O Atleti e suas fraquezas na temporada

Na Copa do Rei, o Atleti expôs suas fraquezas da temporada. O domínio da Real trouxe a tona muitos problemas que a equipe da capital vem enfrentando nos últimos meses.

Ser eliminado pela Real Sociedad nos últimos anos é até comum, muito pelo crescimento da equipe num geral e pela chegada de grandes jogadores decisivos. De qualquer forma é compreensível, mas a eliminação marcou diversos problemas que o Atleti enfrenta na 2021/22.

Bons momentos durante o último ano e problemas atuais

O ponto que mais tem impacto é o fato do clube ter sido campeão espanhol na última temporada. Levantar a taça num campeonato em que Barcelona e Real Madrid dominam sempre é uma façanha enorme, mas o momento do Atleti era mais do que especial para aquele passo que todos esperam.

O referencial técnico melhorou, contratações foram pontuais e decisivas nesse tempo, mas o grande diferencial foi a produção ofensiva. Luis Suárez e Marcos Llorente foram os jogadores mais importante da equipe depois de Jan Oblak, muito pela influência dentro do sistema ofensivo da equipe. O uruguaio trouxe tudo aquilo que a equipe precisava: um ‘9’ que garantia gols necessários para ser campeão num campeonato de pontos corridos contra Barcelona e Real Madrid. Já o espanhol foi o ponto de desequilíbrio, tanto tático quanto enérgico. A intensidade da equipe passava por ele, com arrancadas e infiltrações que deixavam o adversário sem muito o que fazer para conter.

Hoje, ambos estão em baixa, principalmente Llorente que, não chegou a perder espaço, mas lida com concorrência e muitas peças para uma função que ele dominou facilmente desde que chegou. Lemar e De Paul são excelentes e Koke é indispensável, o que deixa Llorente como opção para ala ou lateral – agora sem Trippier, vendido ao Newcastle, ainda mais possível já que Vrsaljko é o único da posição disponível.

Entre os laterais e alas, apenas Carrasco de fato demonstra grandíssimo nível individual e vem sendo indispensável para a equipe decidir partidas na atual temporada – talvez o melhor e mais consistente colchonero ao lado de Angel Correa. Renan Lodi perdeu espaço quando o sistema 4-4-2 foi basicamente substituído por Cholo durante a temporada 2019/20, mas ainda que tenha sido útil em alguns momentos, não vem sendo o melhor dos melhores e também deixa um ponto importante para o clube estar de olho na próxima janela.

Carrasco vem sendo um dos melhores jogadores da equipe nessa fase. (Reprodução/Atleti)

Entretanto, o principal problema passa pelos zagueiros. É com certeza um choque. O sistema defensivo de um time que tem Simeone como técnico é um desastre. O mundo não é mais o mesmo. Uma equipe muito frágil na bola área, tanto defensiva quando ofensiva, principalmente nos cruzamentos com a bola rolando – muitos gols levados são dessa forma. Ainda que o sistema não funcione, o individual é o que mais preocupa. Não existe um zagueiro que esteja em boa fase.

Felipe falha jogo sim jogo também e Hermoso tem problemas a depender do esquema – como terceiro zagueiro pela esquerda já não funciona mais, como um lateral mais defensivo talvez melhore. Savić e Gimenez precisam recuperar o nível, são jogadores de confiança de Simeone e dificilmente vão sair, mas é também necessário frisar a inconsistência de ambos – o montenegrino ainda luta contra problemas físicos e lesões musculares, o que justifica também o clube estar passando por momentos difíceis já que ele é um dos mais confiáveis.

A vinda de Griezmann pode ter deixado o vestiário balançado, pois é, no mínimo, contraditório, ele sair e voltar como se nada tivesse acontecido. Apenas um julgamento, não é como se fosse uma certeza obviamente, mas jogadores se sentem menos valorizados, e como o francês toma conta da posição facilmente puramente pela qualidade isso é difícil quando se é recentemente campeão sem ele. O foco depois de trazer Matheus Cunha deveria ter sido na defesa, e aí está um erro que Simeone com certeza deve pensar todos os dias.

Próximos passos

A janela de verão no meio do ano é bem importante para o clube definir seus próximos passos, ainda que seja possível a saída de Simeone – o que não imagino que aconteça. A contratação de zagueiros (sim, no plural) já precisa estar sendo discutida, e garanto que principalmente por Simeone, que, com certeza, enxerga essa necessidade de renovação nessa parte específica do elenco.

A Copa do Rei deixou tudo isso a ser discutido pois a Real se mostrou o ponto adverso ao Atleti, uma equipe consistente dentro de campo, mesmo que durante a temporada oscile, demonstra em campo ser um time bem definido, os jogadores cumprem suas funções muito bem e dificilmente tem problemas defensivos. O ataque, entretanto, ainda depende de peças como Sorloth e Isak, mas com a presença de apenas um deles já é fator decisivo, o que já é mais semelhante em relação aos rojiblancos.

(Reprodução/Ander Gillenea/AFP)

Hoje, o Atleti tem confiança em seus jogadores sozinhos definirem jogos. Ainda que o meio se mantenha em um nível competitivo, o ataque brilha. Ángel Correa, João Félix e até mesmo Matheus Cunha são as melhores notícias para o time atualmente. A busca por novos zagueiros e uma melhora física considerável é fundamental para o clube brigar por uma vaga da Champions League, ou até mesmo melhorar ao ponto de brigar pelo título com Real Madrid e Sevilla – até o momento a diferença para o clube da andaluz é de 10 pontos e para o rival da capital é de 14 pontos, com um jogo a menos para disputar.

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