Grêmio de 2001: a largada de Tite no cenário nacional

Utilizando o 3-5-2, o atual técnico da Seleção Brasileira foi campeão nacional pela primeira vez em 2001, com o Grêmio. Com diversos mecanismos defensivos e ofensivos, a equipe agregou jovens e experientes em uma sólida estratégia de jogo.

Demonstrando adaptabilidade e criatividade, Tite montou, em 2001, sua primeira grande equipe no primeiro nível do futebol brasileiro. Um ano depois de ser campeão gaúcho com o Caxias, o técnico gaúcho assumiu o Grêmio, que vinha de um decepcionante 2000 sob o comando de Celso Roth, e não só levou o estadual, como também conquistou a Copa do Brasil.

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Precisando encontrar (e adaptar) um substituto para Ronaldinho, que saíra conturbadamente para o PSG, além de mesclar vários jovens em meio às figuras mais experientes da equipe, Tite não tardou a encaixar o Tricolor. O início, no entanto, não foi tão próspero assim: o 4-4-2 proposto pelo técnico não rendia. Nos sete primeiros jogos, apesar de ter vencido quatro partidas, a equipe sofreu 14 gols.

Grêmio, no 3-5-2, que bateu o Corinthians na final da Copa do Brasil (Imagem: TacticalPad)

Buscando acertar a defesa, Tite passou a utilizar um 3-5-2, esquema que caracterizou a equipe durante toda a temporada. Anderson Polga, que atuava como volante no 4-4-2, passou a ser o jogador central na linha de três, e ajudou a consertar o setor. Ali, depois, atuaria o zagueiro Mauro Galvão, que, mesmo no final da carreira, seguia demonstrando qualidade ímpar. O encaixe foi evidente, e também ajudou o ataque. Além de maior liberdade de movimentação para os meias, os laterais, bastante ofensivos, tornaram-se alas, com um poder ainda maior de chegada.

Encaixes defensivos de Tite

O bom funcionamento do Grêmio, em seu novo esquema, partiu de reposicionamentos realizados pelo técnico. Além da presença de Polga na defesa, o lateral esquerdo Roger passou a atuar como o zagueiro pela esquerda. Com liberdade para carregar a bola e, por vezes, se lançar pelo lado, o atual treinador do Bahia virou um dos protagonistas do setor.

O encaixe na defesa foi tamanho que, mesmo com a mudança nos nomes, o rendimento seguia sendo o mesmo. O jogo de volta da final da Copa do Brasil de 2001, contra o Corinthians, vencido pelo Grêmio por 3 a 1, teve uma atuação sólida do trio formado por Marinho, Mauro Galvão e Roger, com Polga compondo o meio-campo no lugar de Eduardo Costa. O 3-5-2, que inspirou a Seleção Brasileira de 2002, tinha um ótimo encaixe com o 4-4-2 de Luxa, com losango no meio. Com trabalhos individuais, como de Polga em Marcelinho Carioca, e a sobra na defesa.

Linha de três era organizada defensivamente e apresentava, junto aos meio-campistas, recursos para a saída de bola

Mário Galvão tinha um posicionamento mais clássico de líbero, cobrindo as subidas dos zagueiros ao seu lado por conta dos encaixes na marcação. Quando atuava ali, Polga, até por sua vitalidade, saía mais da última linha, cobrindo os alas e combatendo no meio. Essa combatividade, inclusive, estava presente desde a saída de bola adversária: os atacantes pressionavam a dupla de defesa, e os alas permaneciam próximos da frente para encaixotar o adversário.

Pressão na saída de bola. Marcelinho e Luis Mário fechavam o passe no primeiro volante. Mário Galvão controlava a sobra em caso de bola longa

Solidez no meio e mobilidade no ataque

Tinga, antes mais próximo do ataque, foi colocado no meio de campo, ao lado de Eduardo Costa e Zinho. Complementares, os três reuniam mobilidade, associatividade e força na marcação, além de chegada na frente. O último, tetra com a Seleção em 1994, foi o artilheiro do Grêmio no ano, com 23 gols. Aos 34 anos, o meia reunia experiência e qualidade técnica para acelerar e coordenar os ataques gremistas.

Zinho sai do seu lado para participar ativamente da construção e da finalização da jogada

Formada pelo meia-ofensivo Marcelinho Paraíba e por Luis Mário, o Papa-Léguas, a dupla de frente era extremamente móvel. Caindo pelos lados o tempo todo, para tabelas e jogadas de velocidade, ambos participavam ativamente da criação de oportunidades. Cada um anotou 15 gols em 2001.

Devido à sua evidente qualidade técnica, Marcelinho aparecia no meio para trabalhar com Zinho em ataques com posse mais longa, mas também apresentava agressividade nos dribles e nas finalizações em contragolpes. Contratado do Olympique de Marseille e, posteriormente, vendido ao Hertha Berlim, o meia preencheu, em 2001, a lacuna de inventididade e soluções individuais deixada por Ronaldinho.

Os alas Ânderson Lima, na direita, e Rubens Cardoso, na esquerda, atacavam quase como pontas, aparecendo na última linha de ataque em quase todas jogadas ofensivas. Por isso, o Grêmio de 2001 teve um grande número de gols em jogadas que partiram dos lados, com cruzamentos dos dois.

Tite terminou o ano com dois títulos no bolso, carregados por um aproveitamento de 65%: em 76 jogos, foram 43 vitórias, 18 empates e 15 derrotas. Depois, a carreira do técnico teve altos e baixos, até a sua grande passagem pelo Corinthians e a consequente ida à Seleção Brasileira. Algumas nuances do trabalho no Grêmio têm sido vistas ao longo da carreira do gaúcho, como a linha de três na defesa e a forte presença dos laterais, ou alas, no ataque, provando que a força da equipe campeã da Copa do Brasil de 2001 reverbera até os dias atuais.

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