Por que o Grêmio contratou Thiago Santos e como Renato pode escalar o jogador

Na busca por um camisa 5, o Grêmio pagou US$1,5 milhão por Thiago Santos, ex-Palmeiras, e deve mudar um pouco sua forma de atuar dos últimos anos

Após duas temporadas com resultados aquém do esperado por técnico, dirigentes e torcida, o Grêmio notou uma deficiência em seu elenco: o primeiro volante. Na busca por nomes — e após tentativas frustradas com Rafael Carioca e Jailson —, o ex-jogador do Palmeiras, Thiago Santos, foi o escolhido e chega após o Tricolor desembolsar cerca de US$1,5 milhão por sua contratação.

O nome foi duramente criticado pela torcida e não deve ter uma aceitação tão rápida. A partir de observações, números do WyScout e o contexto do modelo do Grêmio, tentamos entender as motivações para a chegada do jogador no clube.

As características de Thiago Santos

O ex-jogador do Palmeiras e Dallas é um volante de marcação. Desde seu início, um atleta que fica postado em frente a defesa, faz a cobertura nas marcações e destrói os contra-ataques dos rivais. Não há como analisar (e cobrar) ele por questões ofensivas na criação, passe e outras situações. Como observamos no mapa abaixo, são poucos os momentos em que ele passa a linha do meio-campo.

Dentro de campo, se posiciona em frente a defesa com poucos momentos passando a linha de meio campo (Dados/Arte: WyScout)
A zona das recuperações de Thiago Santos na última temporada pelo Dallas (Arte/Dados: WyScout)

E, dentro dos números defensivos, ele acabou chamando atenção no Brasileirão de 2018, onde foi, entre os meio-campistas, o líder na média de rebatidas e divididas da competição — em que pese não ter sido titular durante toda campanha do título do Palmeiras.

Atualmente na MLS, seus números defensivos também estão acima da média do campeonato. Entre os positivos, Thiago Santos é o sétimo em recuperações por jogo (10.27), o sétimo em duelos defensivos (11.64) e o quinto em duelos aéreos (4.43 e 68% de aproveitamento). Por outro lado, era o jogador com mais cartões (9) e o quarto com mais faltas (48) do torneio em 2020.

A leitura da comissão técnica gremista é que apenas Victor Bobsin e Fernando Henrique, dois jogadores que subiram ao profissional recentemente, são jogadores para atuar em frente a defesa como um “primeiro volante”. Ou seja, partindo desse ponto, não devem ser titulares logo de cara, produzimos uma comparação com os principais postulantes a vaga entre a dupla de volantes no atual 4-2-3-1 de Renato Portaluppi, como observamos abaixo.

Na comparação com os atuais volantes do Grêmio, e é preciso ressaltar o contexto das equipes, Thiago Santos tem os melhores números defensivos (Dados: WyScout)

É notável que Thiago Santos tem números defensivos melhores que os concorrentes. Apesar disso, é preciso ressaltar que, no modelo do Grêmio, onde o time fica a maior parte do tempo com a bola, são menores os números de duelos. De qualquer forma, isso torna ainda mais importante o momento da recuperação de bola, tendo em vista que cada uma delas pode ser um contragolpe dos rivais.

O encaixe no Grêmio

Dificilmente o técnico Renato Portaluppi abre mão do 4-2-3-1. Em alguns momentos dessa temporada, por necessidade, acabou recorrendo ao 4-4-2, o que acaba não interferindo tanto no posicionamento de Thiago Santos.

O que precisamos colocar é que o Grêmio busca marcações por encaixe e perseguições médias/longas. Ou seja, em diversos momentos se faz valer da qualidade dos defensores para se impedir a progressão dos rivais. Neste caso, o primeiro homem pode variar na marcação ao meia-atacante ou volante de mais chegada do rival para existir uma sobra dos zagueiros. Na bola aérea, por exemplo, com os atuais volantes, os zagueiros são os responsáveis por ganhar a “primeira bola” — algo que pode mudar na presença de Thiago Santos.

Dentro de campo, além do 4-2-3-1 ao lado de um dos meio-campistas mais criativos, não descartaria a possibilidade de um 4-1-4-1/4-3-3 dependendo da movimentação ou nome que atuar como meia mais avançado. Em ambas, Thiago Santos seria o jogador mais recuado e sua presença no momento ofensivo seria “entregando a bola” para o companheiro e protegendo a defesa nos eventuais contra-ataques.

Em fase ofensiva, Renato Portaluppi poderia fazer algo que já observamos em alguns momentos: o volante com melhor saída de bola baixa entre os zagueiros para gerar superioridade e seu companheiro (neste caso Thiago Santos) serviria apenas para atrair a atenção dos marcadores.

Possibilidades, encaixes e o pedido de um volante mais marcador. O nome de Thiago Santos não agradou o torcedor no momento, mas ao que parece pode ser um pedido do treinador e, dentro de suas ideias, será este o encaixe dele.

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Gabriel Corrêa

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