A irresponsável volta da MLS pode causar danos à imagem da liga

A acelerada volta da MLS durante a pandemia que atinge os Estados Unidos não protege adequadamente os jogadores, expõe falhas de planejamento e pode riscar a imagem da liga com atletas e investidores

Quando a pandemia do novo coronavírus interrompeu a temporada, a Major League Soccer tinha disputado apenas duas rodadas e pouco poderíamos dizer do campeonato que estava apenas começando. Era tudo muito incerto, com times ainda aquecendo, outros dividindo atenção com a ConcaChampions e a janela de contratações ainda aberta.

Quatro meses depois, a MLS planeja seu retorno com um torneio independente, chamado MLS is Back, em forma de grupos e depois mata-mata. Os jogos desse mini-campeonato, pelo menos na fase de grupos, vão valer para a temporada regular. A questão é que o maior problema de todos, a Covid-19, ainda é uma ameaça a todos, fazendo com tudo continue indefinido nos Estados Unidos.

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A ideia do MLS is Back é fazer todos os jogos em Orlando, no estado americano da Flórida. Lá, em um grandioso complexo esportivo, vários jogos seriam disputados. A cidade foi escolhida por ser um centro turístico dos Estados Unidos e, com isso, oferece uma vasta gama de hotéis para as equipes se isolarem. Foi o mesmo motivo que fez a NBA escolher o local para seu retorno. As normas sanitárias, como distanciamento social, e ausência de torcedores eram obrigatórios. A liga queria seguir os campeonatos europeus que já voltaram, como La Liga, Bundesliga e Premier League. Até aí, tudo bem, tudo bonito.

A Flórida foi um dos estados mais relaxados no combate ao novo coronavírus. Bares e restaurante ficaram abertos nos primeiros meses enquanto os números de casos e mortes aumentavam de maneira alarmante nos Estados Unidos. Era o primeiro sinal de que a escolha por Orlando talvez não fosse perfeita. O crescimento do número de casos na Flórida nas últimas semanas ligou o sinal amarelo na liga, mas não preocupou muito. A maioria das equipes já está no local, se preparando, enquanto outras devem chegar nos próximos dias.

O problema é que os casos de Covid-19 continuam aparecendo nos elencos. O Atlanta United detectou nos testes dois jogadores infectados e o Miami descobriu um caso em seu elenco. Columbus Crew e Nashville SC também tiveram casos diagnosticados, mas a pior situação foi do FC Dallas, com dez casos no elenco e um na comissão técnica. Resultado: o FCD abandonou o MLS is Back nesta segunda-feira (6), dias antes da abertura do torneio.

Outra baixa importante no torneio foi revelada na segunda-feira (6). Carlos Vela, astro do Los Angeles FC e atual MVP do campeonato, emitiu um comunicado dizendo que não vai para Orlando. O motivo é bem simples: Vela está com receio de se contaminar com o coronavírus e depois retransmitir para sua família. A ausência do grande craque da MLS é um baque sem tamanho para as pretensões da liga.

Diego Rubio, jogador do Colorado Rapids, compartilhou um texto dizendo que jogadores contaminados não estão sendo atendidos da forma adequada e ficaram sem comida porque funcionários do hotel, com medo, se recusavam a levar refeições nos quartos. O atleta ainda afirma que esses companheiros, então, desciam para áreas comuns para comer, oferecendo risco a outras pessoas.

Fontes que estão em Orlando já não descartam o cancelamento do MLS is Back por medo de que mais jogadores sejam contaminados com a Covid-19. E, convenhamos, não seria nenhuma surpresa se isso realmente acontecer.

O atropelo em voltar logo às atividades, comandado pelo insensível comissário Don Garber, faz com que a Major League Soccer fique com a imagem arranhada diante de patrocinadores e fãs. Em um momento que o torneio tenta se consolidar como uma das grandes ligas americanas e busca atrair investidores de peso, assim como atletas de renome, a falha de marketing pode causar danos irreversíveis. A vontade, hoje, era fazer um mini guia sobre o retorno da MLS, mas os erros cometidos, fizeram o tema mudar.

Com a saúde das pessoas não se brinca, pena que a MLS está descobrindo isso da pior maneira possível.

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Pedro Luis Cuenca

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