ESSE ANO VAI? A BUSCA PELO RENASCIMENTO DOS GIGANTES DE MILÃO

Por Léo Parrela No início da década era comum contar com as duas equipes de Milão como tradicionais favoritos em todos os torneios que disputassem. Entre 2004 e 2011 o título nacional ficou entre as duas equipes e, além disso, também alcançaram glórias europeias, com títulos da Champions League nesse período de tempo. Desde então, Internazionale […]

Por Léo Parrela

No início da década era comum contar com as duas equipes de Milão como tradicionais favoritos em todos os torneios que disputassem. Entre 2004 e 2011 o título nacional ficou entre as duas equipes e, além disso, também alcançaram glórias europeias, com títulos da Champions League nesse período de tempo. Desde então, Internazionale e Milan vivem mais baixos que altos: trocas de presidentes, investimentos falhos e sucessivas derrotas nacionais e europeias.

É preciso ter cautela para fazer previsões, até porque o futebol não é uma ciência exata. Vários times já foram bons no papel e, em campo, não entregaram o que prometia. Diferente dos outros anos, no entanto, o plano de renascimento parece ter um início mais sólido. As peças em campo são mais fortes e o contexto parece estar um pouco mais estabilizado. A volta dos dois clubes de Milão aos holofotes das disputas parece estar mais próximo.

A METADE AZUL

A Inter parece um pouco mais sólida para o início da temporada. A vaga na Champions League dessa temporada – arrancada a fórceps, diga-se de passagem – com um quarto lugar no último campeonato fez com o que o time se tornasse um pouco mais atrativo. A principal palavra aqui é a manutenção. Luciano Spalleti, treinador experiente será o primeiro treinador desde Roberto Mancini (treinou a equipe entre 2014 e 2016) a terminar uma temporada e começar a seguinte no comando dos nerazzuri. A continuidade é um bom ponto para uma equipe que chegou a demonstrar bons desempenhos na primeira metade da temporada – ficou invicto por 16 rodadas (12 V/4 E) e figurou entre os líderes do campeonato.

Para essa temporada, mudou-se um pouco o perfil de investimento da equipe. Se antes os jogadores contratados eram apostas ou nomes com pouca afirmação (Kondogbia, João Mario, Gabriel Barbosa, Diego Laxalt), agora os nomes levantam pouco questionamentos. Não se duvida da qualidade de Stefan de Vrji, Lautaro Martinez, Sime Versaljko e Radja Nainggolan, por exemplo. O grande desafio de Spalletti é, em meio a cobranças pela volta da competitividade, encaixar uma maneira sólida de jogar.

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Durante a pré-temporada, o treinador italiano tem trabalhado com a equipe num o 4-2-3-1, deixando Lautaro Martínez como ’10’, pelo menos no papel, aproximando de Icardi. O jovem Yann Karamoh também tem chamado a atenção nessa pré-temporada, com gols e boas partidas.  A forte janela da Inter pode ainda ter uma adição estrondosa: Luka Modric. Considerado pela FIFA o melhor jogador da última Copa do Mundo, o croata está na mira nerazurri para a temporada 2018-19. Seria a confirmação que os interistas estão, pelo menos no papel, fortes para brigar com a Juventus pelo título nacional e para não fazer feio em campanhas europeias.

A primeira vista parece que Spalletti tem tudo o que um treinador deseja para o início da temporada: uma boa equipe de base – ficaram Handanovic, Miranda, Skriniar, Gagliardini, Brozovic, Perisic e Icardi, além da aquisição de jogadores que podem contribuir já de imediato, como os citados no parágrafo anterior. Buscando o equilíbrio, a Inter é uma equipe que pode fazer barulho nesta temporada e deve buscar a consolidação na Europa, com o objetivo de participar de novo da Champions League. Seria a primeira vez, desde o início da década.

O principal objetivo é tentar manter a boa forma durante todo o ano. Se na primeira metade da temporada a Inter foi relevante, o rendimento caiu na “segunda perna” da temporada e a equipe só se classificou para a Champions com uma vitória suada, por 3 a 2, na última rodada da Serie A. Agora Spalletti precisa entregar um time mais regular e tem muito material humano para isso.

