MESSI COMO PONTO DE PARTIDA

Por @_GabrielCorrea Ernesto Valverde chegou ao Barcelona com desconfiança, mesmo após seu recente trabalho no Athletic Bilbao. Muito se deve às características dos bascos de jogo longo e altamente dependente de Aduriz e Raúl García. Na Catalunha as coisas são diferentes por um nome: Lionel Messi. Desde a primeira temporada de Guardiola o argentino é […]

Por @_GabrielCorrea

Ernesto Valverde chegou ao Barcelona com desconfiança, mesmo após seu recente trabalho no Athletic Bilbao. Muito se deve às características dos bascos de jogo longo e altamente dependente de Aduriz e Raúl García. Na Catalunha as coisas são diferentes por um nome: Lionel Messi. Desde a primeira temporada de Guardiola o argentino é o centro e ponto de partida do clube – e Valverde entendeu isso em sua chegada.

“Com Leo Messi, a sensação que a gente tem é que sempre algo bom vai acontecer”

São apenas alguns jogos nesta temporada, mas é possível observar pontos importantes nas ideias de jogo do Txingurri (apelido do treinador, que em basco significa “formiga”), e a principal mudança dentre todas está em Messi voltando a atuar por dentro, como um falso 9. Não mais recuando exaustivos metros para armar as jogadas. O camisa 10 tem que estar próximo das zonas de definição, por ser um goleador e um grande assistente. Afinal, quando se tem Leo Messi, se tem tudo.

‘La Pulga’ na versão falso 9

Não há nada de novo nesta função para Leo Messi. Individualmente viveu o auge de sua carreira por ali e, no quesito conquistas, ergueu duas Champions como falso 9 de Guardiola. Ali, Messi pode ser o início, meio e fim de todas as ações do Barcelona no jogo de posição.

“Leo determina muitas coisas em qualquer posição que ocupe, mais adiantado ou recuado. Nossa ideia é que ele esteja em zonas cômodas para que nos clareie o jogo. Porém, também possa chegar a planejar”

Na atual temporada, são quatro jogos, sete gols marcados além de quatro bolas na trave. A ideia é que Messi não precise recuar tanto para armar o jogo e isso seja apenas em uma eventual necessidade. Quanto mais próximo do gol, mais chances de decidir uma partida ele terá.

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Rakitic terá a bola

O lado direito do Barcelona sempre foi uma arma contra os rivais desde Rafa Marques, Daniel Alves, Xavi e Messi. Os três primeiros carregavam a bola para Messi poder decidir partindo da ponta direita para dentro, com duas opções: o chute após o drible ou a inversão para o ponta esquerda. Com a saída de cada um deles e a mudança de Leo para o centro, as coisas começaram a ficar diferentes.

Com dificuldades para receber a bola próximo ao gol adversário após as saídas de Xavi e Daniel Alves, Messi começou a recuar na linha dos volantes. O movimento passou a prejudicar Raktic, que, sem um lateral-direito de ofício capaz de atacar o espaço, teve de se deslocar à ponta direita, tal qual um cumpridor de espaço. Além disso, o croata ficou distante de seus principais companheiros: Sergio Busquets e Iniesta.

Média de passes de Rakitic no Campeonato Espanhol

La Liga 17/18: 88

La Liga 16/17: 48

La Liga 15/16: 49

La Liga 14/15: 54

As mudanças Messi para o centro do ataque, a chegada de lateral direito de ofício (Semedo) e um extremo pelo mesmo lado (Dembélé ou Deulofeu) devolveram Rakitic ao centro do campo, onde foi notável sua evolução como construtor de jogadas (dados do WhoScored). A diferença é brutal como vemos no gráfico do 11tegen11 .

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Um “novo” Suárez

Todos imaginavam que Dembélé  seria o substituto natural de Neymar na ponta esquerda do Barcelona. Ambidestro, não seria um problema para Dembouz atuar na lacuna deixada pelo brasileiro, mesmo que viesse atuando como extrema direito no Dortmund de Tomas Tuchel.

No Barcelona de Guardiola, três foram os casos de centroavantes que passaram a atuar pelo lado para que Leo pudesse brilhar: Eto’o, Henry e David Villa. Para que Messi possa ser o centro deste Barcelona, Suárez terá que atuar como um atacante pela esquerda, mas o que isso implica?

Suárez é um centroavante puro. Daqueles que marca 40 gols no ano. Só que, diferente de muitos centroavantes, Luisito não se importa em ser coadjuvante no time que tem Messi e sempre foi um cara de muitas assistências. Esta mudança não significa que ele deixará de entrar no centro da área, seu habitat natural, mas sim atacará os espaços abertos por Messi quando o 10 recuar para armar o jogo.

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O camisa 9 do Barcelona já atuou pela esquerda no Ajax. A adaptação será gradual, mas qualidade o uruguaio já mostrou que tem para fazer a função, como no primeiro gol de Messi contra a Juventus. Luisito fez a parede para o argentino marcar pela primeira vez contra Buffon.

O extremo Jordi Alba

A chegada de Jordi Alba no Barcelona em 2012 ativou um recurso novo pelo lado esquerdo da Catalunha. Acostumado com nomes mais associativos, como Gio van Bronckhorst, Abidal ou Maxwell, o foguete Alba deu a Leo Messi ainda mais poder de fogo.

Com muita explosão e velocidade no lado esquerdo, pouquíssimos jogadores aproveitaram tão bem a inversão da direita para esquerda de Messi como o camisa 18. A partir do espaço deixado por Neymar, o lateral se aproveitara para estar num espaço onde o adversário não estava olhando e isso implicara em duas situações. A primeira é que o time rival é obrigado a se “virar” e esta rotação é lenta, logo Alba se aproveitava para dar muitas assistências para Suárez e Messi chegando de trás. A segunda é que Busquets poderia pressionar mais alto com um adversário desnorteado após a mudança de eixo.

Com a saída de Neymar e Suárez atuando pelo lado esquerdo, mas centralizando, Jordi Alba será mais ponta do que nunca. Uma arma que já deu duas assistências para Messi em La Liga e pode voltar a ser o lateral que o torcedor catalão se acostumou desde a sua chegada.

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Gabriel Corrêa

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