As transições da Inter que as deixam na cara do gol (e do Scudetto)

A melhora na transição é o caminho para entender o crescimento nerazzurro na temporada e que fez a Inter disparar na liderança

Na série de “revisita” das colunas deste site ao longo da temporada, trazemos mais uma vez a coluna sobre os problemas defensivos da Inter de Conte, que era baseado na coluna de Daniele Manusia, de L’Ultimo Uomo. Naquele momento, em dezembro, os nerazzurri tinham diversos problemas defensivos, fatos que lhe custaram a vida na Champions League, e que lhe custaram alguns jogos na própria Serie A.

Agora, esta releitura é baseado em outra, de Alfredo Giacobbe, também de L’Ultimo Uomo, e que endosso como uma constatação, de como a defesa interista melhorou, e que virou a chave para o sucesso do próprio ataque da Inter na temporada. 

Vamos lembrar de onde a Inter partiu: no post que fizemos em dezembro, a Inter tinha problemas defensivos causados por muitos erros individuais apontados por Antonio Conte, muitas vezes causada pela movimentação errônea dos alas e alguns problemas na zaga. 

A conclusão tirada por Daniele Manusia e endossada nessa coluna, era que a Inter atacava de maneiras diferentes, e isso somado a um elenco com problemas físicos, poderia ressaltar em problemas. Some isso a um sistema mais fluido e posicional e tínhamos a resposta para os gols sofridos em empates em casa como diante do Parma. 

Mas como isso mudou? A resposta foi de acordo com a evolução da temporada. Além da questão física de ter, por conta de seus pecados na Champions League, uma temporada menos atribulada, houve uma grande mudança tática.

Conte desistiu de ter um meia de ligação no 3–4–1–2 e voltou ao 3–5–2 “puro”. Hoje, sua Inter joga com um meia ofensivo em que dependendo do adversário e onde joga, um entre Eriksen e Barella sobe para se colocar mais adiante, de acordo com as suas características: o dinamarquês é mais criativo na entrada da grande área, enquanto o italiano é mais direto ao entrar na área.

Mas, se existe uma prova de que o futebol dos dias atuais depende da mistura ideal entre o saber defender e o saber atacar, essa prova pode ser vista com o futebol apresentado pela Inter até aqui na Serie A. O time de Conte é a prova de que todo movimento feito no ataque pode interferir na defesa e vice-versa.

E uma das mudanças nesse aspecto é porque Conte desistiu um pouco da ideia de domínio territorial frente ao adversário, hoje a Inter tem mais dribles na própria metade de campo do que na metade adversária, e os nerazzurri não são mais aquele time em que ataca posicionalmente com muitos homens no campo do adversário. 

Mas como a Inter compensa essa redução nos ataques posicionais com muitos homens? A resposta pode estar na transição rápida de seus homens, com poucos toques na bola. Nos últimos tempos, os interistas tem optado por passes mais curtos estando com a bola, e sem a bola não são tão mais agressivos para recuperá-la nos pontos mais altos do campo. 

Um dos exemplos dessas transições, que força muito o jogo pelos lados, pode ser visto em estatísticas, como essa mostrada pelo grande perfil CalcioDatato, em que ele mostra quantos metros uma combinação de passes entre jogadores gerou ao longo do campeonato.

As combinações da Inter não chegam nem perto em números de algumas por aqui, seja a de Di Lorenzo e Politano pela direita no Napoli, ou a de Reina e Milinkovic-Savic na Lazio, que já abordamos nessa coluna. Mas são essenciais para o funcionamento do time.

Vejamos quatro das 5 principais combinações de passes e ganhos de campo através deles. De Hakimi pra Barella, de Hakimi pra Skriniar, de Skriniar pra Barella, e de Barella pra Lukaku. Quatro passes comuns em jogadas de transição ofensiva, e comuns nos contra-ataques interistas. 

Se na primeira parte da temporada para melhorar o ataque a Inter tinha problemas na solidez defensiva, desta vez, a solidez não fez com que os nerazzurri deixassem de ser eficientes no ataque. A equipe interista tem média de 62,11 xG, a terceira marca de expected goals no campeonato, atrás apenas de Juventus (67,02 xG) e Atalanta (64,38 xG).

A grande diferença é pela eficiência interista, com um jogo mais direto, que serve para sofrer menos gols e para atacar de forma diferente, de maneira mais vertical e aliada ao essencial, e pra ajudar, a boa fase de seus atletas na hora de marcar gols ajuda.

Especialmente da sua dupla de ataque, entre Lautaro Martínez e Romelu Lukaku, ambos que se aproveitaram muito bem desse sistema de transições ofensivas e que marcaram muitos gols a partir disso, especialmente no caso do atacante belga. 

Mas tudo isso também é reflexo das ações defensivas melhoradas, já que uma boa transição é facilitada pela boa defesa. É bem verdade que a Inter deixou de ser, por muito, e virou a quinta equipe que menos concede chutes na Serie A, o que poderia ser um problema para quem era a primeira no quesito. 

Mas, a posição dos chutes é a fundamental, e os interistas concedem chances de posições de campo não tão boas para os rivais. Como resultado, os adversários percebem com menos eficácia, agora convertendo apenas 5,9% das chances em gols. Nas primeiras 7 rodadas esse número era de 24%. 

Em resumo, sem a bola, o Inter tem recuado bem quando precisa porque tem jogadores à vontade para se defenderem posicionalmente na área. Partindo de trás, porém, também cria oportunidades de maior qualidade, pois possui além de seus meias e alas, possui atacantes aptos a carregar bem a bola, como é o caso de Lukaku. 

Com tudo isso, não é nenhuma coincidência que os nerazzurri tenham aberto mais de 10 pontos para Milan e Juventus, e tenham emendado 11 vitórias consecutivas, um recorde em se tratando de um segundo turno na história do campeonato de pontos corridos na Itália (desde 1929). 

Tudo isso por conta do equilíbrio encontrado entre um time muito eficiente no ataque, não a toa é o segundo melhor ataque da competição (69 gols, a Atalanta, melhor ataque tem 71 gols), e com uma eficiência que persiste na defesa, não por coincidência tem a melhor defesa da Serie A (27 gols sofridos, assim como a Juventus). 

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Caio Bitencourt

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