O que esperar das semifinais da Copa São Paulo 2020?

Corinthians, Internacional, Grêmio e Oeste são os semifinalistas da competição. As equipes apresentam, além de muitos talentos a serem observados, uma competitividade bastante forte dentro das quatro linhas.

A Copinha deste ano evidenciou um processo que já era esperado na formação de atletas no futebol brasileiro: a valorização da força física. Ter atletas com capacidade física não significa, necessariamente, que há uma diminuição na qualidade técnica. Dentre as últimas quatro equipes vivas na Copinha, uma delas chegou muito por conta da qualidade individual de alguns nomes.

Corinthians, Internacional, Grêmio e Oeste estão nas semifinais do “vestibular da bola”, com cada equipe apresentando uma abordagem diferente e alguns nomes interessantes pensando no futuro futebolístico de cada agremiação.

O confronto entre Corinthians x Internacional é o exemplo do progresso físico nos atletas. Apesar de ser o maior campeão do torneio, o Timão não era tão cotado para chegar à fase mais afunilada da Copinha, porém, coletivo corintiano, que é a grande arma da equipe, deu as cartas e alcançou as semis, e em muitos desses jogos pela imposição física.

Apesar de bons resultados recentes, o Internacional segue um padrão similar ao do rival pela vaga na final. O Colorado também possui um coletivo forte, bem definido pelo treinador Fabio Matias. A partida entre as equipes coloca alguns duelos interessantes nas duas laterais e no meio-campo, que são os setores mais destacáveis de ambas as equipes.

Graças aos seus laterais, Inter cria muitas chances a partir de cruzamentos (Foto: Leonardo Fister/SC Internacional)

Os semifinalistas têm pares de laterais que fazem boa campanha na Copinha. Daniel Marcos e Lucas Pires, pelo Corinthians, e Lucas Mazetti e Leo Borges, pelo Inter, vão se chocar em batalhas importantes na partida. Daniel Marcos, inclusive, marcou o gol da vitória do Timão contra o Athletico Paranaense. Os alas do clube paulista são fortes fisicamente, além de bom suporte ofensivo. Enquanto isso, os meninos da equipe gaúcha parecem um pouco mais técnicos, sobretudo Lucas Mazetti, que já foi atacante em outras categorias do Colorado.

No entanto, a graça desse embate acontecerá no meio-campo. O Corinthians terá o desfalque de Gabriel Pereira, que é o grande nome da equipe nesta edição. O meia-direita está suspenso e, provavelmente, a responsabilidade na criação de jogadas cairá nas costas de Léo Pereira, que esteve um pouco inconstante até o momento. Todavia, o Timão irá contar com Xavier, camisa 5, para ganhar os embates no primeiro terço do gramado. O jovem volante apresenta um vigor físico importante para quem atua nessa função atualmente. Além disso, Xavier tem qualidade para sair jogador e distribui bem o jogo nas primeiras fases de criação. Vitinho, que outrora teve muito hype, deve voltar à equipe titular devido à suspensão de Gabriel Pereira. O garoto tem talento, mas falta mais intensidade para competir.

E intensidade é o que não falta na meiúca do Internacional. Com três meias de funções diferentes, o Colorado tem nesse setor o seu grande trunfo para chegar a final. Murilo, Praxedes e Cesinha são os principais nomes da equipe no torneio. Murilo, que veste a 15, é responsável pela saída de bola com qualidade da defesa, além de fechar os espaços com inteligência. O volante, apesar da pouca idade, tem bastante noção de posicionamento. Praxedes, que na modesta opinião deste que vos escreve, é o melhor jogador desta edição da Copinha. O camisa 8, que foi formado na base do Fluminense, faz o “área-a-área” com muita precisão. Além da qualidade técnica visível (haja vista o gol que ele fez contra o Botafogo-SP), Praxedes também adiciona na fase defensiva do jogo. Por último, e não menos importante, Cesinha dá toque circense ao Internacional. O camisa 10 possui drible, visão de jogo e gosta de pisar na área para finalizar. Atributos esses que são essenciais para um atleta que visa o futebol profissional.

Do outro lado da chave, Grêmio x Oeste fazem um duelo de extremos. A equipe gaúcha é muito bem preparada fisicamente e consegue manter o ritmo por mais tempo durante a partida do que o Oeste, que – apesar de ter surpreendido muita gente – é uma equipe mais previsível, menos intensa e dependente de jogadas individuais.

