Dal Pozzo busca consolidar comportamentos para que Náutico tenha um padrão de jogo mais fluído

O técnico Gilmar Dal Pozzo tem o desafio de remontar a equipe alvirrubra e encontrar caminhos para solucionar os problemas causados pelas lesões ao modelo de jogo adotado

Após o título da Série C, retorno à segunda divisão, manutenção da espinha dorsal e reforços como Ronaldo Alves, Kieza e Erick, o torcedor do Náutico criou a expectativa de que o time começaria 2020 atropelando os adversários locais e regionais. No entanto, não foi o que aconteceu. As seguidas lesões de Álvaro, Matheus Carvalho, Kieza, Diego, Ronaldo Alves e Jhonnatan que atingiram os três compartimentos da equipe (defesa, meio e ataque) dificultaram o processo de criação de comportamentos setoriais e coletivos. E Gilmar Dal Pozzo está tendo que adaptar as características dos atletas para sanar as lacunas criadas dentro do modelo de jogo pretendido.


Planificações e plataformas utilizadas por Dal Pozzo

Ao observar algumas das planificações que Dal Pozzo elaborou no início da temporada, fica clara que a ideia inicial era de dar minutagem a todos os atletas do elenco para diminuir os riscos de lesões e, também proporcionar uma evolução técnica, tática, física e mental mais abrangente e igualitária. Pois ao chegar na fase final das competições (Pernambucano e Copa do Nordeste) pudesse ter todos os jogadores com o mesmo nível de valências. Entretanto, as lesões afetaram o planejamento e geraram discrepâncias estruturais e qualitativas dentro de cada setor da equipe.

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Mas mesmo convivendo com as lesões as ideias de Dal Pozzo sempre se fizeram presente com pequenos ajustes ou em sua totalidade. E qual era/é o modelo de jogo do Náutico? O Timba é a 10º equipe na Copa do Nordeste que menos troca passes (338). O que acena para um time que busca um jogo mais direto. Outro dado que corrobora essa ideia é que o tempo médio da posse de bola do Náutico gira em torno de 45 segundos. Apontando para uma ideia de jogo que privilegie ataques rápidos – poucos toques na bola até a finalização.

Defensivamente, o objetivo é tão logo que haja a perda da posse de bola possa recuperá-la e contra-atacar ou reorganizar-se para atacar. Seja através da pressão pós-perda ou organizado defensivamente através da marcação com encaixes setorizados.

O Náutico se estrutura durante os 90 minutos nas plataformas 4-4-2, 4-2-3-1 e 4-1-4-1. E com pequenos movimentos de avançar ou recuar de um volante ou do meia-atacante, a equipe consegue transitar sem mudanças bruscas. Dal Pozzo planifica a equipe com um goleiro que atua de forma mais restrita às obrigações da posição e com pequenas participações em coberturas defensivas.

Os laterais se caracterizam por ter ótima recuperação, força física e velocidade. E também por apresentar bom 1×1 defensivo. O miolo de zaga é formado por jogadores com boa estatura e imposição física nos duelos aéreos e terrestres e que tenham o mínimo de qualidade no passe para facilitar a construção longa. Os volantes possuem agressividade no pós-perda, vencem duelos defensivos e com a posse de bola (Jhonnatan) auxilia na construção ofensiva e também na criação.

Atrás da referência, o meia-atacante, jogador com a capacidade de desequilibrar o jogo com um passe ou com um arremate de média/longa distância. Atua nas costas dos volantes adversários ou recuando e ficando de frente. Os atacantes de lado, apresentam boa capacidade de drible e/ou construção para criar e finalizar jogadas. Além disso, tenham velocidade e resistência para explorar as costas dos defensores e recompor. E por fim, o centroavante com certa mobilidade e que saiba fazer o pivô para sustentar lançamentos longos enquanto o time sai de trás. E, claro, que tenha ótima capacidade de finalização.

