MÉTODOS DE PREPARAÇÃO FÍSICA: MODELO INTEGRADO E PERIODIZAÇÃO TÁTICA

Por @_GabrielCorrea*   O SURGIMENTO DA PREPARAÇÃO FÍSICA A Ciência Esportiva se trata de algo relativamente novo no futebol: a primeira aparição de um profissional da preparação física foi na Copa do Mundo de 1954, na qual se acompanhava o treinador para realização dos trabalhos de aquecimentos, a exemplo da Hungria de Puskás. A reviravolta […]

Por @_GabrielCorrea*

 

O SURGIMENTO DA PREPARAÇÃO FÍSICA

A Ciência Esportiva se trata de algo relativamente novo no futebol: a primeira aparição de um profissional da preparação física foi na Copa do Mundo de 1954, na qual se acompanhava o treinador para realização dos trabalhos de aquecimentos, a exemplo da Hungria de Puskás. A reviravolta em nível mundial veio na Copa do Mundo de 1966, na Inglaterra. Os anfitriões se baseavam em um esquema tático voltado às marcações individuais e precisavam de muito fôlego para encarar os 90 minutos. Muito parecido com Portugal de Eusébio, que utilizava um futebol de de vigor físico. A Inglaterra conquistou seu primeiro (e único) título de Copa do Mundo e Portugal atingiu o 3º lugar da competição. Tais resultados fizeram o futebol brasileiro voltar seus olhos para a preparação física e começar a investir na área. De acordo com Fernandes (1994), atualmente o futebol exige mais das capacidades físicas e mentais dos jogadores. É comum de se ver hoje jogadores talentosos que não conseguem mostrar suas habilidades, devido ao mau condicionamento físico.

Atualmente, dois técnicos marcam uma disputa no século XXI e dividem o foco das atenções. De um lado, Pep Guardiola, que teve Paco Seiru.lo ao seu lado durante a passagem pelo Barcelona e utilizou do modelo integrado de preparação física. Do outro, José Mourinho, Rui Faria, seu fiel escudeiro, e a periodização tática.

 

O MODELO INTEGRADO

Paco Seiru.lo trabalhou como preparador físico de futebol do Barcelona entre 1993 e 2016.
Paco Seiru.lo trabalhou como preparador físico de futebol do Barcelona entre 1993 e 2016.

O grande propósito no modelo integrado é estimular os jogadores a interpretar o jogo. Ou seja, a necessidade de capacitar o indivíduo a identificar diferentes fases de uma partida e que a cada movimento ele tenha um leque de opções para escolher.

Durante seus primeiro anos como preparador físico, Seiru.lo acreditava num modelo onde os jogadores deveriam fazer tiros curtos de velocidade, resistência e utilizar a pré-temporada para “abastecer o tanque” e aguentar a temporada europeia. Em entrevistas, Paco afirmou que sua percepção sobre a preparação física passou a mudar quando enxergou o corpo humano como uma estrutura complexa, onde há necessidades diferentes para cada tipo de esporte. Ele explica:

“Para o basquete, por exemplo, se maneja um objeto com as mãos. Os desmarques são feitos com as pernas e a capacidade de relações interpessoais ocorre com uma bola que se agarra com a mão. Isso faz com que a motricidade possa ser distinta. Pode-se ficar mais tempo no ar e diferenciar as ações de desmarque com as ações das mãos. O vôlei se parece um pouco com basquete, mas se aproxima ainda mais do futebol, onde se tem a posse da bola impactando nas movimentações. Mas no futebol se conduz a bola e se desmarca com os mesmos segmentos, os braços só são utilizados para equilibrar e proteger do adversário ou identificar os espaços que seu corpo pode ocupar, antecipando-se dos adversários. Ter que realizar o desmarque associado ao movimento de controle de bola faz com que o futebol seja o esporte que mais se exige da motricidade humana”.

Em seus treinamentos, Seiru.lo visa aperfeiçoar aspectos como força, agilidade, resistência e potência. Sempre utilizando a bola nas atividades. Sua principal preocupação com o modelo integrado é no desenvolvimento de estímulos de jogo, pensando em melhorar o desempenho do jogo tendo em vista que este modelo pode ser propositivo, reativo, de marcação baixa ou alta, entre outros exemplos. Por isso ele utiliza de quatro princípios básicos:

  1. Rendimento regular entre 70% e 90% do nível físico durante a temporada;
  2. Ausência de lesões musculares para não romper a continuidade do trabalho;
  3. Picos de rendimento em Dezembro (Mundial de Clubes) e no final de Fevereiro (volta da Liga dos Campeões);
  4. Período de descanso ativo no primeiro pico da temporada (Natal).

QUEM É PACO SEIRU.LO

O espanhol Francisco Seiru.lo, 72 anos, nascido em Salamanca, foi corredor e preparador físico do Barcelona entre 1993 e 2016, quando problemas de saúde o afastaram do cargo. Formado em Cinesiologia pelo Instituto Nacional de Educação Física (INEF) de Madrid é, atualmente, professor da universidade. Seiru.lo começou a se envolver no Barcelona em 1978 como técnico no departamento médico de atletismo do clube. De 1982 a 1993 foi preparador físicos da equipe de handebol do Barcelona e, depois, chamado por Johann Cruyff, assumiu a equipe de futebol.

