DEFESA SÓLIDA E A "UMA BOLA" ENCONTRADA

Por @RodrigoCout Abrindo os trabalhos pelo Grupo B da Copa do Mundo 2018 em São Petersburgo, o Irã venceu o Marrocos por 1×0. Contrariando o imaginário popular, porém, não foi um jogo horrível. Principalmente na primeira etapa, foi um duelo onde as filosofias das equipes foram expostas de forma clara. Os africanos tentando propor e […]

Por @RodrigoCout

Abrindo os trabalhos pelo Grupo B da Copa do Mundo 2018 em São Petersburgo, o Irã venceu o Marrocos por 1×0. Contrariando o imaginário popular, porém, não foi um jogo horrível. Principalmente na primeira etapa, foi um duelo onde as filosofias das equipes foram expostas de forma clara. Os africanos tentando propor e imprimir velocidade nas ações, incluindo a transição defensiva. E os asiáticos apresentando um sistema defensivo muito forte e organizado, apostando em perigosos contra-ataques ou em ”uma bola”. Conseguiu encontrá-la nos acréscimos em infelicidade do marroquino Bouhaddouz marcando contra. A vitória por si só já vale a ida à Copa ao Irã

Sabendo que precisaria aumentar o seu potencial ofensivo, o técnico Hervé Renard colocou em campo um time mais ousado. Recuou Nordin Amrabat para a lateral e colocou Harit em campo em seu 4-3-3. Já o Irã, sem Etaloahi, teve Ebrahimi na faixa central no seu 4-1-4-1. Os primeiros dez minutos de jogo foram um massacre marroquino. Ocupando os espaços de forma inteligente e imprimindo velocidade nas ações, criou quatro chances, mas acabou pecando nas finalizações.

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Uma ferramenta importante para o Marrocos era a inversão de jogo a partir dos zagueiros. Como tinha os laterais dando bastante amplitude, a bola os encontrava no campo de ataque e a partir dali tinham a aproximação dos homens de frente ou buscavam o fundo. Carlos Queiroz percebeu e ordenou que seus extremos fechassem mais o lado do campo e menos o centro quando a jogada estivesse no lado contrário. Conseguiu inibir isso e o time marroquino passou a se precipitar muito. Foram vários passes forçados buscando a profundidade. Havia infiltrações e mobilidade com El Kaabi no ataque, mas do outro lado também tinha um time defendendo muito bem a sua área. Benatia perdeu grande chance após bate-rebate na área.

Irã muito compacto. Bloco de marcação variava de acordo com a posição da bola. Não ficava o tempo inteiro marcando atrás.
Irã muito compacto. Bloco de marcação variava de acordo com a posição da bola. Não ficava o tempo inteiro marcando atrás.

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Criando mais dificuldades ao adversários, os asiáticos passaram a levar perigo nos contra-ataques e nos laterais cobrados na área. Equilibraram as ações na metade do 1º tempo. O Marrocos foi perdendo um pouco da intensidade que apresentava na transição defensiva e a confiança abaixou, principalmente em Belhanda e Boussoufa. Harit ainda concluiu boa jogada aos 29′, mas as melhores chances da reta final da etapa inicial foram do Irã. Azmoun perdeu oportunidade cristalina e Jahankabahsh desperdiçou no rebote.

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Veio o 2º tempo e o Irã seguiu ”amarrando” as ações do Marrocos. O time africano parecia padecer da coletividade inicial e só conseguia bons momentos com chegadas de Amrabat pela direita ou na individualidade de Harit. A estratégia de ocupação de espaços mudou um pouco. Ziyech voltou mais preso ao flanco direito no terço final. Uma alternativa para tentar abrir a última linha iraniana. Na prática não deu certo, muito pela queda acentuada de todo o time na etapa final.

O Irã seguiu com seu jogo e sua maneira de construir na base da ligação direta, o que ajudou a deixar a partida muito desinteressante no 2º tempo. Aos 21 minutos, Queiroz sacou Shojaei e colocou o ponta Taremi em campo. Queria ganhar mais velocidade. Ansarifard foi para a faixa central. Logo depois foi a vez do Marrocos perder Nadine Amrabat após um choque de cabeça. Seu irmão, Sofiane Amrabat entrou em seu lugar e foi mais um improvisado na lateral-direita. Bouhaddouz também entrou no lugar de El Kaabi. Os iranianos também perderam um atleta por lesão. Montazeri substituiu Ebrahimi. Cheshmi foi jogar como volante.

Depois de uma longa paralisação pelas lesões o Marrocos acordou. Ziyech arriscou belo chute da entrada da área e Beiranvand espalmou para escanteio. A última mexida do Marrocos foi no mínimo inusitada. O zagueiro Manuel da Costa substituiu o jovem Harit. O time passou a jogar com três atrás e liberou os alas. A alta intensidade do jogo fez mais uma vítima nos últimos dez minutos. O Irá acabou perdendo Jahanbakhsh, o seu principal jogador, para a entrada de Ghoddos.

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O Marrocos ainda tentou pressionar, mas baseou suas investidas em cruzamentos forçados e não conseguiu furar o forte bloqueio iraniano. O castigo veio nos acréscimos. Hajsaf bateu falta fechada no primeiro pau e Bouhaddouz marcou contra o próprio gol. O time africano oscilou bastante ao longo dos 90 minutos. Mesmo num grupo mais acessível, precisaria de um rendimento mais regular para chegar às oitavas de final. Já o Irã tem como trunfo a defesa sólida, mas poucas ideias ofensivas. Difícil acreditar que ambas farão mais de três jogos neste Mundial, mas os asiáticos estão bem vivos.

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