Construção longa, ataque rápido e pouca profundidade

Como já visto, o Náutico opta por um jogo direto. O que implica em realizar uma construção longa a partir do goleiro, dos zagueiros ou laterais, com direcionamento ao pivô para disputar a 1º e 2º bola ou aos atacantes de lado com um lançamento nas costas da defesa ou em situação de 1×1. Os laterais opostos ao setor da bola também são alvo dos passes longos em diagonal dos zagueiros.

Ao lançar a bola para o pivô (Kieza ou Salatiel) espera-se que sustente para dar tempo da chegada dos apoios, dê uma casquinha de cabeça para o jogador que está em profundidade ou consiga sozinho progredir com a bola. Caso o pivô escolha sustentar em poucos segundo terá o apoio de Jean Carlos, Jhonnatan, e Luanderson. O posicionamento de Jean Carlos como apoio é interessante, pois fica sempre de frente para o pivô para que através de um passe possa deixar um companheiro em situação vantajosa ou até mesmo finalize a gol.

Detentor da posse de bola e no campo adversário, o Náutico se organiza a partir da bola com 5 jogadores mais o lateral do setor em que estão localizados. O lateral oposto fecha por dentro e juntamente com um volante compõem o balanço defensivo com os dois zagueiros. Dessa forma, o time de Dal Pozzo se estrutura com amplitude apenas no setor da bola em boa parte das partidas. Mas isso não impede que os dois laterais ataquem ao mesmo tempo. Porém é pouco usual. Fica restrito a situações de pressão exacerbada e necessidade de placar.

Os laterais por sinal são uma das armas do Náutico. Na esquerda Wilian Simões de destaca por realizar lançamentos para os companheiros que atacam o espaço – é o líder de passes em progressão na Copa do Nordeste – e também pelas ultrapassagens seguidas de tabelinha. Com Hereda, as ultrapassagens também são comuns. Entretanto, os lançamentos dão lugar ao jogo associativo tabelas e infiltrações.

Os corredores, a propósito, ficam quase estritamente sendo utilizados pelos laterais. Uma vez que, os atacantes de lado jogam com pé invertido e por isso apresentam a tendência de centralizar as jogadas. Erick, por exemplo, percorre pequenas distâncias pelo corredor lateral e corta para dentro com o intuito de finalizar ou realizar um passe em diagonal para um jogador que fez o movimento de infiltração nas costas da defesa. As lesões de Álvaro e Matheus Carvalho comprometeram essa dinâmica ofensiva.

Náutico Matheus Carvalho
Matheus Carvalho na partida em que se lesionou gravemente contra o Botafogo
(Foto: Caio Falcão/Náutico)

E a pouca oferta de linhas de passe a frente da bola como apoio ou em movimento de infiltração, tornam a organização ofensiva do Náutico menos vertical e mais lateralizada em momentos que se pedia maior agressividade. Por isso, é necessário ampliar o repertório de mecanismos ofensivos ou ao menos executar melhor os já existentes.

Por exemplo, os apoios gerados pelos volantes como opção de passe de retorno (para trás) ou de ruptura ao realizar o movimento diagonal de dentro para fora. Jhonnatan consegue realizar algumas vezes esse movimento. Mas a ocorrência é baixa, pois não se caracteriza por ser um volante infiltrador. Mas sim, um construtor que gera apoios por trás da linha da bola. Já Luanderson dificilmente participa das ações ofensivas.

LEIA MAIS: A importância do ex-jogador no desenvolvimento técnico dos atletas

E a limitação de Luanderson com a posse de bola gera uma certa previsibilidade mesmo que o jogo se notabilize por ser imprevisível. Pois em jogos com adversários que ofertam a posse de bola e baixam as linhas ou até mesmo em partidas que há uma divisão igualitária da posse, a “responsabilidade” de construir recai sobre os pés de Jhonnatan. E isso gera uma sobrecarga.

Como tentativa de equilibrar as tarefas, Jean Carlos vem buscar a bola na região do círculo central. Mas causa o efeito de deixar o espaço entre as costas dos volantes e a defesa vazio e sem ninguém preencher. O que demonstra a falta de movimentos de compensações ofensivas. Gerando espaçamento, falta de profundidade e como consequência pouca fluidez das jogadas ofensivas.