 

A PERIODIZAÇÃO TÁTICA

Rui Faria (D) acompanha José Mourinho desde 2010 e é considerado o seu sucessor
Rui Faria (D) acompanha José Mourinho desde 2010 e é considerado o seu sucessor

O principal objetivo da periodização tática é moldar os atletas dentro do modelo de jogo proposto pelo treinador. Durante suas atividades, não há um foco no ganho de potência, força ou resistência. Pegando o exemplo de Rui Faria e seus trabalhos em Porto, Chelsea, Internazionale e Real Madrid, vemos que não há uma necessidade de um auge físico na temporada e ele explica:

“No futebol, tendo uma competição que dura 10 meses e o período de preparação corresponde a um mês e meio, não é importante ter um pico. O mais conveniente é manter a equipe durante o período competitivo com o máximo rendimento e sem grandes oscilações”.

Vitor Frade é o grande mentor de Rui Faria e ele explica o objetivo da periodização tática:

“A periodização tática põe ênfase na assimilação em uma forma de jogar, com seus princípios: organização da defesa; do ataque; e dos princípios de modo como se transita de um momento para outro, sendo que isso se faz com concentração. A periodização tática trabalha sempre em especificidade, não dando lugar, portanto, a exercícios analíticos e descontextualizados. É por isso que se nega exercícios físicos ou técnicos separados do modelo de jogo, já que isso levaria a uma não especificidade do processo e suas consequências posteriores”.

No fim, a periodização tática requer muita concentração. Exemplo: não há problema se Mourinho tiver um atleta em seu grupo com alto percentual de gordura, contanto que ele esteja adaptado ao modelo de jogo e seus níveis de atuação condizam com isso. A periodização faz com que os jogadores saibam o porquê de estarem fazendo tais movimentos e exercícios. Diferente do modelo integrado, há necessidade de se adequar a um modelo pré-estabelecido pelo treinador. Todos os exercícios são feitos através do modelo de jogo da equipe. Ou seja, podemos dividir em quatro objetivos:

  1. Foco nos mínimos detalhes modelo de jogo do treinador;
  2. Manter o nível de rendimento durante a temporada;
  3. Treinos baseados estritamente na parte tática, sem exercícios que isolem força, potência e resistência;
  4. Fazer com que o jogador compreenda os motivos de estar fazendo cada exercício.

 

QUEM SÃO RUI FARIA E VITOR FRADE?

Vitor Frade é o precursor da Periodização Tática no futebol português. Professor da Universidade de Porto, trabalhou no Rio Ave, Boa Vista, FC Porto e outros clubes da região e é uma influência brutal a todos os técnicos de Portugal. Rui Filipe da Cunha Faria, 42 anos, é licenciado em Educação Física pela Faculdade de Ciências do Desporto e Educação Física da Universidade do Porto. É integrante da comissão técnica de José Mourinho desde 2001. É considerado por muitos o braço direito e sucessor de Mourinho no futebol.

 

* Colaborou o educador físico Bruno Victor Souza, graduado pela UFRGS, e ex-preparador físico do Esporte Clube Cruzeiro.

Compartilhe
1XBet - Receber Bônus

Comente!

Tem algo a dizer?

Últimas Postagens

Guia da Eurocopa Feminina de Futebol 2022

Guia da Eurocopa Feminina de Futebol 2022

Luís Cristovão
O sucesso da equipe sub-19 do Borussia Dortmund e os próximos passos dentro do clube
Matheus Soares

O sucesso da equipe sub-19 do Borussia Dortmund e os próximos passos dentro do clube

0 Comentários
A aposta da Inter em Kristjan Asllani e o futuro
Caio Bitencourt

A aposta da Inter em Kristjan Asllani e o futuro

0 Comentários
De 2005 à 2007: oito destaques da Copa do Brasil sub-17
Aurelio Solano

De 2005 à 2007: oito destaques da Copa do Brasil sub-17

0 Comentários
Athletico e Felipão: um encontro na hora certa
Gabriel de Assis

Athletico e Felipão: um encontro na hora certa

0 Comentários
1XBet - Receber Bônus
6 destaques da fase de grupos da Euro sub-19
Matheus Soares

6 destaques da fase de grupos da Euro sub-19

0 Comentários
As estratégias da bola parada de Gérson Gusmão, novo técnico do Remo
Jonatan Cavalcante

As estratégias da bola parada de Gérson Gusmão, novo técnico do Remo

0 Comentários
O que Antonio Rüdiger e Aurélien Tchouaméni mudam no Real Madrid?
Bruna Mendes

O que Antonio Rüdiger e Aurélien Tchouaméni mudam no Real Madrid?

0 Comentários
Os problemas defensivos do Atlético Mineiro de Turco Mohamed
Douglas Batista

Os problemas defensivos do Atlético Mineiro de Turco Mohamed

0 Comentários
A prévia tática dos clássicos das oitavas de final da Copa do Brasil
Gabriel de Assis

A prévia tática dos clássicos das oitavas de final da Copa do Brasil

0 Comentários
O título do Brasil sub-20 e o futuro nos Jogos Olímpicos de Paris 2024
Aurelio Solano

O título do Brasil sub-20 e o futuro nos Jogos Olímpicos de Paris 2024

0 Comentários
1XBet - Receber Bônus
11 jovens a serem observados no Campeonato Brasileiro 2022
Matheus Soares

11 jovens a serem observados no Campeonato Brasileiro 2022

0 Comentários
O bom início de Mano Menezes no Internacional
Gabriel de Assis

O bom início de Mano Menezes no Internacional

0 Comentários
Três motivos para o nível baixo do Brasileirão 2022
Gabriel de Assis

Três motivos para o nível baixo do Brasileirão 2022

0 Comentários
Os maiores destaques coletivos da fase inicial da Série D
Douglas Batista

Os maiores destaques coletivos da fase inicial da Série D

0 Comentários