O impacto das contratações do Barcelona no verão

Andreas Christensen, Franck Kessié, Jules Koundé, Marcos Alonso, Raphinha e Robert Lewandowski. O mercado do Barcelona foi bem pontual para preencher lacunas que o elenco e o time titular precisava. Como esses jogadores irão influenciar no jogo blaugrana?

É fato que o Barcelona deixou a desejar bastante nos últimos anos e na última temporada não foi diferente. Sem Messi, o time perdeu praticamente sua carta para vitórias e gols automáticos semanalmente. O clube perdeu bastante tempo na primeira metade da temporada, apesar de Koeman ter papel importante na hora de inserir os jovens no time principal, mas já era tempo para mudança. Xavi finalmente chegou, como Laporta queria desde que se tornou presidente novamente.

Na janela de verão, o clube procurou investir, mas disso precisou fazer alavancadas em contratos de receitas futuras. Além disso, conseguiu renovar com uma das boas notícias da 2021/22, Ousmane Dembelé. Nos gastos de fato vieram Jules Koundé, Raphinha e Robert Lewandowski, além de Andreas Christensen e Franck Kessie sem contrato que também foram boas oportunidades de mercado.

O que mais impressiona é a pontualidade de cada uma delas, todas são importantes dentro do time titular, mas principalmente para rechear o elenco de opções diferentes do que estava disponível até então.

Para mudar o nível competitivo da equipe

De todas as contratações, dois são responsáveis por colocar o clube na briga por títulos novamente. Robert Lewandowski é um dos grandes centroavantes do mundo na última década e seus gols prometem ajudar o clube a se manter consistente na temporada, situação que o clube sofreu bastante depois que Suárez saiu – apesar do nível físico abaixo do ideal, ainda entregava gols e profundidade num sistema que privilegiava um ‘9’.

Por fim, temos o patamar que o polonês chega, em alta e com claro objetivo de se mostrar o melhor numa liga que tenha mais relevância tática e com maior disputa que a Bundesliga. Uma oportunidade de mercado – último ano de contrato – e oportunidade de ter um dos melhores centroavantes do mundo novamente.

Foram 50 gols e sete assistências em 46 jogos na temporada 2021/22 para Robert Lewandowski. (Reprodução/FC Barcelona)

Depois de Lewandowski temos Jules Koundé, e o zagueiro tem tudo para ser o reforço de maior impacto dessa janela. O sistema defensivo do Barcelona foi deixado de lado nos últimos anos e a única notícia boa foi Ronald Araújo. Piqué vinha de bons jogos com Ernesto Valverde, mas se tornou um zagueiro bem inconsistente, assim como todo o sistema após a demissão do treinador.

Koundé é tudo que o Barcelona precisava no setor defensivo, desde um bom defensor da área até sua influência na construção desde a base. O francês não é dos zagueiros mais altos, mas suas principais características superam isso, sua inteligência sem a bola promete ajudar a equipe de Xavi nos momentos pós-perda e na pressão natural que a marcação mais alta da equipe irá determinar em jogos de maior intensidade.

Outros novos talentos e reforço para o elenco

Raphinha não entra diretamente no impacto de cara, mas reforça o desejo do Barcelona em ter mais opções para o ataque da equipe. O ex-Leeds tem uma característica diferente dos atacantes do elenco, joga pelo lado direito, é mais incisivo do que qualquer outro e traz jogadas individuais como o seu diferencial.

Já pronto como jogador, o brasileiro tem tudo para ser titular, ainda que a disputa seja grande, pois Ansu Fati e Dembelé tendem a ser mais determinantes no jogo da equipe por estarem a mais tempo por lá. É claro que isso será escolhido conforme o time for se desenvolvendo melhor ao longo da temporada, já que Raphinha joga pelo lado direito, Dembelé domina o lado esquerdo, mas pode ser utilizado em ambos os lados, e Ansu Fati se sobressaí no último terço nas finalizações.