A METADE VERMELHA

O panorama dos rossoneri é um pouco mais complicado do que dos co-irmãos. A equipe teve um novo presidente anunciado: o italiano Paolo Scaroni já que o chinês Li Yonghong não conseguiu manter os compromissos financeiros deixando de pagar uma parcela referente ao refinanciamento da dívida do clube com um fundo americano. Sem ter garantias de como controlar a dívida, a equipe foi punida pelo Fair Play financeiro e chegou a ter a vaga na Europa League suspensa. Após recorrer no Tribunal Arbitral do Esporte, a equipe sofrerá outra punição, que não seja a eliminação da competição europeia.

A questão fora do campo parece estar resolvida. O novo presidente trouxe nomes fortes na história do clube para cargos administrativos: Leonardo é o novo Diretor Esportivo do clube e Paolo Maldini está de volta ao clube, desta vez para trabalhar junto a Leonardo no cargo de Diretor de Estratégia Esportiva e Desenvolvimento. “Um sentimento de pertencimento é importante e vou tentar passar isso para os jogadores. Sinto a pressão do posto e a responsabilidade, mas é ótimo estar de volta ao clube. O time precisa de uma diretoria sólida e essa diretoria é assim, além de ter um bom plano a médio-longo prazo”, afirmou o ex-zagueiro, em coletiva de apresentação.

O fato é que, com esses nomes de peso fora de campo, a equipe busca organização. O brasileiro já trabalhou como executivo no próprio clube e também no Paris Saint-Germain e, com um novo grupo de investidores a frente da equipe, deve conseguir organizar a casa. Maldini, dispensa apresentações aos milanistas e deve também participará, junto aos diretores, nas tomadas de decisão para contratações, assuntos relacionados ao elenco principal e da base, além funcionar como “ponte” entre time e diretoria.

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A grande história dentro das quatro linhas da pré-temporada girou novamente em torno de Leonardo Bonucci. Se na última temporada foi a grande aquisição para a afirmação de um projeto vencedor – que não aconteceu, nesta ele encabeçou a lista de saídas do clube. No fim das contas, uma das maiores contratações da história do Milan, fracassou no clube e está de volta à Juventus. Porém, Leonardo conseguiu um ótimo retorno para a equipe de Milão: o jovem zagueiro Mattia Caldara e o experiente atacante Gonzalo Higuaín e espera-se que eles contribuam de imediato para a equipe.

Gennaro Gattuso terá a primeira temporada completa a frente da equipe. O ex-volante assumiu o comando da equipe em novembro do último ano e teve campanha modesta para os padrões de investimento da equipe no começo da temporada: conseguiu 16 vitórias, 10 empates e 8 derrotas. Dentre as derrotas, se destaca o 4-0 sofrido diante da Juve, na final da Coppa Italia. Gattuso deve continuar apostando no 4-3-3, formação que mais usou na última temporada com modificações importantes nas peças em campo: agora o Milan terá o experiente Ivan Strinic na lateral-esquerda, Mattia Caldara chegará para o lugar de Leonardo Bonucci e espera-se que Gonzalo Higuaín resolva os problemas na centroavancia da equipe já que é o único jogador que marcou pelo menos quinze gols nas últimas cinco temporadas no Campeonato Italiano. Junto disso o Milan ainda conta com Donnaruma, Kessié, Musacchio, Ricardo Rodríguez, Suso, Çalhanoglu além das boas surpresas da última temporada: as jovens revelações Locatelli e Cutrone.

O treinador rossoneri passará por uma temporada de afirmação, assim como todo o staff da equipe. Os investimentos, mais cautelosos do que em relação a última temporada, foram feitos e agora é a hora de mostrar o desempenho dentro de campo. O italiano não é unanimidade no banco para a imprensa, e ele tem a constante ameaça de ser substituído por Antonio Conte, livre no mercado desde que foi demitido do Chelsea.

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