Éverton Ribeiro: o príncipe da Gávea

Comandando a equipe não só com a braçadeira de capitão, o camisa 7 tem sido o líder técnico do Flamengo em 2019

Dois títulos brasileiros sendo protagonista é para poucos. Éverton Ribeiro conseguiu isso entre 2013 e 2014. Depois de dois vices da Copa do Brasil pelo Coritiba, sendo comandado pela pessoa que fez ele explodir, Marcelo Oliveira, chegou no Cruzeiro. E lá viveu sua melhor fase: dois títulos de Brasileiro, sendo melhor jogador do torneio e ganhando inúmeros prêmios individuais. Merecido, mas nem tudo foi sempre assim…

Everton Ribeiro fez parte do elenco rebaixado do Corinthians em 2007. Fez apenas um jogo na Série B em 2008, foi para o São Caetano e fez bom campeonato em 2009: 29 jogos, 4 gols e 10 assistências. Everton já vinha dando mostras do seu futebol com muita qualidade, se encontrou no meio-campo. Chegou a ser usado como lateral no Corinthians. Rodou no Mundo Árabe e chegou no Flamengo que fazia a sua primeira leva estrelada. No pacote veio Paolo Guerrero, Diego Ribas e Everton. O Flamengo, que tinha bons times, não venceu nada. Foi o time do maldito “cheirinho”, que foi vice do Brasileirão, Copa Sul-Americana e a torcida impaciente pegou bastante no pé. Em 2019, tudo mudou.

A zona de atuação do meia Everton Ribeiro em 2019 (Imagem: SofaScore)

Mesmo no conturbado primeiro semestre da equipe, Everton já dividia o protagonismo com Gabigol e Bruno Henrique. Abel Braga, erroneamente, não conseguia colocar o ótimo Giorgian De Arrascaeta na sua equipe. Mesmo oscilante, Everton liderava a equipe tecnicamente e foi um dos pilares de sustentação da equipe. Chegou Jorge Jesus e o nível subiu ainda mais. 

Everton, hoje, não é o ponta que Abel ou Marcelo Oliveira colocavam em campo. Hoje, é um meia mais central que está no auge da sua maturidade técnica, tática e física. 30 anos de idade e o encontro com Jorge Jesus pode ter sido o melhor da sua carreira. 

Nesse momento é o jogador mais desequilibrante do Flamengo que vai ser o campeão brasileiro com justiça e tenta colocar seu nome na história da Libertadores. É, no elenco, o jogador que mais tem “pré-assistências” que é a bola antes do passe pra gol; acerta 75% dos seus passes para o terço final. Por isso que disse: hoje ele é o jogador mais desequilibrante do Flamengo. Sem ele, o trio de ferro: Gabigol, De Arrascaeta e Bruno Henrique, não tem o mesmo rendimento. O “faixa” é o fiel da balança. Sozinho no meio? Jamais. Outro mérito de Jorge Jesus é o posicionamento de William Arão. Ele era mais área a área, hoje é o leão de chácara da equipe. Sabe a hora de marcar ou soltar a bola e isso ajudou demais Everton. Ribeiro joga mais adiantado, dando a dinâmica com conduções ou passes. Nas conduções lembra muito David Silva, até brinco com isso. Ele organiza o setor junto com Gerson, que é outro mérito de Jesus. 

Os números de Éverton Ribeiro em 2019*:

– 47 passes (81,2% de acerto)

– 2.55 passes longos (56% de acerto)

– 0.24 assistências

– 0.32 assistências esperadas

– 0.19 segundas assistências

– 6.33 passes para o terço final (75% de acerto)

– 4.94 passes para área (60% de acerto)

*Números da WyScout

Ribeiro vai para seu terceiro título de Brasileirão, pode alcançar a primeira Libertadores de sua carreira em que a Seleção Brasileira não faz falta. Sua Seleção são os clubes que lidera tecnicamente, com gols e assistências. Se o Flamengo vencer isso tudo, ele passará por todos os estágios em um clube vencedor: de bater na trave por títulos até encerrar uma temporada perfeita. Em três temporadas, saiu do inferno e pode tocar o céu. Terá seu nome escrito em coisas grandiosas e será alçado a Príncipe da Gávea. Por lá, Rei, só tem um, e ele se chama Arthur Antunes Coimbra.

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