O CORPO E A BOLA

Por @BolivarSilveira O alto rendimento no futebol requisita vários componentes. É necessário organização tática, condicionamento físico, inteligência, controle anímico, entre outros elementos. Mas neste texto artigo vamos focar no corpo do atleta, mais precisamente na posição corporal do jogador. Cada característica pessoal, função desempenhada e posição do campo exigem diferentes pontos de referencia, enquadramentos corporais e […]

Por @BolivarSilveira

O alto rendimento no futebol requisita vários componentes. É necessário organização tática, condicionamento físico, inteligência, controle anímico, entre outros elementos. Mas neste texto artigo vamos focar no corpo do atleta, mais precisamente na posição corporal do jogador. Cada característica pessoal, função desempenhada e posição do campo exigem diferentes pontos de referencia, enquadramentos corporais e movimentos de braços e pernas distintos.


Comecemos analisando a defesa por zona, que exige o balanço defensivo e uma compactação das linhas. É uma das táticas que evidencia a importância do posicionamento corporal. Enquanto a bola está com o adversário e muda de setor, o lateral que está na zona da bola pressiona, enquanto o lateral do lado oposto fecha a linha. Essa postura solicita que todos os jogadores postulados na linha da bola estejam com o tronco do corpo e a atenção voltada à bola. Dois times que faziam muito bem essa movimentação eram o Chelsea de Mourinho e o Botafogo de Jair Ventura. Sem a atenção ideal e o posicionamento correto, a ocupação entre as linhas e a quebra da marcação fica facilitada.

bota

chelsea

Na parte defensiva, mas já pensando a saída de jogo, o movimento corporal dos defensores deve ser distinto. Em uma saída com 4 na linha defensiva, o start do movimento ocorre com o avanço dos laterais e uma amplitude dos zagueiros. Os laterais geralmente ficam de frente para o campo defensivo, com uma leve inclinação para o meio do campo. Essa postura permite uma visualização dos zagueiros, goleiro e uma provável linha de passe, caso o volante recue.  Enquanto isso os zagueiros devem estar com as costas para a linha de fundo ou lateral, oferecendo assim uma visão ampla do campo de jogo.

Caso a saída de jogo seja com três defensores, ao estilo Lavolpe, os zagueiros de lado precisam manter o mesmo posicionamento da linha de 4. O zagueiro central ou volante precisa estar centralizado com o corpo de frente para as laterais do gramado, balançando junto com a bola, facilitando a ação ofensiva e maior possibilidade de giro sobre o adversário. Se o jogador que atua nessa função recebe a bola de costas pro adversário provavelmente recuará o jogo e prendera o time no campo de defesa.

Ainda sobre volantes e jogadores que circulam na zona de pressão, facilita o domínio de bola estar sempre com o corpo voltado pra zona ofensiva e defensiva concomitantemente, podendo escapar para os dois lados em caso de pressão. Outro fator dos volantes é o costado que ocupa. Geralmente o jogador que atua pelo lado do pé preferencial consegue imprimir um melhor jogo associado, ter uma boa circulação de jogo e capacidade de drible, pois a linha lateral protege o pé portador, enquanto o corpo protege do desarme. Já os volantes que atuam de pé trocado possuem facilidade para encontrar linhas longas de passes, em lançamentos diagonais, ou para quebrar linhas de marcação. Não se trata de uma regra, mas a posição corporal dentro do espaço do campo facilita essas ações.

Existem dois jogadores atualmente que possuem gestos técnicos perfeitos ao receberem a bola, Luka Modrić e Andrés Iniesta. O croata prefere sempre estar voltado para as laterais, receber e dar continuidade para frente na jogada, tendo força e potencia para essa ação. O espanhol prefere receber de costas para o marcador e girar em um drible curto, deixando quase que majoritariamente uma superioridade para a sua equipe no setor. Iniesta deixa claro que muito o drible em pouco espaço é uma reminiscência dos seus tempos de futsal. A noção corporal e de espaço desses atletas, aliados à excelente tomada de decisão os fazem serem expoentes técnicos da posição que atuam. Aqui no Brasil, Arthur, do Grêmio, vem se destacando pela facilidade de tirar a bola da zona de pressão. Sempre que recebe a posse, Arthur já sabe o que fazer com ela. Muito se deve ao posicionamento corporal do jogador e o campo de visão que ele possui antes e depois de entrar diretamente na jogada.

 

Chegamos ao ataque. Os jogadores de frente possuem distintas características, mas alguns gestos técnicos todos precisam exercer. Um deles é o recuo corporal quando a bola vem pela a linha de fundo. Com o corpo de frente para a goleira, mas a cabeça observando o portador. Um movimento que poderíamos chamar de Firmino, pela eficácia que o brasileiro possui executando essa ação. Outro gesto técnico muito importante para os “camisas 9” é trotar no lugar com as pontas dos pés, esse movimento auxilia na antecipação por deixar o corpo sempre ativo para o jogo. É muito comum em jogadas de bola parada.

firmino

Muito pouco se fala no mainstream sobre movimentos corporais no futebol, mas é um assunto de extrema importância e que é tratado com cuidado por analistas, preparadores físicos e treinadores. Automatizar e tornar uma rotina certos movimentos podem potencializar o rendimento e diminuir o número de lesões.

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