DE CINEMA

Por Valter Júnior A Copa do Mundo é um choque de realidade. Países de diferentes situações políticas e econômicas e das mais distintas culturas se reúnem, numa única nação por um mês, em torno do jogo de bola. O mesmo vale para os jogadores. São 736 atletas correndo atrás da glória. Ela pode ser atingida […]

Por Valter Júnior

A Copa do Mundo é um choque de realidade. Países de diferentes situações políticas e econômicas e das mais distintas culturas se reúnem, numa única nação por um mês, em torno do jogo de bola. O mesmo vale para os jogadores. São 736 atletas correndo atrás da glória. Ela pode ser atingida das mais diferentes formas, tamanha a disparidade de condições de cada um. Para Messi, a glória suprema só virá caso a Argentina seja campeã. Todo o resto é fracasso.Para Hannes Þór Halldórsson,ela pode ser se tornar um ilustre no mundo da bola. Para o goleiro islandês, o esplendor foi alcançado. Sua história será contada.

Aos 19 minutos do segundo tempo da partida, Messi, um dos maiores jogadores da história, comparado com aqueles que atingiram o topo da pirâmide do planeta bola, estava a 11 metros de distância de Halldórsson. Para contratar o goleiro, o Randers FC, da Dinamarca, gastou 400 mil euros. Messi precisa menos de um mês de trabalho para desembolsar esse valor. Foi uma temporada difícil para o arqueiro. O clube dinamarquês escapou do rebaixamento nos playoffs. O Barcelona de Messi, ganhou mais um campeonato espanhol e uma Copa do Rei. A continental distância de trajetórias entre os dois ficou reduzida a esta pequena distância entre a marca do pênalti e o gol. Mais um chute para a carreira estrelada de Messi. A chance de atingir as estrelas para Halldórsson.

Mesmo que La Pulga tenha driblado problemas de saúde quando sequer espinhas brotavam do seu rosto, ele foi forjado para viver os maiores momentos que o futebol pode proporcionar. Halldórsson foi preparado para ser uma pessoa comum e estava ali, a metros de Messi. Antes de a gélida Islândia vivenciar o futebol calorosamente, o país tinha nada além da boa vontade para que seus meninos chutassem bolas por aí. Não existiam campos fechados e centros de treinamento. Era preciso encarar o frio. A limitação estrutural fez com que o goleiro fosse ter um treinamento específico para sua posição somente  aos 20 anos. Ter chegado a uma Copa do Mundo é uma façanha. Nada mais seria necessário, mas nada impede que novas realizações aparecem. Quando tinha duas décadas de vida, o pentacampeão na eleição do melhor do mundo tinha dois títulos espanhóis e uma Liga dos Campeões.

A paixão e a vontade de evitar o êxtase do futebol era tudo que o islandês tinha. À lista foi preciso acrescentar a perseverança. Um clube da terceira divisão já o havia renegado, quando, em 2004,bem sucedido em outra profissão, o camisa 1 islandês ganhou uma oportunidade num clube nanico de seu pequeno país. Ele jogou e falhou quando não podia falhar. Mesmo assim seguiu em frente até ficar a 11 metros de distância de Messi. Entre ele e o craque restava só a bola. E até a falha seria perdoada pelos 300 mil islandeses.

Aquele pênalti será um vírgula na carreira recheada de conquistas de Messi, mesmo que a Argentina perca a Copa, seu nome estará incrustado na história do futebol. Para  Halldórsson, foi um momento definidor da sua vida. Ele foi um iceberg grande, frio e intransponível para a lenda portenha. A sua defesa e a sua história valem um filme. Cinesta, Halldórsson, especialista em video clipes e propagandas, poderá contar numa película a sua história. Afinal, ela é de cinema.

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