Jean Pyerre, Thiago Neves e Pepê; e agora, Renato?

No banco de reservas, Jean Pyerre e os outros dois jogadores começam a surgir como possibilidade para sequência do time titular na temporada do Grêmio

O ano de 2020 começou com o Grêmio mudando sua forma de jogar – algo que falaremos mais para frente – a partir de um esquema com três meio-campistas após a entrada de Lucas Silva. Entretanto, três jogadores reservas são pedidos pela torcida e o próprio técnico Renato espera que dois deles recuperem a melhor forma física. Chegou o momento de Jean Pyerre, Thiago Neves e Pepê?

Uma pergunta que apenas Renato Portaluppi tem a resposta, mas nós buscaremos entender os prós e contras a partir da entrada de cada um deles. Como suas características podem agregar na ideia do treinador e quem poderia ser sacado do time?

A velocidade de Pepê

Aos 23 anos, Pepê vive o melhor momento de sua carreira. Foi vice-artilheiro do Grêmio em 2019, artilheiro da Seleção no Torneio Pré-Olímpico em 2020 e segue marcando seus gols na atual temporada.

Um excelente jogador para atacar os espaços – ou seja, receber os passes em profundidade -, Pepê ainda tem demonstrado dificuldades quando o Tricolor enfrenta defesas mais fechadas e próximas da própria meta. Os seus dribles sempre são em velocidade e, diferente de Éverton, não funcionam sempre contra esse tipo marcação. Como dito no parágrafo acima, a sua finalização tem sido um ponto forte. Quando tem oportunidade, sempre cria perigo a meta rival.

O seu concorrente é Alisson, um jogador que busca mais o jogo com toques por dentro. Um dos fatores para o camisa 23 seguir na equipe é sua contribuição no momento defensivo, o que permite que Éverton possa “descansar” um pouco mais do lado oposto. Além disso, é o homem das bolas paradas na equipe de Renato.

Os números de Pepê e Alisson

– Passes (média): 33 / 46

– Dribles (média): 6.49 com 52.3% de acerto / 6.23 com 67%

– Duelos defensivos (média): 2.95 / 4.33

– Recuperações de posse (média): 2.21 / 4.33

– Interceptações: 2.36 / 2.11

Números do WyScout

Qual o fator positivo na entrada de Pepê? A equipe perdeu agressividade no meio após a mudança do 4-2-3-1 para o 4-3-3. Sem meias com características de chegada à área adversária, o extrema seria uma peça para devolver essa características – como podemos observar no Grenal da Libertadores quando chegou perto de abrir o marcador passando por adversários a dribles.

Por outro lado, um possível retorno de Jean Pyerre – ou a entrada de Thiago Neves – para a equipe voltar a atuar no esquema campeão da Copa do Brasil 2016 e Libertadores 2017 exigiriam de Pepê algo que ainda precisa evoluir: seu momento defensivo que, hoje, ainda está abaixo de Alisson.

Um armador ou um meia-atacante?

Renato nunca escondeu a preferência por ter um armador na equipe e, sendo assim, deixou nas entrelinhas que a mudança para o 4-3-3 ocorreu a partir de uma necessidade com a lesão de Jean Pyerre e a falta de ritmo do meia Thiago Neves.

O garoto da base era titular até o problema muscular o afastar por cinco meses dos gramados. Um jogador que gosta de participar do jogo, JP tem como suas principais características os passes que quebram linhas, as inversões de jogo e suas finalizações de fora da área, como podemos acompanhar no vídeo abaixo:

Por gostar de recuar e estar sempre na zona onde está a bola, o modelo do Grêmio poderia variar do 4-2-3-1 para o 4-3-3 com a presença de Jean Pyerre. A equipe poderia ter uma fluidez melhor na circulação da posse e contar com um jogador capaz de deixar Éverton (ou os laterais) sempre em ótimas condições contra os marcadores.

Por outro lado, a chegada de Thiago Neves foi um pedido de Renato Portaluppi. Em mais de uma entrevista, o treinador citou que o ex-cruzeirense seria o jogador ideal para atuar na função de armador da equipe. A questão é: em algum momento ele foi de fato um armador?

Se lembrarmos do Fluminense de 2008, comandado pelo próprio Renato, atrás de Thiago Neves haviam nomes como Darío Conca, Cícero e Arouca, jogadores que participavam mais ativamente da criação das jogadas. O novo camisa 10 do Grêmio, apesar do número, é um atacante. Tem bom chute de média e longa distância, bola parada e pode ser uma arma para aproveitar os cruzamentos entrando na área. Como veremos nos números abaixo, não é um jogador que dá muitos passes ou participa tanto do jogo.

Os números de Thiago Neves e Jean Pyerre

– Passes (média): 36 / 57

– Chutes (média): 2.76 / 2.54

– Gols (média): 0.26 / 0.22

– Assistências (média): 0.15 / 0.18

– Lançamentos (média): 2.21 / 3.09

– Dribles (média): 3.16 / 3.2

Números do WyScout

Dando o próximo passo, a pergunta que fica é: quem sairia para a entrada de um dos meias: Lucas Silva, Matheus Henrique ou Maicon? O primeiro vem conquistando espaço por mostrar boa marcação, ótimos lançamentos e dando fôlego para os outros meias. Matheusinho é jogador com nível de Seleção, o melhor do três. Maicon é o símbolo do atual modelo vencedor do Tricolor, mas tem sofrido com questões físicas e não está suportando os 90 minutos.

Problemas? Não necessariamente. Olhando por outro lado, Renato ganha um elenco mais completo e com características que não tinha em 2019 para voltar a competir por títulos. E para você, qual seria o Grêmio ideal com todos os jogadores a disposição?

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Gabriel Corrêa

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