O grande “porém” do Grêmio nesse confronto é a ausência de Diego Rosa, que faz um belo torneio. Na partida contra o Atlético-MG, o Tricolor teve grandes dificuldades para sair do pressing da equipe mineira. Rosa a Gazão sofreram o primeiro tempo inteiro até o Grêmio empatar a peleja, que abateu o moral do Atlético Mineiro, que diminuiu a pressão.

O principal nome do Oeste é Wellinton, camisa 10 formado na base do Corinthians, que atua muitas vezes como “falso 9” no esquema do treinador Mirandinha. Wellinton é rápido e tem bom drible. Seus companheiros seguem o mesmo estilo, porém, como extremos. Trata-se de Tite, que usa a 9, mas que atua pelo flanco esquerdo, e Reifit, que veste a 16 e cai pelo lado direito. Apesar de Brunão ser bom cobrador de faltas e bolas paradas, o estilo de jogo do Oeste é muito direto, especialmente com bolas longas da dupla de zaga visando Tite e Reifit nas extremidades.

Avaí, Cruzeiro e São Paulo foram algumas das equipes eliminadas pelo Oeste (Foto: Rubens Chiri/saopaulofc.net)

Vanderson, lateral direito do Grêmio, que vem fazendo uma boa Copinha, vai ter trabalho dobrado devido à movimentação desse trio. Quando Mirandinha não inverte os ponteiros, Wellinton sai da área e busca o costado do lateral, muitas vezes pela direita, para um dos dois extremos infiltrarem dentro da grande área.

É bom ressaltar que Reifit, que ganhou a vaga de titular no mata-mata, já tem experiência no futebol profissional. No segundo semestre de 2019, o extremo direito foi titular com a camisa do Corinthians na Copa Paulista. Aliás, ele está emprestado no Oeste. Apesar de ser franzino e baixinho, Reifit é muito habilidoso na condução de bola em alta velocidade. Jogadores lentos costumam sofrer no um contra um.

Além de Reifit, que pertence ao Timão, Luan e Kauê também estão atrelados a equipe da capital. Leandro Jabá, irmão de Léo Jabá, é outro ponto de conexão entre o time de Barueri com o Corinthians.

Se o Oeste pode assustar o Grêmio entre as linhas com velocidade e drible, o Tricolor também pode fazer a mesma coisa com o Rubro-Negro. Elias e Rildo se destacaram nos placares elásticos do Grêmio na competição, sobretudo o primeiro. O camisa 7 lembra muito o estilo de jogo de Nikão, hoje consagrado no Athletico Paranaense, quando começou a carreira na base do Santos.

Elias é rápido, tem força e inteligência para escolher a melhor jogada. Muito provavelmente ele vai bater de frente com Biel, lateral-direito, que sofre na marcação. Rildo terá Luan pela frente, mas esse marca melhor do que o companheiro do lado oposto. O centroavante Fabrício será testado contra Douglão, zagueiro alto e competente na marcação mano a mano. Um time menos posicional no último pedaço do gramado pode ser a chave do sucesso para o Grêmio.

Tricolor eliminou o Vasco nos pênaltis, nas quartas de final (Foto: Guilherme Rodrigues/GR Press)

Outro ponto de desequilíbrio, caso Guilherme Bossle opte assim, é Pedro Lucas. O camisa 10, que também defendeu a seleção brasileira no título mundial sub-17, ainda não desabrochou na Copinha, mas sua qualidade técnica é sabida. Apesar de o Oeste ter uma transição rápida no contra-ataque, Pedro Lucas pode ser fatal para o Tricolor dos Pampas se conseguir explorar os espaços entre as linhas.

Por fim, ambas as equipes possuem goleiros que atravessam bons momentos. Márcio foi heroico em duas decisões de pênaltis contra Cruzeiro e Avai (terceira fase e oitavas de final, respectivamente), além de atuação destacada contra o São Paulo, especialmente no segundo tempo, quando a equipe do Oeste cansou. Adriel, guarda-metas do Grêmio, defendeu com os pés a última cobrança contra o Vasco, nas quartas de final. Além disso, ele se destacou nos dois últimos confrontos contra a equipe carioca e Atlético Mineiro.

A Copinha deste ano tem duas semifinais que sugerem um equilíbrio muito maior do que parece. A possibilidade de um Grenal na final é boa, mas é bom não subestimar as individualidades.

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Caio Nascimento

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