La Fábrica e a pouca utilização dos jovens com Zidane no Madrid

Apesar da política de contratação de jovens talentos, o Real Madrid, sob o comando de Zidane, tem tido problema no desenvolvimento de Vini Jr., Rodrygo, Mendy, Militão e Fede Valverde; além da liberação de jogadores como Theo Hernández, Ceballos, Hakimi e Reguillón.

Nos últimos anos, o Real Madrid vem visando e trazendo jovens estrelas do futebol internacional para dentro do clube. O objetivo principal sempre foi desenvolver e transformar essas jovens estrelas em grandes talentos conforme os anos passam. Entretanto, esse planejamento não vem sendo desempenhado da maneira esperada e hoje vamos entender alguns pontos do porquê disso.

Todos sabemos da grandeza do Real Madrid e o impacto que o clube tem no futebol em geral. Com base nisso, o clube sempre foi extremamente atrativo para as grandes estrelas, mesmo que já inseridas na elite do futebol mundial. A ilusão de ganhar um título vestindo a camisa do Madrid é parte do desejo de muitos jogadores, mas nem sempre isso acontece.

La Fábrica

Por mais que seja conhecido por contratar jogador já formados e estrelas conhecidas, pelo menos desde os galácticos, o clube é também um grande fornecedor de talento desde as categorias de base. Mais recentemente, jogadores como Raúl, Guti, Casillas, Arbeloa, Casemiro e Carvajal são formados dentro do clube e altamente relevantes na história do mesmo. Outros como Lucas Vázquez, Nacho e Álvaro Morata tiveram seus momentos e conseguiram se destacar.

Entretanto, algo visto com menos frequência nas últimas temporadas, foi a utilização de mais canteranos sendo importantes e bem utilizados no time profissional. Desde o início da década passada, tivemos algumas boas histórias de jogadores saindo da La Fábrica e sendo importantes em outras equipes, mas no Real Madrid são tratados como insuficientes.

Marcos Llorente é o melhor exemplo dessa situação. Agora no rival Atletico, o volante espanhol desempenha função fundamental com Simeone e se tornou um dos melhores jogadores do elenco. Pouco aproveitado pelo Real Madrid no tempo em que esteve por lá, conseguiu crescer e demonstrar todo seu poder em outro lugar.

Tricampeonato e pós-Zidane

Desde a primeira passagem de Zidane, já existia o famoso projeto visando a adição de jovens no elenco. Na última década, Florentino sempre demostrou ter em mente esse objetivo de formar grandes estrelas dentro do clube, mas sem ter que precisar abdicar do curto prazo.

Kovacic chegou ao clube em 2015 com apenas 21 anos, com o objetivo de desenvolver e se transformar no substituto ideal de Luka Modric no futuro próximo. Por outro lado, o croata foi crescendo de rendimento com facilidade e sentia que precisava de mais minutos do que era oferecido naquele momento, já que Luka não demonstrava uma queda de rendimento tão grande como poderiam esperar.

Alguns anos depois, vimos o clube já preparar a reposição de Marcelo ao buscar Theo Hernández no Atleti e, em uma ideia parecida quando Kovacic foi contratado, Dani Ceballos no Real Betis. Do Real Madrid Castilla, Achraf Hakimi ganhou a primeira oportunidade sem empréstimo e seria o reserva imediato de Carvajal.

Apesar das boas movimentações no mercado, Zidane pouco utilizava os jovens laterais e ainda menos Ceballos. A temporada 2017/18 foi marcada por altos e baixos, mas com um título europeu. E por fim, o francês reconheceu a queda de rendimento do comando técnico sobre os jogadores, ou seja, cada vez mais indícios de como uma renovação no elenco era necessária.

A saída do treinador sobrecarregou ainda mais os medalhões que ali ainda estavam. A queda de rendimento era nítida. Lopetegui não teve tempo suficiente para casar suas ideias com os jogadores, e a partir desse momento, os problemas em conciliar uma renovação de elenco e resultados a curto prazo começam.

Uma reformulação sempre foi discutida após tantos anos de glória. Os medalhões iriam perder ritmo de jogo e em campo o time iria precisar cada vez mais de energia. Solari chega como Zidane chegou em 2016, treinador do Castilla buscando reconstruir um elenco depois de mudanças sem resultados do treinador substituto – no caso atual Lopetegui, mas em 2016, Rafa Benítez – e aí entram Vini Jr, Regui e Fede Valverde.