Mais uma visão importante do Barcelona no mercado, um jogador talentoso, mas já feito, sem necessidade de certa evolução. Sem precisar desenvolver, os catalães estão despreocupados com a inconsistente que um jogador mais jovem pode ter e Raphinha entrega produtividade como poucos pontas no futebol mundial atualmente – o que explica a concorrência de Arsenal e Chelsea pela contratação do jogador. A contratação é absolutamente pontual de primeiro momento pois resolve lacunas do ataque com uma peça. É um jogador de característica única do elenco, pronto e decisivo, com idade para alcançar seu auge dentro da equipe.

Oportunidades no mercado

Contratações de graça são alternativas no clube que teve problemas financeiros e precisou abrir mão de cotas futuras para investir agora. Outro ponto é a necessidade de um meio-campo recheado de jogadores diferentes, já que De Jong não conseguiu se consagrar como o tal substituto de Busquets – o que obviamente não é nada fácil, mas por outro lado no mesmo setor, Pedri e Gavi se sobressaíram de uma forma que a equipe pode contar com os dois jovens sem se preocupar tanto.

O meio-campo especificamente precisava de mais experiência e um jogador com rodagem pela Europa: Franck Kessié foi o nome escolhido. O ex-Milan se destacou na Itália pela sua habilidade em jogar tanto como interior ou como volante mais recuado, e essa possibilidade de inserir no elenco um talento como o dele foi bem pensado pelo clube. Além disso, conta com aspectos de posicionamento interessante para o clube ser fisicamente acima da média europeia sem a bola – o elenco era amplamente superado por praticamente todos os adversários nos últimos anos.

Com a bola no pé é aquilo do que pudemos ver no Milan. Kessie é um grande controlador do meio-campo, característica importante para o estilo do Xavi no atual Barcelona: um jogador que saiba receber a bola, parar, pensar e decidir quando passar. Por essa característica, é até interessante pensar que Kessié possa ser uma alternativa para Sergio Busquets ter certo descanso em alguns jogos da temporada. O costa-marfinense pode, em devidas proporções, fazer o papel de controlar o tempo de jogo dos blaugranas.

(Reprodução/FC Barcelona)

Outro jogador que veio como oportunidade de mercado foi Marcos Alonso. Com o contrato acabando no Chelsea, o espanhol e ex-canterano do Real Madrid quis voltar para a Espanha e o time catalão aproveitou para repatriar. Alonso não é um lateral dos sonhos culé, mas irá cumprir o necessário, principalmente se pesarmos que o clube não conseguiu achar, pelo menos, um reserva que pudesse entregar minimamente quando o time precisasse. Sua qualidade no passe curto e a polivalência em funções diferentes são as principais questões que devem agregar o estilo de Xavi.

Por último, mas nem menos importante, temos o zagueiro Andreas Christensen. O ex-chelsea nunca foi um primor da posição, mas se destacou bastante num sistema com três zagueiros, o que pode possibilitar novas ideias em Xavi. Por outro lado, tende a ser mais crucial quando joga ao lado de um zagueiro e um lateral que não recompõem, ou seja, Christensen é bom nas coberturas, duelos individuais, e nesse ponto específico pode ser relevante para seus companheiros de linha avançarem – é um jogador de contexto, mas se bem utilizado pode cumprir.

É claro que as contratações foram investimentos altíssimos, principalmente se pensarmos o que o clube precisou fazer para consegui-los. Porém, em questão de visão e entendimento do elenco, todas fazem muito sentido. Posições e jogadores para funções extremamente pontuais, nível de importância tanto no time titular quanto para rodagem dos jogadores, todos com impacto técnico e/ou físico, além de novas disponibilidades para as ideias de Xavi como treinador. É importante que o sucesso seja baseado em desempenhos dentro de campo, assim como a filosofia que envolve o clube diz, mas fica cada vez mais claro que o Barcelona de Joan Laporta quer o sucesso fora de campo também.

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