O PANDEIRO E A BOLA

Por @maiiron_ O samba é a expressão musical mais popular do Brasil. Mesmo pós-Lei Áurea (1888) sambistas sofriam com a repressão. À época, bater no pandeiro era crime, que não raro culminava com prisão por “vadiagem”, delito previsto em lei a partir de 1941. Donga e João da Baiana compuseram Pelo Telefone, em 1917, o primeiro […]

Por @maiiron_

O samba é a expressão musical mais popular do Brasil. Mesmo pós-Lei Áurea (1888) sambistas sofriam com a repressão. À época, bater no pandeiro era crime, que não raro culminava com prisão por “vadiagem”, delito previsto em lei a partir de 1941.

Donga e João da Baiana compuseram Pelo Telefone, em 1917, o primeiro samba gravado. Daí em diante o samba desceu do morro e a sociedade abraçou. Até que Noel Rosa, um cronista de Vila Isabel, faz em Conversa de Botequim um dos primeiros casamentos entre samba e futebol. Na canção, a célebre frase: “Vai perguntando ao freguês do lado qual foi o resultado do futebol”. Noel, vascaíno e cronista da vida boêmia do Rio de Janeiro, perguntado uma vez para que time torcia, respondeu que “gostava daquele time em que jogava o Fausto”, conhecido como Maravilha Negra. Noel era da classe média, porém intimamente ligado aos costumes populares.

Chico Buarque, torcedor do Fluminense e bom peladeiro (para quem não sabe, Chico batia uma bolinha esperta), cantou samba em vários versos. Em Futebol, ele narra uma troca de passes num combinado imaginário de Santos e Botafogo, em Bom Tempo, música de 1968, ele celebra a possibilidade de ouvir a vitória do seu Fluminense em um radinho.

Jorge Ben Jor é samba, um samba mais suingado, mas é samba. E, na minha opinião, o maior poeta concreto da história do Brasil. Canta o futebol como ninguém. Jorge Ben, flamenguista que só ele, compôs Camisa 10 da Gávea e Zagueiro, em uma raríssima ode aos sempre esquecidos e nada romanceados defensores brasileiros. Escreveu também a inesquecível Fio Maravilha, para o centroavante carismático do Flamengo. Já Neguinho da Beija-Flor fez o hino Domingo, eu vou ao Maracanã, celebrado por todos os times do Rio de Janeiro e adaptado em vários cantos do país.

Terão mais sambas escritos, o samba não vai morrer, já cantou Mestre Marçal. Tomara que tenhamos sambas escritos sobre o futebol. Se tiverem, mostrarei para vocês.

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Mairon Rodrigues

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