Marinho: o que torna o ponta do Santos cada vez melhor

Aparecendo entre os líderes do Campeonato Brasileiro em gols e assistências, Marinho está em ascensão e traduz sua maturidade em campo

De papel notório no Santos de Sampaoli, Marinho parecia ter encontrado a sua maneira de ser protagonista no futebol brasileiro. Desequilibrando ao receber na ponta, o jogador somou 12 participações em gols no Brasileirão de 2019 — seus melhores números desde quando foi destaque no Vitória, em 2016. Na temporada atual, porém, o atacante deu um passo à frente.

Vice-artilheiro e líder em assistências do campeonato nacional de 2020, Marinho é o melhor jogador do Santos. O crescimento de produção da equipe treinada por Cuca tem ele como o protagonista, e há um dado que comprova isso: o camisa 11 participou diretamente de nada menos que 73% dos gols marcados pelo time no Brasileirão.

O que fez o jogador, aos 30 anos de idade, ir de respeitável a protagonista?

Marinho nunca teve medo de partir para a jogada individual. Por conta de sua estatura (1,69m), atuou desde sempre na ponta, conseguindo boas atuações com a perna invertida. Partindo da direita, ele pode usar sua velocidade para ir ao fundo, mas tem o corte para o meio e o arremate com a esquerda como a característica mais valiosa.

Tentando resolver sozinho, é natural que o jogador some perdas de posse, e as do camisa 11 sempre estiveram nos dois dígitos por jogo. Desde 2016, porém, a tendência é de uma diminuição desse número, bem como de uma queda nos dribles tentados. Se ele teve cerceada a sua liberdade de partir para cima? É bem provável que não. O que pode se deduzir é que está mais seletivo em suas decisões, não confiando apenas na finta para decidir jogadas.

O próprio jogador confirma a tese, explicando, inclusive, a importância de Jorge Sampaoli nesse processo de melhora. “Ele me ensinou a jogar futebol, me ensinou a me posicionar. Eu só corria, queria jogar o tempo todo com a bola no pé e driblar todo mundo. Aprendi a jogar mais com meus companheiros”, disse Marinho no Bem, Amigos!, do SporTV, no dia 29 de setembro. Ele também destacou o papel de Cuca, que lhe deu muita confiança, e de Jesualdo Ferreira, apesar de tem trabalhado por pouco tempo.

É lisonjeável que um jogador com mais de dez anos de carreira tenha vontade de aprender e, também, humildade para reconhecer que é possível mudar suas convicções. Tendo papéis diversos, atuando por dentro e por fora, apertando lá em cima ou voltando para marcar o lateral rival, o jogador aperfeiçoou seu jogo e, em 2020, demonstrou-se mais completo e capaz de, com tranquilidade, ser protagonista em um grande time do país.

A evolução, claro, foi nos âmbitos tático e mental — mas também foi na parte técnica. Jogando predominantemente no mesmo lado direito que tanto habitou nos últimos anos, Marinho entrega diferentes detalhes à equipe: seja em jogadas de 1×1 ou com tabelas por dentro, ele sempre encontra as proximidades da área. E, lá, tem encontrado o gol.

Não à toa, é o jogador do Campeonato Brasileiro que mais superou o seu valor de gols esperados (xG), e de maneira bastante isolada. São finalizações precisas, e de lugares e contextos em que, na média, os gols saem com mais raridade. Isso também porque aproveitou seu bom arremate para assumir as cobranças de falta nas redondezas da área, outra demonstração de sua ascensão.

O olho, entretanto, não é só para o gol. Na Série A, são quatro assistências. Todas elas em bolas colocadas na área, três em jogadas de linha de fundo e uma em cobrança de falta. O repertório variado aparece em todas as competições, e faz com que Marinho tenha, até o momento, sua melhor média de passes para gol nos últimos anos.

Marinho demonstra a maturidade que os seus 30 anos indicam dentro e fora de campo. O melhor ano de sua carreira ainda não terminou, e não é loucura imaginar que ele ainda não alcançou o seu teto. O jogador está no radar de Tite para a Seleção Brasileira, e essa seria apenas uma das tantas conquistas que demonstra ter potencial para atingir.

Acima de tudo, Marinho serve de exemplo. No futebol, nunca é tarde para aprender, e a absorção de diferentes conhecimentos pode elevar patamares de maneira, antes, inesperada. A evolução do jogador é para ser seguida de perto, já que é uma das grandes atrações deste Campeonato Brasileiro.

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Henrique Letti

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