Simeone revolucionou o futebol do Atleti na última década e merece respeito

Por tudo que fez pelo Atlético de Madrid, Diego Simeone é um dos maiores treinadores do futebol europeu na última década, e iremos ilustrar isso.

Desde que chegou ao Atleti no fim de 2011, Diego Simeone fez (e ainda faz) história com o clube. Quando desembarcou de volta em Madri, desta vez como treinador, a equipe estava apenas quatro pontos fora da zona de rebaixamento e em crise. Pouco menos de três anos depois, deixou para trás Barcelona e Real Madrid com Messi e Cristiano Ronaldo no mais alto nível, e foi campeão da La Liga 2013/14 em uma campanha espetacular.

Na mesma temporada foi finalista da Champions League, além de outra final na temporada 2015/16. Também ganhou uma Copa del Rey, duas Supercopa da UEFA e duas Europa League – uma delas logo na sua primeira temporada como treinador da equipe depois de vencer o Athletic Bilbao na final.

Fora os títulos, a equipe de Diego Simeone levou o rival Real Madrid ao limite nas duas finais de Champions League. Para muitos esses jogos são vistos como um fracasso do técnico e da equipe no geral, porém se analisar todo o contexto é fácil compreender que foram partidas extremamente difíceis e apertadas, com muita estratégia e alta dose de emoção. Sobretudo na final de 2014, apesar do placar final elástico imposto durante a prorrogação – o Atleti vencia ainda nos acréscimos do tempo normal e vinha fazendo uma partida significativa defensivamente, anulando as principais jogadas do rival.

Levando em consideração os rojiblancos desgastados fisicamente, foi bem expressivo o gol de empate em relação ao que foi o jogo, com o Madrid ganhando força após o empate e o Atleti tendo que lidar com o balde de água fria.

O lado tático de Diego Simeone

Por mais que, com análise superficiais, seja taxado como retranqueiro por muitos, o estilo de Diego Simeone é o verdadeiro motivo do Atleti competir por tudo nos dias de hoje e brigar de frente com Real Madrid e Barcelona nesses últimos anos. Não é preciso tratar como se ele tivesse fracassado nas duas finais como dito anteriormente, e sim refletir: o Atleti só chegou até lá por todo o trabalho imposto por ele.

É preciso ponderar que Simeone revolucionou o futebol do clube para todo o cenário que está inserido no futebol atual. Se o time está no patamar que está é por causa de Simeone. Se o time mudou seu retrospecto na maior competição do mundo é por causa de Simeone.

A solidez defensiva é a grande marca tática de Simeone, e também o que levou o time a realizar grandes noites em competições europeias. Com os jogadores dando o máximo de si em campo, a equipe se torna totalmente fiel às ideias que o treinador pede, com o mesmo tirando o máximo que pode do seu elenco. Não importa muito a opinião alheia sobre o estilo reativo do treinador, o importante é frisar que o ‘cholismo’ é de fato eficaz e traz resultados, independente do gosto alheio.

É cômico como muitos subestimam o tal ‘cholismo’, entretanto ficam apreensivos ao enfrentá-lo – ainda mais em competições mata-mata. Fica nítido como os adversários precisam se desdobrar para jogar contra Simeone. Encontrar brechas no compacto sistema defensivo do treinador é complexo, e quando se tem sucesso em cima disso ainda é preciso encarar um dos melhores goleiro do mundo, Jan Oblak.

Reformulação e atual temporada

É de fato difícil passar por uma reformulação no elenco, e no último verão o Atleti sofreu bastante com isso. Foram muitas saídas, mas a ida de Griezmann, o craque do time, e a de Godín, o capitão, além de Filipe Luís, são um forte baque para o que Simeone produz dentro do elenco que já vinha sofrendo para corresponder às expectativas nos últimos anos. No entanto, os brasileiros Felipe e Renan Lodi se tornaram contratações pontuais. Os dois jogadores se firmaram no time titular, e Simeone está conseguindo conciliar o que quer em campo para que o comportamento da equipe melhore a partir, também, de grandes atuações individuais.

Diego Simeone apostou em Felipe para substituir Diego Godín
Felipe é o grande diferencial da defesa colchonera na atual temporada.

A execução e o desempenho coletivo ainda deixa a desejar, principalmente no campeonato espanhol. Todavia, em certos momentos, chega a ser compreensível ao lembrarmos que a equipe passa por uma grande reformulação após perder tantas peças fundamentais para tal sucesso dentro das quatro linhas. Ainda que João Felix tenha chegado à equipe por um alto valor e com muito hype, tem apenas 20 anos e é um jogador a ser lapidado no momento. O jovem português tem ótimo potencial e muito a evoluir dentro do clube para se adaptar ao que Simeone quer.

Críticas e oportunismo

O patamar financeiro do clube obviamente mudou desde que Simeone chegou e com isso o investimento aumentou. Essa cobrança em relação aos gastos, principalmente em cima das contratações, é compreensível, porém com limites.

É exigido sempre que o time demonstre certa evolução em relação ao tático – uma maior solidez que vem sendo cobrada nas últimas temporadas – e também que mude a percepção em relação ao jogo com a posse. Críticas são válidas, mas se feitas da maneira correta. Não tem porquê ‘El Cholo’ mudar do nada e deixar de lado o que deu tudo que ele representa hoje. Mudanças devem ser feitas aos poucos e com paciência.

O imediatismo e o oportunismo na hora de reprovar as escolhas do treinador antes do apito final – como vimos bastante na semi da Supercopa da Espanha contra o Barcelona e no jogo de Anfield quando Firmino fez o gol que até então estava dando a classificação para o Liverpool – são a maior prova de que se deve analisar com paciência, não adianta tirar proveito ou acomodar-se a circunstâncias em detrimento dos princípios ou de normas.

Quando você enfrenta o melhor time do mundo até então, e por 90 minutos não o deixa chutar na sua meta, seu método e sua estratégia passam a ter um significado, mas que pelo estilo imposto no jogo – foco na defesa e jogo direto – acaba por ser um plano subestimado.

Liverpool não chutou ao gol de Oblak no primeiro jogo pelas oitavas da Champions mesmo com mais de 70% de posse de bola.

A temporada não tá sendo como muitos esperavam e claro que existe muitas coisas para se rever. O patamar do clube mudou na última década e a cobrança obviamente será maior. Mas é preciso reforçar a todo momento que Simeone é o ponto de partida de tudo para o Atleti na última década, e assimilar a importância e notoriedade disso é o mínimo para exigir qualquer coisa.

O lado passional e sua liderança, ao lado de um futebol intenso, direto e focado na defesa, fez com que a história do Atleti se tornasse vencedora novamente. Além de tática e estratégias, o que o treinador representa para os colchoneros é muito significativo. Pode ser que um dia, no futuro, Simeone escolha sair ou até seja demitido, o que acho difícil, mas sem dúvida alguma o ‘cholismo’ devolveu ao clube a glória, trouxe de volta a fé dos torcedores e seguramente o orgulhos de todos que vivem o Atlético de Madrid. Isso ninguém irá mudar.

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