Lucas Mugni: o fiel da balança para o Bahia recuperar a competitividade

Nos jogos que disputou, o argentino demonstrou a capacidade de solucionar problemas estruturais e trazer maior equilíbrio ao tricolor

A temporada 2021 do Bahia tem se caracterizado por ser de altos e baixos. O time comandado por Dado Cavalcanti conquistou a tão sonhada Copa do Nordeste e voltou a ser hegemônico na região. Mas a soberania durou pouco. O time que já sofria com os erros na reposição das vendas de Flávio e Gregore, assistiu imóvel a saída de Thaciano para o Altay Kulubu, da Turquia. O início promissor e de destaque no Brasileiro deu lugar ao ostracismo. Mas a chegada de Lucas Mugni, reacende o sentimento de que o Bahia pode voltar a ser competitivo e resgatar o protagonismo já demonstrado. Dado foi demitido e agora a expectativa é pelo aproveitamento de Mugni com o novo comandante: Diego Dabove.

O meia argentino formado nas categorias de base do Colón, da argentina, se transferiu ainda jovem para o Flamengo. Não conseguiu corresponder as expectativas de ser o grande protagonista do time e sucumbiu. Em 2019, mais experiente, se destacou jogando pelo Oriente Petrolero. No clube boliviano, jogando como meia-esquerda, obteve os números mais expressivos da carreira ao marcar 10 gols em 46 jogos. O que lhe rendeu a possibilidade de voltar ao mercado brasileiro. O destino foi o Sport. No clube pernambucano não repetiu o bom desempenho com as redes, porém se tornou um dos pilares da equipe na luta contra o rebaixamento.

De volta ao Brasil, desta vez, para vestir a camisa do Bahia. Apresentou características e a reprodução de comportamentos que podem trazer equilíbrio, repertório, fluidez e competitividade a equipe.

Lucas Mugni recuando até a linha dos volantes para auxiliar na saída de bola, utilizando o “toco y me voy”
Edição: KlipDraw

A expressão “toco y me voy” ganhou bastante repercussão na voz de Galvão Bueno, nos duelos que envolveram Brasil e Argentina, pelas eliminatórias da Copa do Mundo. A tradução literal nada mais é que: eu jogo e vou. Um conceito simples de ter a bola, realizar o passe e se deslocar para receber novamente, que faz o Bahia quebrar pressão dos rivais e ganhar metros importantes no campo adversário.

Por isso, não é incomum ver Lucas Mugni recuando até a linha dos volantes para auxiliar na saída de bola. E com um ou dois toques na bola seguido de um deslocamento para o espaço vazio previamente identificado, fazer o Bahia “andar” para frente e trazer a sensação de um jogo fluído e compacto.

Lucas Mugni chegando na área
Edição: KlipDraw

A chegada na área é outra virtude de Lucas Mugni. O argentino que atua pelo lado esquerdo e pode jogar como meia-esquerda ou terceiro-volante, mesmo posicionado mais atrás em relação aos principais jogadores de ataque, tem por hábito entrar na grande área com frequência para finalizar as jogadas. Comparado aos demais concorrentes do setor no elenco, Mugni, é o jogador que melhor interpreta os comportamentos de recuar para buscar o jogo e auxiliar na saída de bola e, também, o de chegar na área para finalizar.

As chegadas na área ocorrem quando está posicionado no lado oposto da construção ofensiva. E pode ser pelo corredor central, para aproveitar o espaço deixado pelos volantes adversários ou, no espaço entre o zagueiro e o lateral adversário para aproveitar-se da dúvida entre os defensores.

Comportamentos de Lucas Mugni ao atacar a profundidade
Edição: KlipDraw

Os ataques ao espaço é outro ponto forte de Lucas Mugni. O meio-campista apresenta boa leitura de jogo para saber o momento correto de se deslocar em direção à profundidade (fundo do campo) pelo corredor externo ou interno. Os pormenores que definem se Mugni vai atacar o espaço da profundidade por dentro ou por fora, estão intimamente ligados aos espaços ocupados pelos próprios companheiros e os adversários.

No vídeo acima, por exemplo, nota-se que há uma troca de posição frequente entre Mugni e o lateral-esquerdo. Ou seja, se o lateral está posicionado em amplitude (aberto), o meia procura os corredores internos. E vice-versa. O adversário também exerce influência na tomada de decisão. Lucas Mugni mapeia se o espaço criado está entre os zagueiros ou entre zagueiro e lateral para infiltrar e receber o passe.