Mapa de calor de Jean Carlos na atual temporada
(Imagem: Wyscout)

Jean Carlos por sinal, é a referência técnica na equipe comandada por Dal Pozzo. São 10 participações diretas em gol (6 gols e 4 assistências). Além disso, é o líder de finalizações na Copa do Nordeste e Pernambucano com 44 arremates somados. O camisa 10 alvirrubro é o controlador do fluxo de jogadas do Náutico. Boa parte das jogadas ofensivas passam pelas chuteiras calçadas por Jean Carlos.

O técnico Gilmar Dal Pozzo confere ao meia-atacante, liberdade para flutuar para o setor que a bola se encontra. Seja nos corredores laterais ou vindo buscar a bola no círculo central. Por isso, é possível notar uma mancha mais forte na região central e lateral do mapa de calor acima. Jean Carlos sempre busca receber essa bola de frente e em regiões que possa desequilibrar com seus passes. Não à toa, também é o líder de “passes decisivos” na equipe com 2 passes para finalização por jogo. Em contrapartida, Jean pisa pouco na área.

Encaixe individual e pressão pós-perda

A ideia de Dal Pozzo na transição defensiva é de no pós-perda já realizar a pressão no local. Para assim, ter mais chances de recuperar a bola próximo ao gol e não precisar retornar 30 metros. Mas os comportamentos ainda não estão sendo gerados como o esperado. Os atletas têm oscilado bastante durante os 90 minutos. E há divergências comportamentais entre indivíduos e setores da equipe, no tocante ao momento propício de realizar a pressão pós-perda da bola.

Essa demora em “virar a chave” traz impactos que podem ser danosos a estrutura defensiva da própria equipe. Ao assistir a análise do vídeo acima, constata-se que em alguns momentos há erros de “encaixes” por conta dessa “letargia”. E isso desencadeia uma série de efeitos cascatas que se não forem corrigidos a tempo podem culminar com um gol adversário. Por isso, a ocupação de espaços vitais, os encaixes e a pressão na bola são fundamentais para coibir o avanço do adversário.

As lesões de Camutanga (ano passado) e Ronaldo Alves e Diego no início da temporada causaram problemas no setor de defesa. Os três jogadores se destacam pelos duelos aéreos e terrestres e também pelo poder de recuperação que possuem. O que dá margem para o Náutico subir a marcação. Com Rafael Ribeiro e F. Lombardi há uma queda sensível nos duelos por baixo, mas uma forte na recuperação em relação ao adversário. Por isso, o Náutico sofreu bastante com os contra-ataques ou ataques rápidos do Fortaleza ao subir a linha de marcação.

Mas mesmo com alguns erros de execução, o Náutico detém o quarto melhor PPDA (passes permitidos por ação defensiva, índice que mede a qualidade da pressão sob o adversário) da Copa do Nordeste, com 8,39 contra uma média de 9,95 da competição (quanto menor o valor, mais efetiva é a pressão).

E se os comportamentos para a recuperação imediata da bola ainda carecem de ajustes. Outras ações apresentam uma internalização por parte dos atletas em um grau mais avançado. Por exemplo, a atitude de fechar as zonas centrais, temporizar, induzir o adversário para o lado e recompor formando a linha de 4 defensiva. E assim, aumentar a trajetória do portador da bola até a meta.

O goleiro não pode ficar alheio a todo sistema defensivo. A participação de Jefferson nas coberturas defensivas pode ser um mecanismo a ser mais explorado como forma de inibir os lançamentos nas costas da defesa.

Encaixe setorizado e zona pressionante

Após a não retomada da bola, resta ao Náutico se organizar em seu campo no 4-4-2 (bloco baixo) e tentar impedir a progressão do oponente. Dal Pozzo adota uma marcação com encaixe setorizado (marcação mista). Ou seja, os marcadores obedecem uma zona de atuação mas buscam encaixes nos atletas adversários sempre em função de onde está a bola. Dessa forma, o Náutico busca cortar linhas de passe ao estar sempre “encaixado” com o oponente.

