer, sofrendo menos na briga contra o rebaixamento. Por conta da saída de Jorginho, o Cuiabá precisa definir seu novo treinador. Por enquanto, o auxiliar Luiz Fernando Iubel assume interinamente. Contudo, as contratações não indicam uma grande ruptura no modelo de jogo.

Entre reposições e acréscimos ao elenco, chegaram: Juan Ojeda, Igor Cariús, Marcão, Rivas, Kelvin Osorio, Rodriguinho, Valdivia, Éverton, Alesson, André Luís e Marquinhos. Tendo em vista o tipo de jogo praticado pela equipe no último ano, são peças que fazem muito sentido.

Cuiabá Brasileirão Footure
Marcação em bloco baixo do Cuiabá protegendo a área.

Começando pela defesa, o Cuiabá marcou em bloco médio ou baixo em diversos momentos do Brasileirão, especialmente contra equipes de maior investimento e expressão. A defesa era feita em zona, ou seja, privilegiando a ocupação de espaços e povoando a área com muitos jogadores, variando de um 4-4-2 para o 4-1-4-1 ou 5-4-1. Nesse sentido, Juan Ojeda repõe a saída do zagueiro Anderson Conceição e Igor Cariús chega do Atlético-GO para compensar a despedida de Lucas Hernández além de brigar com Uendel pela titularidade. Logo nesta posição já vemos um acréscimo: Cariús pode ter menos qualidade no passe ou em leitura de jogo, porém oferece uma força física e explosão inéditas na equipe.

No meio-campo, Marcão chega para a função de “cão de guarda”, antes executada por Auremir. O volante veio do Sport, onde demonstrou ser aquele marcador cheio de vigor para combater, balançar para os dois lados, fechar o centro da defesa e ajudar os laterais. Já Osorio, um dos destaques do Santa Fe no Campeonato Colombiano de 2021, e Rodriguinho chegam como meias que fazem gols e oferecem maior qualidade na construção da equipe. Dentro de um time que busca aproximar jogadores da bola e tem os centroavantes Jenison e Elton fazendo o pivô para quem vem de trás, os meias aumentam o poder ofensivo da equipe.

Ainda no centro do campo, Valdivia pode oferecer tudo isso e também drible, condução em velocidade e finalizações de longe, porém há muito tempo não tem um bom desempenho com regularidade. Se recuperado, é opção para o meio e para a ponta. Falando nas pontas, os atacantes de beirada foram fundamentais para o sucesso de 2021 e serão novamente, seja recompondo e puxando contragolpes, atacando as costas das defesas para receber a “casquinha” do centroavante ou fazendo jogadas de fundo.

Assim sendo, Éverton chega do Grêmio para jogar no lado esquerdo e, se bem condicionado, é uma grande arma na recomposição. Ainda aparecerá bastante para triangulações e finalizações dentro da área. Atuando pelo mesmo flanco na Série B com o Vila Nova, Alesson traz consigo um bom drible, enquanto André Luís gosta de sair da direita para o meio, entrando na área para finalizar e atacando à profundidade, é mais atacante do que ponta. Por sua vez, Marquinhos é outro com bom drible, joga nos dois lados e é disciplinado para defender.

Com todas essas contratações e outras que podem ocorrer, vemos um Cuiabá encorpando seu elenco em relação ao último ano, mantendo características ao mesmo tempo em que adiciona novas valências ao elenco, sem abrir mão da experiência. Ao que tudo indica, sabe que terá um ano complicado com Estadual, Sul-Americana, Copa do Brasil e Brasileirão e que cada ano na primeira divisão significa um passo a mais na busca por se consolidar no cenário da primeira divisão nacional.

Compartilhe

Comente!

Tem algo a dizer?

Últimas Postagens

Por que a Roma perdeu a mão ao fazer futebol?
Caio Bitencourt

Por que a Roma perdeu a mão ao fazer futebol?

0 Comentários
Silvio Romero: como se movimenta e finaliza as jogadas?
Jonatan Cavalcante

Silvio Romero: como se movimenta e finaliza as jogadas?

0 Comentários
Como funciona o sistema de marcação do Torino de Ivan Juric
Caio Bitencourt

Como funciona o sistema de marcação do Torino de Ivan Juric

0 Comentários
Schick: ‘intruso’ em meio a Lewandowski e Haaland
Gabriel Belo

Schick: 'intruso' em meio a Lewandowski e Haaland

0 Comentários
O potencial do Valencia de Pepe Bordalás
Bruna Mendes

O potencial do Valencia de Pepe Bordalás

0 Comentários
Destaques da Copa São Paulo – Eliminados na primeira fase
Douglas Batista

Destaques da Copa São Paulo - Eliminados na primeira fase

0 Comentários
Pedro Naressi: acrescenta competitividade e repertório ao Sport
Jonatan Cavalcante

Pedro Naressi: acrescenta competitividade e repertório ao Sport

0 Comentários
O que é um ‘Falso 9’ e quais as diferenças entre os diversos tipos de centroavantes

O que é um 'Falso 9' e quais as diferenças entre os diversos tipos de centroavantes

Aurelio Solano
O encaixe dos reforços do Fluminense e Abel Braga
Gabriel de Assis

O encaixe dos reforços do Fluminense e Abel Braga

0 Comentários
Como Ferran Torres pode ajudar o Barcelona?
Bruna Mendes

Como Ferran Torres pode ajudar o Barcelona?

0 Comentários
As virtudes e vulnerabilidades que Richardson aporta ao Ceará
Jonatan Cavalcante

As virtudes e vulnerabilidades que Richardson aporta ao Ceará

0 Comentários
As perguntas e respostas que fazem evoluir o jogo
Luís Cristovão

As perguntas e respostas que fazem evoluir o jogo

0 Comentários
Cuca deixa o Atlético Mineiro como um dos melhores trabalhos de sua carreira
Gabriel de Assis

Cuca deixa o Atlético Mineiro como um dos melhores trabalhos de sua carreira

0 Comentários
Paulo Sousa: “O futebol é baseado no espaço e tempo”
Renato Gomes

Paulo Sousa: “O futebol é baseado no espaço e tempo”

1 Comentários
Há algo de podre no jeito italiano de se fazer futebol: o caso Salernitana
Caio Bitencourt

Há algo de podre no jeito italiano de se fazer futebol: o caso Salernitana

0 Comentários