NO RITMO DA RENOVAÇÃO: QUÃO ÚTIL SERÁ ÉDER MILITÃO PARA A SELEÇÃO BRASILEIRA?

Por Eryck Gomes Poucos países têm a capacidade de renovar uma seleção nacional como o Brasil. Para o ciclo que visa a Copa do Mundo de 2022, conseguimos encontrar muitos nomes com potencial – principalmente do meio para a frente. Desta forma, o maior calo de Tite está na defesa. Sendo mais preciso, na zaga […]

Por Eryck Gomes

Poucos países têm a capacidade de renovar uma seleção nacional como o Brasil. Para o ciclo que visa a Copa do Mundo de 2022, conseguimos encontrar muitos nomes com potencial – principalmente do meio para a frente. Desta forma, o maior calo de Tite está na defesa. Sendo mais preciso, na zaga e laterais. Mas uma peça, que só chegou a ser chamada por conta da contusão de um companheiro (Fágner), pode dar um respiro ao setor: Éder Militão.

Antes de qualquer coisa, vamos trazer o contexto histórico do jogador. Militão já tinha destaque e era motivo de muita expectativa dentro do São Paulo desde cedo. No Sub-15 e Sub-17 do Tricolor, atuou bastante como primeiro volante – alternando com a função de zagueiro. Neste período, chamava a atenção pela segurança no confronto 1×1 e ao sair para o jogo. Zero afobação. Na primeira partida como profissional, jogou na zaga. Entretanto, desde que se transformou em peça efetiva no time do Morumbi, virou lateral e por ali se firmou. Muito provavelmente, Tite irá testá-lo nessa posição, mas já sabemos que Éder pode desempenhar funções tanto no miolo da defesa quanto na primeira linha de meias. A estreia pelo Porto-POR, na vitória por 3 a 0 em cima do Moreirense, por exemplo, foi como zagueiro, dando suporte aos constantes avanços de Alex Telles.

Esse foi o posicionamento de Éder na estreia pelo Porto. Ocupou o lado esquerdo da zaga e cobriu as constantes subidas de Alex Telles. (Imagem: Wyscout)
Esse foi o posicionamento de Éder na estreia pelo Porto. Ocupou o lado esquerdo da zaga e cobriu as constantes subidas de Alex Telles. (Imagem: Wyscout)

O defensor de apenas 20 anos – ainda com potencial a se desenvolver – carrega características que serão bem úteis dentro do 4-1-4-1 do comandante da amarelinha. A primeira oportunidade deve vir às 21h30 desta terça-feira, contra El Salvador, no FedEx Field, em Maryland. O adversário não oferece os melhores parâmetros de avaliação, mas já poderemos fazer uma leitura inicial de como o atleta poderá contribuir.

O mapa de calor da carreira de Militão mostra uma predominância nas laterais, mas também com ocupações na zaga/meio (Imagem: Wyscout)
O mapa de calor da carreira de Militão mostra uma predominância nas laterais, mas também com ocupações na zaga/meio (Imagem: Wyscout)
Posições em que Éder pode atuar.
Posições em que Éder pode atuar.

Éder está longe de ter a desenvoltura de um Daniel Alves, referência no setor, mas compensa em uma das principais deficiências do antigo dono da posição, o senso de posicionamento nos momentos de transição defensiva e defesa, propriamente. Por exemplo, sabe aquela história de fechar os espaços do direcionamento do jogo ao meio, levando o adversário às laterais, para evitar a chance de finalização na zona do funil da grande área? Militão faz isso muito bem. Função importante em um time com peças como Arthur, Paquetá, Douglas Costa, William e Everton, que tensionam um futebol mais propositivo, sujeito a contragolpes. Talvez não contra El Salvador, mas ante times mais reativos e com rápida transição ofensiva, ter atletas com boa velocidade para recompor não é algo a se desprezar. A associação com jogadores como Casemiro e Andreas Pereira pode potencializar ainda mais atletas como os citados acima.

Mas e se Tite pensar em testá-lo na zaga? Por ali, se assim continuar atuando no Porto, o entrosamento com Felipe pode favorecer a dupla com a amarelinha. Isso não deve acontecer agora porque Marquinhos está alguns passos à frente de ambos. Mas aqui fala-se de futuro, projeção, e, neste sentido, Militão é uma opção com bom posicionamento, bola aérea eficiente e passe qualificado para romper linhas. Ilustrando: 62% do total de passes dado pelo atleta, historicamente, é vertical – com margem de acerto de 76%. Número importante para um time que preza pela manutenção da posse sem correr tantos riscos.

A média de interceptações de Militão no ano é o dobro da do seu companheiro Felipe, que já está por lá há três temporadas.
A média de interceptações de Militão no ano é o dobro do número apresentado por Felipe, que já está por lá há três temporadas.

O Brasil possui uma boa peça para a preparação rumo ao Catar. Definitivamente, não espere lances plásticos. Militão é um atleta de vigor físico, velocidade e eficiência no que se propõe. Em uma Seleção Brasileira que muito promete no meio-ataque, peças assim podem dar a Tite a tranquilidade que ele precisa para Neymar e companhia definirem lá na frente.

Militão em ação com a amarelinha, pela Copa do Mundo Sub-17, em 2015 (Foto: Getty Images)
Militão em ação com a amarelinha, pela Copa do Mundo Sub-17, em 2015 (Foto: Getty Images)
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