A caminho do Inter, como Taison pode encaixar no time de Ramírez

Aos 32 anos, o atacante mudou sua forma de jogar desde que desembarcou na Ucrânia e, a caminho do Inter, Taison pode ser uma peça importante para Miguel Ángel Ramírez

Após a chegada de Miguel Ángel Ramírez ao Internacional e com problemas financeiros a se resolver no curto prazo, um nome está cada vez mais próximo de retornar ao clube: Taison Barcellos Freda. O jogador prospectado do Progresso, clube de Pelotas, e que finalizou sua formação no Beira-Rio é uma das peças-chave nesta reformulação do modelo do Colorado.

Antes de falar sobre o possível encaixe de Taison no Inter, precisamos contextualizar quais as suas características atualmente e as ideias postas em práticas por Ramírez.

Um ponta que virou meia

Surgido em 2008, Taison iniciou nos profissionais como um ponta que buscava a vitória pessoal na velocidade, dribles curtos em cima do marcador e atacando o espaço nas costas da defesa para marcar seus gols — inclusive passou um período específico da formação trabalhando apenas a finalização, devido aos problemas que tinha em início de carreira. O jogador foi destaque, campeão da Libertadores da América 2010 e vendido ao Metalist, da Ucrânia. Depois de se destacar no clube, rumou ao Shakhtar Donetsk onde, sob o comando de Mircea Lucescu, evoluiu como atleta.

Desde 2013/14 no Shakhtar, Taison passou a agregar no seu jogo a criação. Ao se adaptar numa equipe dominante do campeonato nacional, precisou trabalhar nos espaços cada vez mais curtos e, ao se juntar aos meias por dentro e abrindo corredor aos laterais. Como podemos ver no mapa de calor abaixo — e que representa os jogos na Europa League 2020/21 —, um ponta que busca sempre a zona central do campo.

Como encaixar Taison nas ideias de Ramírez no Inter

A primeira situação que precisamos colocar em pauta: o espanhol é um adepto do ‘Jogo de Posição’. Em seus primeiros jogos comandando o Inter, Ramírez tem utilizado os pontas (Patrick, Marcos Guilherme, João Peglow e Caio Vidal) gerando amplitude, ou seja, ficando rentes a linha lateral. E, também, buscando a vitória pessoal contra os adversários para gerar jogo ao centroavante, enquanto os interiores/meio-campistas buscam ficar entre as linhas do rival.

Entretanto, também é necessário citar que, no Independiente Del Valle, o modelo era um pouco diferente. Enquanto os pontas buscavam a entrelinha e a proximidade ao 9, cabia aos laterais ficarem bem abertos como pontas. No fim, dentro deste modelo, o mais importante é que cada jogador ocupe uma faixa de campo em diferentes alturas e zonas. Mas e o Taison, onde se encaixaria?

Bem, partindo da ideia de que Taison se tornou um ponta com características de meia, o camisa 7 poderia iniciar os jogos bem aberto, mas quando o Inter estivesse postado no campo do adversário, buscar a entrelinha, enquanto Patrick ficaria mais aberto para buscar as jogadas em profundidade e no 1×1, como observamos nas imagens abaixo:

Taison iniciando a partida como extrema
Com o Inter postado no ataque, Taison buscaria o jogo por dentro, na entrelinha, e Patrick ficaria mais aberto

Ou seja, num primeiro momento, não veria uma disputa entre Patrick e Taison. A questão é que, o camisa 88 do Inter já concedeu entrevistas onde afirmou ter se tornado um ponta e, que Ramírez confirmou essa ideia dele permanecer nesta função de ataque. Desta forma, haveria, sim, uma briga de posição entre os dois — mesmo que com características diferentes.

A partir da chegada de Taison e os treinamentos sob o comando de Ramírez poderemos ter uma ideia melhor da utilização do espanhol, mas buscando contextualizar jogador e filosofia do técnico, tentamos buscar uma visão mais ampla do que poderia acontecer. E você, onde acredita que Taison será escalado no Inter?

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Gabriel Corrêa

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