Comportamentos de Lucas Mugni ao defender
Edição: KlipDraw

Além da importância na construção e conclusão das jogadas ofensivas, Lucas Mugni, com apenas três jogos, tem exercido papel de destaque dentro da organização defensiva do Bahia. Com boa pressão no homem da bola e velocidade de recomposição para recuperar o espaço às próprias costas, foi importante para atenuar dois problemas comuns na equipe treinada por Dado Cavalcanti: falta de pressão na bola e baixa velocidade de recomposição.

Nos jogos que disputou, o camisa 19, demonstrou boa mudança de comportamento. Isto é, sair de uma postura, em tese, passiva para se tornar ativa na jogada. Essa mudança rápida de comportamento juntamente com a característica emocional de persistência são cruciais para manter o homem da bola pressionado e não conceder tempo e espaço para o oponente tomar a melhor decisão.

Outro momento que a mudança de comportamento destacou-se, foi nas ações que têm a necessidade de recompor atrás da linha da bola para impedir a progressão do adversário. E Lucas Mugni demonstrou boa aceleração e leitura de jogo para ocupar os espaços mais importantes e desacelerar o ataque da equipe adversária.

Longe de ser uma contratação badala, Lucas Mugni mostra que pode ser uma peça-chave para uma engrenagem que precisa funcionar de forma Corsa para que haja uma retomada da competitividade do Bahia dentro do Brasileiro.

Compartilhe

Comente!

Tem algo a dizer?

Últimas Postagens

O caminho da Seleção, as mudanças de Tite e um norte para o Catar
Aurelio Solano

O caminho da Seleção, as mudanças de Tite e um norte para o Catar

0 Comentários
Cinco promessas africanas na base de clubes europeus
Caio Nascimento

Cinco promessas africanas na base de clubes europeus

0 Comentários
Pellegrini: a história dos romanos na Roma continua
Caio Bitencourt

Pellegrini: a história dos romanos na Roma continua

0 Comentários
A afirmação da Espanha e sua nova geração
Bruna Mendes

A afirmação da Espanha e sua nova geração

0 Comentários
Guto Ferreira coloca o Bahia para acelerar
Gabriel de Assis

Guto Ferreira coloca o Bahia para acelerar

0 Comentários
RAIO-X: De onde saem as assistências dos líderes do quesito na Série B
Douglas Batista

RAIO-X: De onde saem as assistências dos líderes do quesito na Série B

0 Comentários
Os destaques dos 8 classificados no Brasileirão Sub-20
Caio Nascimento

Os destaques dos 8 classificados no Brasileirão Sub-20

0 Comentários
A reinvenção de Brahim Diaz no meio-campo do Milan
Caio Bitencourt

A reinvenção de Brahim Diaz no meio-campo do Milan

0 Comentários
Maduro, o Red Bull Bragantino se aproxima de fazer história
Gabriel de Assis

Maduro, o Red Bull Bragantino se aproxima de fazer história

0 Comentários
Friendly #7 | O novo rico Newcastle, Sports Washing e a ‘era’ de clube-estado
Eduardo Dias

Friendly #7 | O novo rico Newcastle, Sports Washing e a 'era' de clube-estado

0 Comentários
Napoli: O impacto inicial de Anguissa com a camisa partenopei
Caio Bitencourt

Napoli: O impacto inicial de Anguissa com a camisa partenopei

0 Comentários
O Grande Norte e os grandes desafios: o que o futuro reserva para o futebol masculino do Canadá?
Caio Nascimento

O Grande Norte e os grandes desafios: o que o futuro reserva para o futebol masculino do Canadá?

0 Comentários
O agressivo América/MG de Vagner Mancini
Gabriel de Assis

O agressivo América/MG de Vagner Mancini

0 Comentários
O Botafogo/PB em busca de um acesso histórico na Paraíba
Douglas Batista

O Botafogo/PB em busca de um acesso histórico na Paraíba

0 Comentários
A disparidade entre Atlético de Madrid e Barcelona
Bruna Mendes

A disparidade entre Atlético de Madrid e Barcelona

0 Comentários