NÃO EXISTE JOGO RUIM EM COPA

Por Valter Jr. A Copa do Mundo é pródiga em carregar consigo superlativos. É o maior evento esportivo, é o que atrai os melhores e mais bem pagos jogadores, e onde são gastos uma babilônia de dinheiro para construir ou reformar estádios para abrigar 64 partidas. Ainda mais esta de 2018, disputada no maior país […]

Por Valter Jr.

A Copa do Mundo é pródiga em carregar consigo superlativos. É o maior evento esportivo, é o que atrai os melhores e mais bem pagos jogadores, e onde são gastos uma babilônia de dinheiro para construir ou reformar estádios para abrigar 64 partidas. Ainda mais esta de 2018, disputada no maior país da Terra. Raramente são utilizados eufemismos quando se fala do Mundial, mas por vezes é necessário. Como pode ser o caso do que aconteceu na abertura entre Rússia e Arábia Saudita, duas seleções de menor expressão e as piores posicionadas no ranking da Fifa. Pode ficar a sensação de que a partida foi ruim. Ledo engano. Não existe jogo ruim em Copa do Mundo. Entenda, não existe jogo ruim em Copa do Mundo. Pode existir, no máximo, partidas que não são tão vistosas tecnicamente ou que carecem de emoção, mas elas nunca serão ruins.

Partindo desta premissa, outras ressalvas ainda precisam ser feitas em relação a um jogo tão esperado. O primeiro confronto de um Mundial é a primeira partida de uma abstinência de quatro anos. Então são toneladas de expectativas jogadas sobre míseros 90 minutos. Quando a abertura tinha a presença do atual campeão, a pressão era um pouco menor sobre a estreia da competição. Detentores de títulos tendem a manter a base vencedora de uma edição para outra e conhecem os meandros de uma Copa. Facilita a fluência do jogo.

Nos primórdios, quando não existia a transmissão global do evento, as partidas da primeira rodada eram todas disputadas no mesmo horário. Trazendo um ambiente diferente sobre o primeiro dia da competição. Com o avanço tecnológico, todos os jogos foram sendo desmembrados até que Alemanha e Áustria se enfrentaram na última rodada de 1982. Egoístas, as duas seleções pensaram somente no seus interesses. Os alemães marcaram um gol logo aos 10 minutos. Era sabido o que era preciso para as duas seleções avançaram de fase já que era a última partida do grupo. Não se espante, o 1 a 0 para os teutônicos classificava as duas nações rivais. O restante da partida foi uma troca de passes sem a intenção de movimentar o placar novamente. Quer dizer então que este foi um jogo ruim de Copa do Mundo? Claro que não. O que aconteceu foi apenas a ausência de respeito com o público e a competição.

Desde 2006, o país-sede é o responsável por inaugurar o torneio. Em casos como Alemanha (2006) e Brasil (2014) era mais fácil entrar no ritmo e no nível imaginado de um Mundial devido à tradição das seleções. A situação muda quando países periféricos do planeta bola abrigam o torneio. Foi o caso da África do Sul em 2010 e da Rússia este ano. A principal diferença entre o empate sul-africano em 1 a 1 com o Uruguai, e a goleada russa de 5 a 0 sobre a Arábia Saudita, é que Nélson Mandela tem carisma, e o Putin, não. E que é mais divertido pronunciar o nome de Tshabalala do que o de Cheryshev.

Um alento para quem possa não ter apreciado a abertura da Copa é que se Rússia e Arábia Saudita são as piores colocados na classificação fifiana, dificilmente haverá uma outra partida em que a afinidade com a bola, somada as duas equipes, seja tão longe do idealizado.

Com o passar dos anos e o desenvolvimento da memória afetiva, essas partidas desprivilegiadas de grandes lances estéticos vão sendo armazenadas no nosso subconsciente, mas nunca se deve esquecer que esses jogos menos marcantes também fazem a Copa ser o que é., ou vai dizer que você não acordou para ver China e Costa Rica, às 3h, na Copa de 2002? Foi um partidaço!

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