Os três jogadores tiveram enorme contribuição no time de Solari e conseguiram ser protagonistas ao lado de Benzema durante uma temporada bem complicada. O brasileiro chegou tomando conta da posição e conseguia ser determinante no desempenho de seus companheiros, ainda que os mesmos não conseguissem praticar o melhor futebol no melhor nível.

Fede foi a alma do time por muito tempo, e com pouco ainda vem sendo. Sua evolução desde que voltou de empréstimo foi importante para manter a energia dentro de campo, e muitas vezes foi fundamental para resultados importantes na temporada 2019/20 com Zidane. Entretanto, o uruguaio vinha sendo bem trabalhado com Solari, e o que exerce hoje partiu daquela época. Bem em todas as posições e funções no meio-campo, foi fundamental nas ausências e queda de rendimento dos que jogavam por ali.

Vini Jr e Regui mostraram nível esperado com Solari.

Segunda passagem de Zizou e contexto atual

Vini Jr, Mendy, Brahim, Rodrygo, Odegaard, Odriozola, Militão, Jovic. Esses são alguns nomes que reforçaram o Real Madrid desde 2018. Jogadores para diversas posições e funções dentro de um time titular e até saindo do banco, mas nenhum deles bem aproveitado desde o retorno de Zidane. “Mas o Mendy é titular”, sim, mas não é bem aproveitado. Ser utilizado não é a mesma coisa de ser bem aproveitado e podemos dizer que Zizou conseguiu evoluir pouca coisa do que esses jogadores podem oferecer dentro de campo com o Real Madrid, ainda mais visando as disfunções táticas.

Entre aqueles que conseguem minutos e aqueles que não conseguem, a semelhança de não serem compreendidos pelo técnico é assustadora quando vemos os mesmos em campo. E por mais que tudo isso possa ser refutado com bons momentos dos medalhões, a situação atual do Madrid não justifica. Resultados vieram durante a liga 2019/20, mas o desempenho nunca foi nivelado por isso.

Em um novo contexto obviamente a adaptação demanda certo tempo e pode demorar, mas quando isso acontece com a grande maioria das novas contratações algo está errado. Até Mendy, que desempenhava um papel ofensivo excelente no Lyon, vem sendo subutilizado dentro do time titular. Entre lesões e minutagem abaixo do ideal, temos a dificuldade do técnico em inserir novos jogadores dentro de um time titular que permanece fixo desde sua primeira passagem.

A dificuldade de Zidane em abrir mão dos seus “melhores” jogadores vem afetando cada vez mais o desempenho do Madrid em campo. Ainda que esses “melhores” jogadores influenciem no que se diz respeito a nível técnico individual, o coletivo não chega nem perto do que precisa ser para maior regularidade. Dessa forma, o time ainda desempenha abaixo do ideal, mesmo com os favoritos do treinador em campo.

Atualmente, é fácil perceber como o projeto da diretoria com esses jogadores não se tornou compatível com os desejos do técnico, por mais que ele soubesse das opções colocadas na mesa quando Florentino o chamou de novo. Pensando no futuro, o clube consegue abrir mão de Brahim, Jovic, Ceballos, Regui e até mesmo Odegaard mais recentemente, para agradar aos desejos do treinador que não conta com os mesmos.

Por outro lado, é notável como o lado da diretoria lida com esses jogadores durante negociações. Na grande maioria das vezes oferecem um empréstimo sem opção de compra, e vendas com recursos que dão prioridade ao clube em uma possível recompra no futuro – como é o caso de Regui no Tottenham.

Voltando ao curto prazo, podemos perceber como os desejos do clube se chocam. A necessidade de ganhar sempre é algo pertinente e independente do longo prazo, o clube precisa vencer no hoje. Esse propósito acaba caindo sobre o treinador, que precisa de resultados e com isso deixa o desenvolvimento desses jogadores mais jovens como segundo plano.

Quando os resultados não chegam, a situação aperta, o treinador balança e a escolha por medalhões é cada vez mais corriqueira. Na atual temporada conseguimos enxergar isso com mais facilidade, pois os resultados não chegam como na anterior, e a insistência de Zidane durante a atual situação começa a ser questionada pela grande maioria.

Com os emprestados se saindo bem nos seus respectivos clubes, a duvida sobre como o Madrid vem lidando com tudo isso é ainda mais contestada. A reformulação vem sendo cantanda a, pelo menos, quatro anos, e o comandante disso não será Zidane, nunca foi ele.

É fato que o contrato do francês termina apenas em 2022, mas todos esses problemas sendo expostos indicam para que Florentino entenda de vez a atual situação do elenco, dos jovens e também daqueles que não têm mais nível para atuar com relevância dentro de um time que clama por mudanças.

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Bruna Mendes

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