O oscilante Real Madrid busca um caminho

Problemas em jogos menores, mas atuações consistentes quando precisou: o Real Madrid de Zinedine Zidane vive de altos e baixos durante a temporada 2020/21

Nos últimos dois meses, o Real Madrid vem passando por uma fase cheia de inconsistência. Fase essa decorrente do desagradável futebol praticado desde a última temporada. Derrotas duras contra Cádiz, Valencia e Alavés no campeonato espanhol anunciavam problemas coletivos.

Além dos problemas na La Liga, o time fracassou na Champions League ao perder o segundo jogo para o Shakhtar e Zidane balançava ainda mais. Com um resultado favorável entre Inter e Borussia Moncheglabah, chegou à última rodada da fase de grupos dependendo apenas de si, e tudo parecia mais calmo. Ou não.

O jogo contra o Sevilla era uma partida difícil e chave para a permanência do francês no comando técnico do clube. Jogar no Sánchez Pizjuán não é fácil, e a equipe de Julen Lopetegui é bastante organizada. O contexto não ajudava, o calendário e as lesões nesse período se reforçavam como o maior adversário de Zidane.

O retorno de Benzema foi fundamental para a equipe entrar em órbita novamente. Com o francês sempre mascarando problemas coletivos do setor criativo e facilitando o jogo de seus companheiros tudo fica mais fácil… Assim podemos chamar o Real Madrid de equipe. É inegável que o camisa 9 é a peça chave do time na última década, mais evidente nas últimas duas temporadas e principalmente na conquista da última liga em 2019/20. Mas é claro como o ponto de equilíbrio não está por ali – na verdade Benzema é o desequilíbrio do Real Madrid.

A vaidade de Zidane em contar com seus ‘titulares’ desde que chegou é muito clara e manifesta. Mas por que isso? Porque são eles que conseguem produzir do jeito que ele deseja, e não é nenhuma surpresa para quem acompanhou toda sua história como treinador do clube.

A dificuldade em introduzir novas peças além da rotação é incontestável. A preferência tática o fez colocar Lucas Vázquez e Marco Asensio na frente de Vini Jr. e Rodrygo por diversas vezes, mesmo que, na prática, os brasileiros demonstrem melhores performances individuais.

‘Transformar’ Fede Valverde em um jogador relevante e fundamental dentro de campo é uma simples obra da necessidade, do que o time carece. As características do uruguaio suprem todos as assimetrias da equipe em campo, que “surpreendentemente” são causadas pelo treinador. É Fede quem fornece potência, energia e infiltração como nenhum outro volante do elenco apresenta, e obviamente com a ausência dele tudo isso inexiste. E é a partir daí que ressurge Luka Modric.

Aos 35 anos, Modric mostra que ainda é peça fundamental do Real Madrid de Zidane

É fato que Casemiro e Toni Kroos demonstram bom nível individual, mas oscilações são decorrentes pelas questões físicas de um jogo atrás do outro. Com isso, pouco espaço para descanso já que Odegaard teve problemas físicos. O ponto de equilíbrio é bem ali no meio-campo, e a zona de criação já não parece tão inferior com os passes de Kroos, mas ainda assim carente.

A presença de Modric jogando em alto nível, como nos últimos quatro jogos, transforma o setor criativo para que a profundidade dos laterais e dos pontas se mantenha superior à primeira linha do sistema defensivo adversário, além de proporcionar um papel na entrelinha que o Madrid não suportou fazer desde 2018.

Mendy e Carvajal são laterais diferentes, mas com funções parecidas – não que funcione já que Mendy não é um jogador para o jogo de posição e é pouco aproveitado em suas melhores habilidades ofensivas. A partir disso, a presença de um meia para engatar ambos, fazendo com que se aproximem do terço final é o ponto de mudança do que pensa Zidane. E Modric faz isso como ninguém.

Na partida contra o Borussia e no derby contra o Atleti podemos ver como o papel ofensivo, além das movimentações de Karim Benzema, passa pelo croata. Contra o time alemão é ainda mais nítido, e, por incrível que pareça para muitos, é a única coisa do que pensa o careca sobre Real Madrid que funciona de fato.

Com seus titulares, Zizou consegue distribuir funções e ganhar algumas batalhas dentro dos 90 minutos, mas é nítido a diferença quando precisa fazer alterações necessárias, durante as partidas principalmente. As rotações foram fundamentais para o título espanhol na última temporada, mas antes de tudo para manter fisicamente bem seus principais jogadores, e não no papel de desenvolver relevância nos jovens e jogadores secundários como parece.

É perceptível o desgaste técnico e físico no contexto atual, mas não dá para ignorar o que vem acontecendo desde 2019. Muitas desculpas e pouco futebol apresentado. Resultados pontuais podem absorver o treinador de muitas demandas, mas a cada dia é mais nítido a degradação de um estilo próprio que o fez ser tão vitorioso em sua primeira passagem. Sempre foi tempo de mudança, assim como o próprio disse quando pediu demissão, e reconhecer os erros é o primeiro passo para isso.

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