Afinal, o que quer a Fiorentina com Cesare Prandelli?

Giuseppe Iachini já deixou a Fiorentina, e depois de grandes procuras, resolveu apostar na volta de Prandelli: mas o que pode dar certo?

A chegada de Rocco Commisso à presidência da Fiorentina em 2019 deu um sinal de esperança em meio a uma temporada 2018–19 que parecia promissora com a chegada as semifinais da Coppa Italia, mas que acabou com o time só escapando do perigo do rebaixamento por conta de um “jogo de comadres” com o Genoa, em que o empate salvava ambos da degola.

A Fiorentina dirigida por Vincenzo Montella já naquele momento não agradava, não conseguia resultados positivos, mas, por conta da nova presidência, acreditou-se que com reforços de veteranos como Ribéry e a manutenção de talentos como Chiesa o time poderia sair melhor.

De fato, depois de um início irregular, a Fiorentina emendou uma sequência de vitórias entre setembro e outubro em que foi destacada a maneira com que o time jogava, o crescimento dos jovens, tanto de Chiesa, quanto de Castrovilli, mas especialmente o talento de Ribéry, decisivo em partidas como a grande vitória sobre o Milan em San Siro.

Mas, desde que Ribéry se machucou em novembro, o time não venceu mais, e, após a goleada sofrida contra a Roma em dezembro, com a soma de maus resultados, Vincenzo Montella foi demitido. Naquele momento, entre a pausa de fim de ano, o momento da escolha pela demissão parecia correto.

O dono Rocco Commisso, o diretor-esportivo Daniele Pradè e toda a cúpula da Fiorentina optaram por Giuseppe Iachini, em uma ideia de postura mais conservadora, tendo em vista que naquele momento, a Viola estava apenas a 3 pontos na frente do 18º colocado e primeiro na zona de rebaixamento.

Com alguns bons resultados, a Fiorentina conseguiu fazer um campeonato sem grandes sustos, especialmente após a volta de lesão de Ribéry, mas os resultados não convenciam. E mesmo assim, Giuseppe Iachini foi mantido para a sequência da atual temporada.

A plataforma do treinador consistia em uma postura conservadora, especialmente voltada ao 3–5–2. Mas que parecia ao mesmo tempo limitada em vista as peças de qualidade técnica que a Fiorentina tem, e o desenvolvimento dos jovens jogadores do atual elenco.

Apesar de contar com uma série de criadores de qualidade, os toscanos não traduziram esse talento em oportunidades claras de gols com frequência quase suficiente. Os principais jogadores, Castrovilli e Ribery, ficavam longe do gol, assim como os alas, vitais neste tipo de esquema, o que piorou ainda mais com a ida de Chiesa para a Juventus, uma vez que Biraghi, jogando por ali, não consegue ter o mesmo talento. 

Porém, o estilo cauteloso de Iachini, até mesmo nas substituições, em que por exemplo, no empate sem gols diante do Parma que definiu sua demissão, até colocou Bonaventura em campo, mas tirando Castrovilli, pesou bastante para seu futuro no cargo. 

Ribery foi o destaque da equipe na última temporada

Os resultados da atual temporada não tem agradado, nem por eles mesmos, nem pelas atuações, o que explicava a demissão de Iachini ser assunto cada vez mais frequente, e o que fez a Fiorentina a princípio procurar por um técnico de peso no mercado.

A Fiorentina procurou em três nomes: Maurizio Sarri, ex-Napoli e com passagem pela rival Juventus, Luciano Spalletti, com passagem pelo rival local Empoli, mais as passagens por Udinese, Roma e Inter, e Massimiliano Allegri, multicampeão por Milan e Juventus, além da passagem pelo Cagliari. Todos, de experiências na parte de cima e de baixo da tabela, disseram não. 

Só os três tipos de procura se dão uma real noção da falta de ideias que pesam na Fiorentina. Três estilos de ideias diferentes, com algumas coisas em comum, mas que são poucas. E que dizem muito sobre a ambição do clube toscano, mas que ainda não se sabe como chegar lá. 

Depois da demissão iminente de Giuseppe Iachini, sendo o primeiro técnico demitido da atual temporada, e as recusas, se cogitou até mesmo o retorno de Vincenzo Montella, mas a Fiorentina resolveu apostar em Cesare Prandelli, que marcou época em sua passagem anterior. 

Na passagem anterior de Prandelli, entre 2005 e 2010, ele classificou diversas vezes o time para a Champions, e fazia o time ir longe nas competições nacionais e continentais, embora não tenha levantado troféus, que andam em falta em Florença desde a Coppa Italia de 2000–01, além de fazer jogadores como Mutu, Frey e Luca Toni renderem muito bem sob seu comando. 

A escolha pode não ser unanimidade muito por conta do que aconteceu com Prandelli desde sua saída da seleção italiana em 2014. As passagens no Galatasaray e no futebol árabe foram esquecidas, e o período no Genoa em 2018–19 foi suficiente para salvar os rossoblù da queda, mas não agradou tecnicamente.

Por conta disso, e pelos técnicos que se esperava, em vista que não era nem mesmo cogitado entre os nomes que se falava na Fiorentina, foi uma surpresa, embora tenha sido agradável para os torcedores da equipe de Florença. 

A volta de Prandelli tem sido bem aprovada pela torcida da Fiorentina, muito pela identificação do treinador com a Viola, e especialmente por ter sido em um passado em que o time toscano figurava nas primeiras posições da tabela e que chegara a disputar a Champions League, fazendo o tifoso viola sonhar.

Talvez o momento, entre os jogos e a parada para a data FIFA, em uma situação rara em que a Fiorentina deve ter todos os jogadores a disposição, sem poder viajar por conta do caso de Covid-19 de Callejón, Prandelli poderá trabalhar o seu estilo com a equipe.

Em texto publicado no site Firenzeviola.it, uma pista do que Prandelli pode fazer com a equipe:

É uma boa aposta que Cesare jogue com o 4–3–3 na fase de posse de bola. Formação essa que pode facilmente se tornar 4–2–3–1. Ribéry e Callejón vão jogar do lado de fora, em suas posições. No meio-campo, Pulgar como regista, Amrabat por dentro com Castrovilli e Bonaventura (ele também pode jogar pelo lado) como alternativa. Nas laterais, Lirola e Biraghi, na zaga, Milenkovic com Pezzella (quando ele retornar de lesão) ou Cáceres, esperando a inserção correta de Martínez Quarta, que acaba de chegar ao nosso campeonato. No ataque, não prevejo o Kouamè, para Prandelli (com razão) ele é um segundo atacante, mas também pode usá-lo como ponta-de-lança, como foi no Genoa. Enfim, o Prandelli também sabe mudar a forma durante as partidas e vai trabalhar nisso.

Apoio popular se sabe que Cesare Prandelli terá na Fiorentina. Mas será que o treinador conseguirá reeditar seu grande trabalho na carreira do futebol de clubes? Será que a Viola conseguirá um caminho certo para decolar o projeto de Commisso no clube da Toscana? É esperar pra ver. 

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Caio Bitencourt

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