Início animador do Brasileirão Sub-17

Com a largada na sexta-feira passada, o Campeonato Brasileiro Sub-17 já registrou 26 gols na primeira rodada. Esse é o certame dos jogadores nascidos em 2004, porém, há vários jogadores ainda mais jovens ganhando espaço no campeonato que mal começou.

O Brasileirão Sub-17 virou o grande chamariz do futebol de base em nosso país recentemente. Em 2021, até pela ausência da Copinha no calendário das competições juvenis, o apreço pelo certame deve ser ainda maior, especialmente se considerarmos o sucesso de Kayky Chagas, hoje no profissional do Fluminense, e que fora campeão da categoria na temporada passada.

Aliás, os finalistas da última edição começaram o Brasileirão com o pé direito. Novamente no Grupo B, Athletico Paranaense e Fluminense venceram sem sustos seus compromissos, ambos em casa, no sábado passado. O Furacão goleou o Santos por 4×0 no CAT do Caju enquanto o Flu venceu o Fortaleza por 3×1 nas Laranjeiras.

O Furacão teve Emersonn, extrema direito nascido em 2004, como grande destaque ao marcar três gols na partida (um de cabeça, outro em velocidade e um dentro da área). Além da capacidade goleadora, o ponta athleticano, que já chamava a atenção em momentos da temporada passada, ameaçou a remodelada defesa santista de todas as maneiras possíveis. Alto, rápido e explosivo, Emersonn é mais um ótimo valor da geração 04 que é tão falada no Brasil. Murilo, volante nascido em 2005, é outra grande promessa do Furacão. Com características defensivas, o médio se destaca pela facilidade nos desarmes e mobilidade na iniciação das jogadas.

O Tricolor das Laranjeiras, que passou o carro no Leão do Pici no primeiro tempo, viu sua grande estrela, Arthur, comandar as ações. O camisa 10, que participou da campanha do último título – e que já estreara entre os profissionais no Cariocão, marcou de pênalti o segundo gol e deu a assistência para o terceiro, de Gabriel Lyra. O canhotinho é o principal nome da geração nascida em 2005. Aliás, Lyra é outro prospecto bastante interessante da geração 2004, aliando qualidade técnica com faro de artilheiro.

Em uma rodada que não acontecera nenhum 0x0, o Grupo B chamou a atenção por também não ter tido nenhum empate. Na sexta-feira passada, no Parque São Jorge, o Corinthians venceu o Internacional por 2×1, com atuação destacada do lateral-direito Léo Mana e do meia Pedrinho, ambos nascidos em 2004. O segundo, que veste a camisa 10, fez o primeiro gol em linda finalização. Curiosamente, na equipe titular, há outro Pedrinho, porém, ainda mais novo que o maestro do Timão. Trata-se de Pedro Henrique Silva, nascido em 2006 (!!!), que atua como extrema. O adolescente de 14 anos é uma das maiores promessas de uma safra bastante promissora do futebol brasileiro.

Falando nos 06s, havia uma grande expectativa pela titularidade de Matheus Lima, do Santos, no confronto contra o Athletico Paranaense, mas o treinador Elder Campos optou por utilizá-lo apenas no segundo tempo, dando-o pouco mais de 30 minutos na partida. Matheusinho, como é conhecido na Baixada, é um meio-campista canhoto que possui uma qualidade técnica e criativa sobrenatural. Ao lado do rival corintiano, ele é um caso para se acompanhar de perto, que futuramente terão a companhia de Endrick, atacante da mesma geração, que rompe patamares no Palmeiras.

A força dos mandantes esteve presente no Grupo B, com a vitória do Sport por 1×0 contra a Chapecoense, no CT do Retrô, que, curiosamente, terminara com um ponto a mais que o rival pernambucano na primeira fase do campeonato em 2020. O único visitante vencedor do grupo foi o Atlético Mineiro, que bateu o Vasco da Gama por 2×1, em Nova Iguaçu.

Ao contrário do Grupo B, onde as forças estiveram bastante polarizadas, no Grupo A tivemos uma situação completamente diferente. Apenas Ceará, Grêmio e Flamengo venceram na rodada inicial, sendo o Vozão o único time mandante a conquistar os três pontos.

É importante ressaltar o bom momento pelo qual passa a base do alvinegro nordestino, que fora campeão do Brasileiro de Aspirantes, em 2020, e já emplacou dois jogadores nascidos em 2004 na equipe principal: João Victor (com assistência) e Antônio David (com gol), ambos com histórico na seleção sub-15 e 17. No Brasileirão, o Vozão venceu o Atlético Goianiense por 2×1, de virada, com gols de Kadu e Caio. Nem mesmo a presença do promissor Rafael Miyasaki foi o suficiente para ajudar o Dragão, que falhou defensivamente em demasia.