No vídeo acima é possível acompanhar um pouco do funcionamento desse tipo de marcação. As trocas de marcação ocorrem a todo instante. Como fica claro no momento em que Wilian Simões avisa ao Luanderson que o jogador adversário é sua responsabilidade. Imediatamente, o volante já procura encaixar. Pois dessa forma, tenta inibir o passador. E mesmo que o passe aconteça, o receptor estará de costas e com a marcação colada. E dificilmente irá progredir. Como alternativa para manter a posse terá que devolvê-la para trás.

E como boa partes das equipes no mundo, o Náutico protege o caminho mais rápido em direção ao gol (zona central) e direciona o time adversário para jogar pelos corredores. E quando o a bola chega nos setores laterais do campo, a equipe cria zonas de pressão para recuperar a posse de bola ou ao menos impedir o avanço ofensivo do oponente.

Luanderson disputando a bola com Thiaguinho do Retrô
(Foto: Caio Falcão/Náutico)

Mas diante de rivais que utilizam bastante a mobilidade para induzir o marcador para setores que lhe interessa, possuam jogadores excelentes nos duelos individuais ou que tenham jogadores com ótima capacidade de um toque, as chances de acontecer uma desestruturação que resulte em erros de sincronia são altas. Por isso, esse tipo de marcação exige concentração e muita resistência para perseguir o oponente.

E Luanderson tem papel fundamental na estrutura defensiva do Náutico. Pois é um volante de grande estatura (1,87cm) que ganha muito duelos aéreos por jogo (4). E isso é importante dentro da ideia de jogo direto e de imposição que o Dal Pozzo montou. Além disso, por ser agressivo consegue ganhar 7 em cada 10 duelos pela bola. E soma-se a tudo que foi citado, a capacidade de recuperação de posse da bola no campo adversário. Requisito bastante almejado pelo técnico do Náutico.

No entanto, precisa saber utilizar a agressividade, velocidade de resposta e imposição tão requisitadas pela marcação por encaixes no setor. Para isso, é indispensável estimular a percepção do jogador para que saiba o timming correto para pressionar o adversário e abandonar a posição ou de guardar posição e proteger o espaço. Ou seja, o ímpeto de Luanderson precisa ser podado para que o Náutico passe a se defender melhor e não conceda espaços vitais ao adversário como aconteceu no gol do Retrô.

Jean Carlos o controlador de ritmo

Jean Carlos é um jogador-chave dentro das ideias de Dal Pozzo. Seja para pressionar o adversário após a perda da bola. Para criar e finalizar jogadas. E até mesmo na retomada de bola para realizar transição ofensiva em velocidade que culmine em finalização ou para reter a posse e iniciar uma organização ofensiva. No vídeo acima, fica notório a influência do camisa 10 alvirrubro nas decisões de explorar a desestruturação rival ou cadenciar o jogo e aguardar o melhor momento para avançar.

O meia-atacante com frequência ocupa zonas do campo próximo da região da bola para que seja uma opção de passe logo que o Náutico recupere a posse. Ao ser acionado Jean Carlos “escaneia” o jogo e decide qual ação irá tomar: contra-ataque ou gerenciar a posse de bola. Ao optar por transitar rapidamente o Náutico por ter jogadores de velocidade nos corredores laterais, utiliza o lançamento no espaço como um recurso. Se identifica chances remotas de causar algum dano no oponente com um contra-golpe, a solução é se organizar. E ao girar a bola para um lado juntamente com a unidade defensiva do adversário, os lançamentos em diagonais a partir dos zagueiros para regiões pouco povoadas são um artifício para aproveitar os espaços e atacar rapidamente a meta.

O futebol é um jogo de imposição e de invasão de território. Não existe certo ou errado. O que ocorre são modelos de jogo e estratégias que são mais coesas com as características do elenco que o técnico tem em mãos. Por isso, é imperativo que Dal Pozzo busque alternativas para otimizar o treinamento e proporcionar uma melhora nas ações técnico-táticas coletivas diante dos constantes desfalques. E dessa forma, talvez, o Náutico volte a repetir as atuações que lhe sagraram campeão da série C.

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Jonatan Cavalcante

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