O ATAQUE ELÉTRICO DO LILLE

Por Renato Gomes Com nove rodadas disputadas na Ligue 1 2018/2018 há um novo time na França que segue a linha do estilo de futebol que é melhor praticado no país: o Lille e o seu jogo mortal baseado em transições. Tendo em vista o que foi realizado pela França na Copa do Mundo e […]

Por Renato Gomes

Com nove rodadas disputadas na Ligue 1 2018/2018 há um novo time na França que segue a linha do estilo de futebol que é melhor praticado no país: o Lille e o seu jogo mortal baseado em transições. Tendo em vista o que foi realizado pela França na Copa do Mundo e com as participações recentes de Monaco e Lyon na Champions e Europa League, respectivamente, a equipe do norte chega à nova temporada com a missão de finalmente se estabelecer entre as principais equipes do hexágono com um ataque elétrico.

A péssima primeira temporada do clube na era Gérard Lopez foi esquecida imediatamente no início da segunda, com a contratação de dois jogadores em especial, Jonathan Bamba e Jonathan Ikoné, para se aliarem à Nicolas Pépé e assim definirem o estilo que pauta o futebol da equipe atualmente. Considerando o cenário da Ligue 1, os três possuem o ambiente ideal para render de forma imediata através do físico e da agressividade com a bola no pé. Pépé, por exemplo, é o mais estabelecido dentre os três.

Fonte: @OptaJean
Fonte: @OptaJean

Com sua movimentação sem a bola, contando com a parceria de Thiago Mendes e Zeki Celik para complementar suas qualidades no lado direito do ataque do Lille, o antigo jogador do Angers é capaz de causar desequilíbrios recebendo a bola tanto no pé, quanto no espaço e, pisando na área com frequência, possui uma quantidade elevada de gols e assistências, números que o colocam ao lado de gente como Neymar, Lionel Messi e Eden Hazard nos primeiros meses de competição no calendário europeu.

Celik, Thiago Mendes e Pépé fazem do lado direito do ataque do Lille o lado mais capaz de produzir futebol.
Celik, Thiago Mendes e Pépé fazem do lado direito do ataque do Lille o lado mais capaz de produzir futebol.

Podendo caracterizar Pépé como um ponta vertical e agressivo, o Lille trata de potencializar as características não só de seu camisa 19, mas de todo o trio de ataque ao acionar sem hesitação seus homens de frente, que ainda não encontraram a referência ideal para jogar no centro do ataque, muito pelo rendimento abaixo da média de Loïc Rémy. Por outro lado, o time tem em Rui Fonte um bom jogador para oferecer apoios e assim complementar as qualidades dos três principais nomes, que ainda contam com Rafael Leão, talento revelado na base do Sporting de Portugal, como mais uma opção de potencial para agregar ao terceiro melhor ataque da competição, atrás apenas do Paris Saint-Germain e do Olympique de Marseille.

Além de Nicolas Pépé, Jonathan Bamba é mais um que mostra qualidades de desequilíbrio e de finalização de jogadas que já estavam evidentes na temporada passada, quando atingiu o auge de sua carreira pelo Saint-Étienne marcando sete gols e produzindo oito assistências nos 34 jogos disputados com sua antiga equipe.

Entretanto, o bom momento do trio Pépé, Bambá e Ikoné não poderia ser viável sem um coletivo para servi-los nas melhores condições. A espinha dorsal da equipe, que já contava com o excelente Mike Maignan no gol e com Thiago Mendes no meio-campo, foi reforçada com o retorno do português Xeka, que esteve emprestado junto ao Dijon, e com a chegada de seu compatriota José Fonte. Com o lateral mais próximo à bola sendo mais ativo no campo adversário, as jogadas ganham em amplitude e a excelente dupla Xeka e Thiago Mendes pode exprimir suas qualidades na construção, passando a bola de forma limpa e praticando inversões para acelerar o jogo e assim promover a troca de ritmos do ataque já acionando os homens responsáveis pelos desequilíbrios e pela agressão no último terço do campo adversário, características que tornam o Lille uma equipe fatal no cenário da França.

Dos 17 gols marcados pelo Lille na atual temporada, Pépé e Bamba estiveram envolvidos em 14, seja com gols ou assistências

Mas, apesar das individualidades serem o fator que coloca o LOSC numa posição favorável, o coletivo ainda deixa a desejar. Christophe Galtier, antigo treinador do Saint-Étienne, nunca teve um ataque tão talentoso em mãos e ainda encontra o melhor caminho para tornar fazer sua equipe jogar um futebol mais equilibrado, que consiga sustentar o caos que cria durante os 90 minutos e que também seja uma equipe mais capaz de criar vantagens através da criatividade, aspecto que deixa a desejar no jogo dos Dogues em alguns momentos. O elenco também não é tão profundo para servir todas as posições com a mesma qualidade do time base, o que ficou visível no confronto entre Angers e Lille, por exemplo. A ausência de Thiago Mendes foi problemática, pois Thiago Maia não oferece as mesmas qualidades com a bola no pé e contra um bloco defensivo mais estabelecido, os comandados de Galtier não mostraram criatividade suficiente para criar vantagens posicionais mesmo atingindo a marca de 64% de posse, num jogo que o Angers teve um jogador a menos desde os 64 minutos do segundo tempo.

A postura defensiva também não é das melhores, sendo que por vezes uma tentativa de pressing e o excesso de agressividade dos jogadores de lado pode deixar a linha defensiva, representada por José Fonte e Adama Soumaoro que é mais lenta e pesada para subir metros no campo, descompensada. Considerando isso, a passividade e o espaço cedido principalmente no lado do campo permitem com que o adversário possa avançar dentro do campo do Lille sem tanta oposição e ainda impede com que a dupla de meio-campistas centrais suba mais metros no campo, muito para ter uma camada mais posicionada no centro do campo para resguardar a última linha.

Por fim, o objetivo da diretoria em colocar o Lille na Liga dos Campeões, considerando que Lyon e Marseille não são equipes consistentes no longo prazo e o campeonato do Monaco acabou se tornando outro, é viável. A questão agora é saber se a equipe é capaz de sustentar o futebol que ela mesmo promove, através das qualidades de seus jogadores e da troca de ritmos, que pode ser caótica tanto para o rival quanto para a própria equipe.

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