Em Pituaçu, o Grêmio venceu o Bahia por 1×0, mas sem gol da estrela Kauan Kelvin, um meia-atacante bastante técnico nascido em 2005, porém, num tirambaço de João Marcos de fora da área, sem chances para o goleiro Gabriel Gonçalves, que também serve a seleção brasileira e deve ser um dos destaques do Tricolor de Aço no desenrolar da competição.

Já em São Paulo, mais precisamente no Allianz Parque, o Flamengo venceu um duelo duríssimo contra o Palmeiras logo na estreia. Com atuação decisiva do goleiro Dyogo, sobrevivente da tragédia no Ninho do Urubu, em 2019, que fechou o gol no primeiro tempo e que pegou um pênalti de Luis Freitas (com passagens na seleção brasileira) no comecinho do segundo tempo, o Mengão venceu o rival paulista por 2×1.

Victor Hugo e Mateusão (contratado do América-MG) balançaram as redes para o Rubro Negro enquanto Jean Carlos fez o do Verdão num balaço de fora da área. Aliás, Jean Carlos, que empatara o jogo no finalzinho do primeiro tempo, foi expulso no começo da segunda etapa e abriu caminho para uma goleada flamenguista que acabou não se concretizando. Além de Dyogo, o capitão Matheus França, volante que consegue combinar força física e qualidade no passe, fez uma bela partida. Gabriel Vareta e Luis Freitas – mesmo com o pênalti desperdiçado – fizeram jus a expectativa pelo lado do Palmeiras.

Ainda no Grupo A, duas grandes bases do futebol brasileiro, América Mineiro e Botafogo, ficaram no empate em 1×1 no campo do Sesc Alterosas. O centroavante Gui fez para o Coelhão enquanto o ponta Gilwagner, que serviu a seleção brasileira de base junto com Matheus Nascimento, hoje nos profissionais, marcou para o Fogão. É bem provável que Gilwagner apareça na equipe principal após participar do Brasileirão Sub-17 por se tratar de um jogador incisivo, que busca o gol com frequência, além de contar com boa qualidade técnica, principalmente em finalizações de média-distância.

Contudo, a partida que abriu o Brasileirão Sub-17 de 2021, cuja expectativa era alta por conta da reformulação no Cruzeiro e pelo favoritismo do forte elenco do São Paulo, terminara empatada em 1×1 muito por culpa do péssimo estado do gramado da Arena do Calçado, em Nova Serrana.

Embora não tenha conseguido grandes resultados com a geração 04, o Cruzeiro contou com boa atuação do lateral-direito Ítalo. Vitor Roque, autor do gol da Raposa numa rara infelicidade do goleiro Leandro, herói do São Paulo na Copa do Brasil na temporada passada, chegou no clube celeste após transferência polêmica do rival América-MG. Ele, inclusive, é mais novo que Ítalo, pertencendo a geração nascida em 2005.

Já o São Paulo, que conquistara a Copa do Brasil e a Supercopa Sub-17 na temporada referente ao ano de 2020, modelou sua espinha dorsal com vários jogadores nascidos em 2004, mas que já possuíam experiência entre os nascidos em 2003. Apesar da falha, Leandro é um dos principais goleiros do campeonato, que ainda conta com a segurança do promissor zagueiro Ythallo, dos meias Rodriguinho e Matheus Amaral e do ponta Caio Matheus. É um dos elencos mais homogêneos e seguros dessa edição.

Inclusive, o gol de empate do Tricolor Paulista saiu em uma cobrança de falta milimetricamente calculada por Rodriguinho, nos acréscimos da partida. Com a camisa 18, o meia nascido em 2004 saiu do banco de reservas devido a um longo período fora de atividade por conta de uma lesão no joelho. Rodriguinho teve passagens por equipes sub-15 e sub-17 da seleção brasileira, sendo uma das promessas mais consistentes de Cotia esse tempo todo. Um meia clássico, de refino técnico e muita qualidade na distribuição de jogo, que enfrentou um momento complicado na carreira e que terá o Brasileirão como retomada na carreira.

Outro nome do São Paulo que suscita muito anseio é o do recifense Newertton, também conhecido como Palmares, que fora pinçado do Sport. Nascido em 2005, o ponta, que se criou no futebol de areia e no futsal, não estava presente na delegação que viajou à Nova Serrana, mas ele é candidato a rivalizar com Arthur, do Fluminense, pelo título de “rei da geração 05”. Ao contrário de Caio Matheus, que é um ponta de mais força, Newertton é um exímio driblador, de controle de bola estonteante e capaz de resolver os problemas da equipe em jogadas individuais.

Com estrelas em três gerações diferentes, o Campeonato Brasileiro Sub-17 deu a largada com jogos emocionantes e muitos gols. A tendência é que as partidas, que acontecem entre sexta e domingo, sigam com uma boa média goleadora e com pratas da casa cada vez mais jovens sendo lançadas.

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