O Wolfsburg de Oliver Glasner

Classificado para a próxima Europa League, o time dirigido por Oliver Glasner foi uma das boas notícias no Campeonato Alemão em 19/20.

O Wolfsburg terminou a temporada na Bundesliga de maneira bastante irregular. Foram quatro vitórias, outras quatro derrotas e um empate nos últimos nove jogos realizados após a retomada da competição por causa do hiato provocado pela pandemia do coronavírus. Apesar da queda de desempenho sofrida na reta final de temporada, os lobos apresentaram, de maneira geral, detalhes positivos ao longo de 2019/20.

É preciso lembrar que ainda se trata do primeiro ano de Oliver Glasner à frente do clube da Volkswagen, algo que também marca uma ruptura estilística na comparação com Bruno Labbadia, técnico antecessor, conhecido dentro da Alemanha como um especialista em livrar times do rebaixamento. Ademais, a chegada de Glasner pode ser entendida como uma intenção do VfB em dar o passo adiante para retomar o protagonismo em cenário nacional.

A aposta no treinador austríaco, de trabalho destacável previamente no LASK Linz, parece promissora tendo em vista as bases táticas que o treinador conseguiu estabelecer desde os primeiros meses de projeto. E este mérito precisa ser considerado justamente porque o elenco disponível não é rico tecnicamente e repleto de alternativas – uma das razões pela irregularidade na fase final de campanha e queda na tabela no Campeonato Alemão. No entanto, como comentado anteriormente, o Wolfsburg deixou sensações positivas em seu jogo e encerrou a Bundesliga sendo uma equipe com padrões bem definidos, pautada muito pela organização defensiva.

Com 46 gols sofridos, o Wolfsburg terminou a Bundesliga com a sexta melhor defesa da competição.

A solidez defensiva do Wolfsburg existe através de seu sistema, e não a partir de destaques individuais. Nomes como Robin Knoche, Marin Pongracic e John Brooks, os zagueiros mais utilizados durante 19/20, não são jogadores reconhecidos exatamente como especialistas defensivos. E, portanto, a consistência do clube da Volkswagen ficou marcada pelo funcionamento coletivo em si.

Oliver Glasner iniciou a temporada em 5-2-3/3-4-2-1, o desenho usado nos tempos de LASK, mas terminou o Campeonato Alemão no 4-4-2/4-2-3-1 após adaptações realizadas pelo técnico. E independente da estrutura tática, o comportamento coletivo seguiu parecido em linhas gerais: equipe posicionada em bloco médio e alternado em fases de pressão alta, preocupada em neutralizar o rival em saída de bola e negar superioridade numérica por determinados setores. Os movimentos em fase defensiva dos lobos foram realmente muito coordenados, caracterizados também pela compactação sem o esférico e pela agressividade defendendo em campo próprio – tanto que foi a quarta equipe que mais registrou tackles na Bundesliga, sendo a terceira que mais venceu divididas em média na competição.

A aproximação também era chave nos momentos em que o time tinha a bola, justamente para facilitar em saídas ofensivas e ter mais linhas de passe. Em 4-2-3-1, a postura na primeira fase de iniciação variou bastante, com a equipe mesclando entre iniciações curtas e elaboradas a partir da saída 3+1 quando Maximilian Arnold lateraliza/infiltra entre os zagueiros na primeira fase de elaboração. Arnold, o líder em assistências da equipe com 12 passes decisivos, também é importante buscando jogo direto e acionando o lado contrário através de lançamentos em diagonais. Os laterais, em amplitude, possuem funções distintas, com Kevin Mbabu somando recebendo ao pé, enquanto Jérôme Roussillon é uma ameaça recebendo em projeção com tempo-espaço.

Os extremos, por sua vez, ocupam zonas interiores – Josip Brekalo, o ponta pela esquerda, varia entre recepções abertas e aparições entre linhas. A ideia é de receber às costas dos meio-campistas adversários e também juntar peças ao redor do principal jogador da equipe, o centroavante holandês Wout Weghorst, artilheiro da equipe com 20 gols marcados por todas as competições no ano.

Se no início do mês falamos que o Mönchengladbach foi uma das grandes surpresas do futebol alemão em 2020, o mesmo se aplica ao Wolfsburg, ainda que em uma escala menor. Com ajustes necessários e o reforço do elenco de uma forma geral, a equipe tem potencial para seguir evoluindo sob o comando de Oliver Glasner.

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